CAPÍTULO 19

1201 Palavras
— Você está olhando para ela como se ela fosse o ar que você esqueceu como respirar, Luke — Liam diz, os olhos fixos em um ponto morto na mesa. — Mas você sabe o que ela realmente é. Para você, Annabella Fisher é um campo minado. Um passo em falso e você explode séculos de segredos da nossa família. Luke não desvia o olhar de Annabella por um segundo sequer. O canto de sua boca se contrai em um esboço de sorriso que não chega aos olhos. — Talvez eu esteja cansado de caminhar em solo seguro, Liam — Luke responde, a voz soando como o estalo de uma geleira. — Talvez eu queira exatamente esse campo minado. Há algo na resistência dela, naquela "música" que ela emana, que faz todo o resto parecer... estático. A expressão de Liam endurece. Ele não está preocupado apenas com a disciplina local; ele está pensando na hierarquia que governa a espécie deles além das fronteiras de Silver Falls. — Não se trata apenas de nós, Mason ou Zoe — Liam adverte, a voz baixando ainda mais. — Se o Clã Superior descobrir que um herdeiro dos Foster está se envolvendo emocionalmente com a filha de um Xerife humano... com alguém que carrega a marca dos Cooper no pescoço... eles não vão apenas nos punir. Eles vão caçá-la, Luke. Eles a verão como um vírus, uma falha na nossa segurança que precisa ser eliminada. Luke finalmente desvia o olhar de Annabella e o fixa em Liam. A temperatura ao redor da mesa parece cair dez graus instantaneamente. O ar se torna pesado, carregado com a autoridade de quem nasceu para liderar, não para obedecer. — Então que eles venham — Luke sibilou, os olhos escurecendo até se tornarem dois abismos de obsidiana. — Eu não permitirei que ninguém, seja deste grupo ou do Clã Superior, toque em um único fio de cabelo da Annabella. Se eles querem chegar até ela, terão que passar por cima das cinzas do que restar de mim. Luke deixou de ser apenas um observador curioso. Ele assumiu uma postura de guardião absoluto, o que o coloca em rota de colisão direta com as leis de sua própria espécie. Ela ainda não tem ideia de que, ao aceitar aquele beijo, ela se tornou o alvo principal de uma força muito maior do que Mason ou Zoe. Ela agora é uma "ameaça existencial" para o segredo dos vampiros. Liam é leal a Luke, mas ele é um estrategista. Ele sabe que a promessa de Luke de protegê-la pode resultar na destruição de toda a família Foster em Silver Falls. O sol pálido de Silver Falls começava a se pôr, tingindo o céu de um roxo melancólico enquanto os estudantes deixavam o prédio de pedra da faculdade. O estacionamento estava cheio do som de motores ligando e conversas distantes, mas para Annabella, o mundo parecia ter entrado em modo de espera assim que ela avistou a silhueta familiar. Luke não estava no carro dele. Ele estava encostado na porta do velho carro de Annabella, os braços cruzados com uma casualidade que beirava a insolência. Ele parecia perfeitamente integrado à paisagem, exceto pelo fato de que sua presença tornava o ar ao redor do veículo visivelmente mais frio. Annabella caminhou em direção ao carro com a chave na mão, mantendo o olhar fixo na fechadura, recusando-se a encontrar os olhos dele. A indiferença dele durante a aula a deixara armada com uma irritação latente. — Com licença — ela disse, a voz soando mais fria do que pretendia, parando a um palmo de distância dele. — Eu preciso entrar no meu carro e ir para casa. Luke não se moveu imediatamente. Ele a observou com uma diversão silenciosa, notando como ela evitava olhar para os lábios dele — os mesmos lábios que, na noite anterior, haviam mudado a temperatura do mundo dela. Um sorriso lento e enigmático surgiu no rosto de Luke. Ele se afastou da porta com uma elegância fluida, abrindo espaço para ela passar, mas não antes de se inclinar o suficiente para que apenas ela pudesse ouvir o sussurro gélido de sua voz. — Você é excelente em fingir que eu não existo, Annabella — ele murmurou, o hálito de neve roçando a orelha dela. — Mas a sua mente continua tocando a mesma música de ontem à noite. Eu consigo ouvi-la daqui. Annabella destravou a porta com pressa, o metal da chave gelado em seus dedos. — A faculdade é um lugar de estudo, Luke. O que aconteceu no meu quarto... — O que aconteceu no seu quarto foi apenas o prelúdio — ele a interrompeu, mantendo o tom suave, mas carregado de uma certeza absoluta. Ele deu um passo para trás, observando-a entrar no carro. — Vá para casa. Descanse. Mais tarde, quando o silêncio da cidade for total, eu irei visitá-la. Temos muito o que conversar sobre esse "campo minado" em que você se tornou. Luke sabe que, ao anunciar a visita, ele mantém Annabella em um estado de ansiedade e expectativa o resto da tarde. Ele não pede permissão; ele simplesmente comunica sua intenção. Annabella entra no carro e olha pelo retrovisor. Ela vê Luke parado no meio do estacionamento, imóvel, como uma sentinela. Mas ela também vê, ao longe, a caminhonete de Dylan saindo da sombra das árvores da reserva, seguindo-a à distância. Ela sabe que o encontro de hoje à noite não será como o de ontem. Luke deixou claro para Liam que a protegeria do Clã Superior, e Dylan deixou claro que não toleraria o gelo em território humano. A chegada em casa, que deveria ser um momento de descompressão para Annabella, transforma-se em um tribunal silencioso. O peso do que aconteceu na noite anterior — o beijo de Luke e o ataque de fúria de Dylan no telhado — materializa-se agora na figura de autoridade máxima da cidade: seu pai. O cheiro de óleo de máquina e metal preenche a cozinha, sobrepondo-se ao aroma do jantar que Abigail prepara. O Xerife Thomas está sentado à mesa, a expressão severa e concentrada enquanto termina de montar sua arma de serviço. É uma imagem que sempre trouxe segurança a Annabella, mas que hoje a faz sentir o gosto metálico do medo. — Pai? — Annabella pergunta, tentando manter a voz estável enquanto deixa a mochila na cadeira. — O que aconteceu? Por que a arma na mesa? Thomas levanta os olhos, e o instinto de investigador dele parece escanear o rosto da filha em busca de algo que ele ainda não consegue nomear. — Há algo estranho rondando esta casa à noite, Bella — ele diz, a voz rouca e cansada. — Saí para verificar o quintal hoje cedo e encontrei marcas no carvalho perto da sua janela. E o pior... o telhado está avariado. Algumas telhas foram arrancadas, como se algo — ou alguém — tivesse subido lá com uma força que não é humana. Annabella sente o sangue fugir do rosto. Ela olha para o pai e depois para a mãe, que mexe uma panela no fogão, mas cujos ombros estão tensos, denunciando uma preocupação que ela tenta suavizar.
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