CAPÍTULO 17

1260 Palavras
— O que você quer de mim, Luke? — ela perguntou, os olhos fixos nos dele. — Você diz que "meu desejo está aqui", mas e o seu? Por que um Foster, que tem o mundo aos seus pés e a eternidade no bolso, se dá ao trabalho de escalar uma janela para observar uma humana que m*l começou a entender o que é o Direito? Luke pareceu pego de surpresa pela audácia dela. Ele estava acostumado a ser temido ou adorado, não confrontado em um quarto de dormir por uma garota descalça. O sorriso brincalhão dele desapareceu, substituído por uma intensidade que fez as sombras do quarto parecerem se inclinar em direção a eles. — Eu quero algo que não consigo comprar e que o tempo não pode me dar, Annabella — ele confessou, a voz soando como um segredo antigo. — Eu quero entender por que, depois de séculos de silêncio, a sua mente é a única música que eu não consigo parar de ouvir. Ele estendeu a mão lentamente. Desta vez, ele não parou. Seus dedos frios tocaram de leve o contorno do rosto de Annabella, descendo até a linha do maxilar. O toque era gélido, mas o choque elétrico que percorreu o corpo dela foi abrasador. — Você me desafia — ele sussurrou, inclinando o rosto para perto do dela. — E em um mundo onde tudo é previsível, você é a única variável que eu não consigo calcular. Meu desejo? Meu desejo é saber se o seu calor é forte o suficiente para me fazer sentir vivo de novo... ou se o meu frio vai acabar destruindo a única coisa que me fascina nesta cidade. O ar entre os dois estava tão saturado de eletricidade e frio que parecia prestes a cristalizar. Annabella sentia o contraste violento: o calor que subia por seu pescoço, impulsionado pelo pingente de Dylan, e o hálito de inverno de Luke, que roçava seus lábios com uma promessa perigosa. Luke aproximou o rosto, reduzindo a distância a quase nada. Seus olhos, que antes pareciam apenas escuros, agora revelavam fragmentos de um azul glacial profundo, como se ela estivesse olhando para o fundo de um oceano congelado há milênios. — Você é uma música perigosa, Annabella — ele sussurrou, a voz vibrando contra a pele dela. — E eu temo que, se eu começar a ouvi-la de perto demais, nunca mais conseguirei suportar o silêncio da minha própria existência. Annabella sentiu o toque dos dedos dele em seu maxilar tornar-se mais firme, mas ainda delicado, como se ele estivesse lidando com uma porcelana que poderia se estilhaçar ao menor excesso de força. Ela não recuou. Pelo contrário, ela inclinou levemente a cabeça, desafiando o vazio gélido dele com a sua vitalidade pulsante. — Então pare de ouvir de longe, Luke — ela rebateu, o desafio saindo em um sopro de névoa quente que envolveu o rosto dele. — Se você quer saber se o meu calor pode te queimar ou te salvar, terá que correr o risco. O momento do beijo não foi uma entrega suave; foi uma colisão. Quando os lábios de Luke tocaram os dela, o mundo ao redor de Annabella pareceu desaparecer em um borrão de sensações contraditórias. Era como tocar o gelo mais puro com uma brasa acesa. O frio dele era anestesiante no início, mas logo se transformou em uma sucção de energia que fazia o coração de Annabella martelar contra as costelas. Ela sentiu a força dele, a imortalidade que ele carregava, tentando envolver a vida efêmera dela. No exato instante do toque, o quartzo de Dylan em seu peito deu um solavanco, tornando-se tão quente que Annabella soltou um pequeno gemido abafado contra os lábios de Luke. O amuleto estava em "alerta máximo", detectando a invasão do predador no território mais sagrado. O beijo foi interrompido não por vontade deles, mas por um som violento que fez a estrutura da casa vibrar. O Impacto: BOOM. O barulho de garras rasgando as telhas de madeira logo acima de suas cabeças ecoou pelo quarto. Um rosnado gutural, tão profundo que parecia vir das entranhas da terra, desceu pelas vigas do teto. Luke se afastou de Annabella em um movimento borrado, seus olhos mudando instantaneamente de admiração para uma fúria defensiva. Ele olhou para cima, os dentes cerrados em uma expressão que mostrava que o "estudante engraçadinho" havia partido, dando lugar ao monstro que Mason temia. — Ele cruzou a linha — Luke sibilou, a voz agora como o estalo de gelo quebrando. — Dylan... — Annabella sussurrou, recuperando o fôlego, sentindo os lábios ainda dormentes e o peito queimando sob o pingente. A janela, que ainda estava aberta, tremeu com o deslocamento de ar. Dylan não estava mais na reserva; ele estava no telhado da casa do Xerife. Annabella agiu com o instinto de quem sabe que um processo de "destruição de propriedade" seria impossível de explicar ao pai Xerife. O som das garras de Dylan no telhado era como um trovão mecânico, e ela sabia que tinha apenas segundos antes que a madeira cedesse. Annabella se desvencilhou da aura gélida de Luke, que permanecia imóvel como uma estátua de mármore no centro do quarto, os olhos fixos no teto com uma intensidade mortal. Ela correu até a janela e colocou o corpo para fora, encarando a escuridão do telhado. — Dylan! Para agora! — o grito dela foi um sussurro urgente e cortante, carregado de uma autoridade que fez o barulho das telhas cessar instantaneamente. O vulto massivo acima dela parou. Annabella podia ver as garras de Dylan cravadas na calha, a respiração dele saindo como fumaça de uma fornalha. O calor que emanava dele lá de cima era tão forte que ela sentiu o suor brotar em sua testa, combatendo o frio que Luke deixara no quarto. — Desce daí! Agora! — ela ordenou, apontando para o gramado. — Meus pais estão dormindo no quarto ao lado. Se você quebrar esse teto, o meu pai vai subir com a espingarda e ninguém aqui vai ter uma explicação lógica para dar. Desce, Dylan. É uma ordem. Houve um momento de silêncio absoluto. O lobo lá em cima estava lutando contra o instinto de pular para dentro e rasgar a garganta do vampiro que ele sentia estar impregnado no cheiro de Annabella. Um rosnado baixo, vibrante, desceu pelo telhado. Dylan deslizou pela lateral da casa com uma agilidade assustadora, caindo no gramado com um baque surdo, mas controlado. Ele ficou parado lá embaixo, olhando para a janela de Annabella. Seus olhos âmbar brilhavam no escuro como brasas vivas. Luke, atrás dela, soltou um riso seco e gélido que fez Annabella se virar bruscamente para ele. — Ele obedece bem — Luke comentou, a voz carregada de um desdém aristocrático. — Um cão treinado, afinal. — Cala a boca, Luke! — Annabella sibilou, os olhos faiscando. — Você também vai embora. Agora. Pela mesma janela por onde entrou. Ela estava entre dois incêndios: um de gelo e outro de fogo. — Eu não vou deixar vocês transformarem o meu quarto em um campo de batalha — ela disse, olhando de Luke para a figura de Dylan lá embaixo. — Luke, você conseguiu o que queria. Você entrou na minha mente, você... — ela hesitou, sentindo os lábios ainda formigarem — ...você provou que pode me afetar. Agora sai. Luke inclinou a cabeça, voltando à sua máscara de polidez. Ele caminhou até a janela com uma elegância que insultava a fúria de Dylan lá fora.
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