CAPÍTULO 13

1167 Palavras
O interior do carro era silencioso e cheirava a couro novo e algo frio, como neve fresca. Luke dirigia com apenas uma mão, mantendo os olhos fixos na estrada sinuosa que descia a montanha. O sorriso dele havia sumido, substituído por uma expressão de concentração absoluta. — Você foi corajosa lá atrás — Luke disse, quebrando o silêncio sem desviar o olhar. — Poucos humanos conseguem dizer "não" a um Cooper quando ele está naquele estado. Eles têm uma... urgência animal que costuma ser sufocante. — O Dylan se importa comigo — Annabella rebateu, cruzando os braços para manter o pouco calor que ainda tinha. — E você, Luke? O que você quer me mostrando o "seu lado" da cidade? — Eu quero que você veja que a ordem é melhor que o caos — ele respondeu, desviando o carro para uma estrada particular, cercada por muros altos de pedra. — Você perguntou se nos alimentamos dos humanos. Vou te levar a um lugar onde você verá como a nossa "dieta" e a economia de Silver Falls estão mais ligadas do que os seus livros de Direito poderiam imaginar. O carro deslizou para além de um portão de ferro batido, oculto por trepadeiras de hera densa que pareciam vigiar a entrada. O lugar não tinha placa, apenas um discreto símbolo de uma ampulheta de cristal gravado na pedra. Era o L’Éternité, o clube subterrâneo que funcionava sob as fundações de um antigo teatro da cidade. Ao descerem, o ar mudou. Não havia o cheiro de mofo de um porão, mas um perfume caro de sândalo e algo metálico, quase imperceptível. Luke conduziu Annabella por uma escadaria de mármore n***o. No final dela, um salão imponente se abriu, iluminado por candelabros de cristal que projetavam sombras longas e elegantes. O som era uma mistura de jazz suave e o tilintar de taças de cristal. Annabella sentiu todos os olhares se voltarem para ela. Não eram olhares de curiosidade comum; eram olhares de reconhecimento e fome contida. Sentados em um sofá de veludo vermelho sangue, no centro do salão, estavam eles: Liam, Mason e Nathan, vestindo ternos que custavam mais do que um carro popular. Ella, Lili e Zoe exibiam vestidos de seda que pareciam brilhar com uma luz própria. — Veja só — Nathan murmurou, levantando uma taça que continha um líquido escuro demais para ser apenas vinho. — Luke finalmente trouxe a convidada de honra. — Ela é... morna — Zoe comentou, inclinando a cabeça e aspirando o ar com uma delicadeza terrível. — Consigo ouvir o coração dela daqui de cima. É um ritmo bem apressado, não é, Annabella? Luke colocou a mão levemente nas costas de Annabella. O toque continuava gélido, mas ele agia como um anfitrião protetor. — Comportem-se — Luke disse, a voz subindo apenas um tom, o suficiente para que o grupo se calasse instantaneamente. — Annabella está aqui sob a minha garantia. Ela veio ver como Silver Falls realmente funciona. Luke a levou até o bar de carvalho escuro, onde um homem que Annabella reconheceu como o Prefeito da cidade conversava animadamente com um dos "amigos" de Luke. O Diálogo: — Você vê, Annabella? — Luke apontou discretamente para as mesas ao redor. — Ali está o juiz da comarca, o dono da maior madeireira e o reitor da sua faculdade. Eles não estão aqui por obrigação. Eles estão aqui por longevidade. — Eles sabem o que vocês são? — ela sussurrou, sentindo-se um peixe fora d'água naquele oceano de predadores. — Eles sabem que somos estáveis. Nós trazemos dinheiro, ordem e mantemos a "selvageria" da reserva sob controle. Em troca, eles nos dão discrição e... acesso. É um contrato de Direito que nunca expira. — Ele se inclinou para ela. — Enquanto o Dylan e o avô dele lutam por árvores e uivos, nós construímos a estrutura que permite que você e seu pai tenham uma casa segura para morar. Annabella olhou para a taça de Zoe. O líquido não deixava marcas de tanino no vidro; era espesso, denso. — E o que eles recebem em troca por esse "acesso", Luke? — ela perguntou, sentindo o pingente de Dylan vibrar contra seu peito, como se estivesse tentando perfurar sua pele para avisá-la do perigo. O ar no camarote VIP do L’Éternité tornou-se subitamente denso, carregado por uma eletricidade estática que fazia os pelos do braço de Annabella se arrepiarem. Luke havia se afastado por um breve segundo para falar com o barman, deixando-a momentaneamente exposta ao "círculo interno" dos Foster. A polidez acadêmica que ela via nos corredores da faculdade desapareceu como fumaça. Mason levantou-se do sofá de veludo com uma lentidão predatória. Ele era mais robusto que Luke, com ombros largos e um maxilar que parecia esculpido em granito frio. Ao lado dele, Zoe brincava com uma taça, girando o líquido escuro com uma elegância hipnotizante, seus olhos fixos na pulsação visível no pescoço de Annabella — Então esta é a pequena protegida do Luke? — Mason disse, a voz soando como pedras sendo esmagadas. Ele parou a menos de um passo de Annabella, invadindo seu espaço pessoal de uma forma que o Xerife Thomas jamais permitiria. — Ela cheira a baunilha... e a medo. — Não é medo, Mason. É adrenalina — Zoe corrigiu, levantando-se também. Ela contornou Annabella como uma pantera, aproximando-se por trás. — O coração dela está batendo tão forte que eu quase consigo sentir a vibração no chão. É... adorável. Quase um desperdício deixar o Luke guardá-la só para ele. Annabella sentiu o frio que emanava deles, mas o pingente de Dylan em seu peito pulsou com uma intensidade súbita, uma onda de calor que serviu como um escudo invisível. — Eu não sou propriedade de ninguém — Annabella rebateu, forçando-se a não recuar. — E se vocês acham que eu sou apenas um "lanche", talvez devessem perguntar ao Luke por que ele me trouxe aqui em vez de me deixar na estrada. Mason soltou um riso seco e sem vida, estendendo a mão para tocar o rosto de Annabella. Os dedos dele estavam a centímetros da pele dela quando a voz de Luke cortou o salão como um chicote de gelo. — Afaste-se, Mason. — Luke apareceu ao lado deles, sua expressão mais fria do que Annabella jamais vira. Não havia mais o charme de estudante; ali estava o herdeiro de uma linhagem milenar. — Eu não dou avisos duas vezes. — Você está brincando com fogo, Luke — Zoe sibilou, os olhos brilhando com uma fome m*l contida. — Trazer uma humana para o nosso santuário? O Conselho não vai gostar disso. Ela sabe demais. Ela sentiu o frio. — Ela sabe o que eu permito que ela saiba — Luke retrucou, colocando-se entre Annabella e os outros. — E o fogo que você mencionou... — ele olhou para o volume do pingente sob a blusa de Annabella — ... está mais perto do que você imagina.
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