CAPÍTULO 15

1199 Palavras
— Você é muito engraçadinha, Annabella — ele diz, a voz voltando ao tom aveludado, embora haja uma nota de aviso nela. — Cuidado com o que oferece a um Foster. Nós temos um problema sério em não aceitar "não" como resposta quando o banquete é tão... persistente quanto você. Luke se levanta, jogando algumas notas sobre a mesa para pagar a conta, sem esperar pelo troco. — Vamos. O seu pai já deve estar voltando para casa e o seu "amigo" da reserva deve estar prestes a ter um colapso nervoso de tanto circular esta lanchonete nas sombras. Ele abre a porta para ela, o sino da lanchonete tilintando. O ar da noite de Silver Falls os atinge, e Annabella sente o pingente de Dylan vibrar novamente, mas desta vez não é um aviso de perigo... é uma presença. O sino da lanchonete tilintou atrás deles, selando o cheiro de fritura no passado. Assim que pisaram no asfalto úmido da calçada, Annabella sentiu a mudança de pressão. Do outro lado da rua, sob a luz amarelada e trêmula de um poste antigo, a silhueta de Dylan era inconfundível. Ele estava encostado na lateral da caminhonete, os braços cruzados sobre o peito largo, a respiração saindo em nuvens de vapor denso que denunciavam sua temperatura interna de quase 40°C. Luke parou ao lado de Annabella, uma mão pousada suavemente — mas de forma bem visível — no ombro dela. Ele olhou para o outro lado da rua com um sorriso de canto, aquele mesmo sorriso "engraçadinho" que Annabella acabara de desafiar. — Veja só — Luke murmurou, a voz carregada de uma elegância irritante. — O cão de guarda não conseguiu esperar no canil. Ele tem uma persistência admirável para alguém que vive de farejar rastros. — Luke, chega — Annabella avisou, sentindo a eletricidade estática no ar. Dylan atravessou a rua. Ele não caminhava, ele avançava como uma tempestade. A cada passo, o gelo fino nas poças de água parecia derreter antes mesmo de ele pisar. Ele parou a dois metros de distância, os olhos âmbar fixos na mão de Luke sobre o ombro de Annabella. — Tire a mão dela, Foster — a voz de Dylan era um rosnado baixo, vibrando no peito de forma que Annabella podia sentir o chão tremer levemente sob seus pés. — O seu tempo com ela acabou. Luke não retirou a mão imediatamente. Em vez disso, ele inclinou a cabeça, observando Dylan com uma curiosidade fria. — Ela jantou comigo, Cooper. Ela riu das minhas piadas e, acredite se quiser, ela até me ofereceu um "lanche" especial — Luke disse, lançando um olhar cúmplice para Annabella que fez o sangue dela subir ao rosto. — Ela parece preferir a civilidade do meu mundo ao... mau humor crônico do seu. Dylan deu um passo à frente, e o cheiro de floresta e chuva que emanava dele envolveu Annabella, lutando contra o perfume caro de sândalo de Luke. — Ela não é um dos seus jogos de poder — Dylan sibilou. — Ela é filha do Thomas. E ela tem sangue de gente que você tentou apagar. Se você encostar nela de novo com esse frio de cadáver... — O quê? — Luke interrompeu, finalmente soltando o ombro de Annabella e dando um passo em direção a Dylan. — Vai uivar para a lua? O tratado ainda vale, Cooper. E ela entrou no meu carro por vontade própria. Annabella se colocou entre os dois, as mãos estendidas, sentindo o ar quente de um lado e o vácuo gelado do outro. — Parem! Os dois! — ela gritou. — Eu não sou um território a ser demarcado. Dylan, eu estou bem. Luke, obrigada pelo jantar, mas meu transporte chegou. Luke deu um passo atrás, fazendo uma reverência irônica para Dylan antes de entrar em seu carro preto. — Até amanhã na aula, Annabella — Luke disse, o vidro subindo silenciosamente. — Tente não deixar que o calor excessivo nuble seu julgamento. O carro deslizou para longe, deixando apenas o som do motor da caminhonete de Dylan ligado. Dylan se virou para ela, a fúria nos olhos sendo substituída por uma preocupação profunda que ele não conseguia esconder. — Você tem ideia do perigo que correu naquele clube? — Dylan perguntou, a voz agora suave, quase ferida. — O quartzo no seu pescoço estava gritando, Bella. Eu senti a sua pulsação acelerar daqui da reserva. — Eu precisava ver, Dylan. Eu precisava saber o que eles são — ela respondeu, caminhando para a caminhonete dele. — E agora eu sei. Mas eu também sei que você está me escondendo coisas. Entre no carro. Você vai me levar para casa e vai me contar por que o meu pai e o seu avô são tão amigos. O clima dentro da caminhonete de Dylan é o oposto do carro de Luke. Onde antes havia um silêncio gélido e artificial, agora há o som ruidoso do motor antigo, o cheiro de terra molhada e um calor que emana de Dylan como se ele fosse um aquecedor ligado no máximo. Annabella observa o perfil tenso de Dylan enquanto ele dirige pela estrada de terra que corta a reserva. As mãos dele apertam o volante com uma força que faz os nós dos dedos ficarem brancos. — Meu avô e o seu pai... eles se conhecem há muito tempo, Annabella — Dylan começou, a voz ainda rouca pela fúria contida. — Jack era o rastreador da região muito antes do seu pai se tornar Xerife. Eles caçaram juntos, acamparam juntos. O Thomas confia no meu avô como se fosse um irmão. Mas ele não sabe... ele não pode saber o que nós carregamos no sangue. O mundo dele é feito de leis de papel, não de leis de alcateia. Annabella olhou fixamente para Dylan. Ela não desviou o olhar quando ele se virou por um segundo. A luz do painel da caminhonete dava aos olhos dele um brilho âmbar sobrenatural. — Você não precisa mais me proteger com mentiras, Dylan — ela disse, a voz calma e cortante. — Eu já sei. Eu pesquisei. Eu senti a diferença. Eu sei que você e o Jack são lobos. Dylan pisou no freio bruscamente, fazendo a caminhonete derrapar levemente no cascalho antes de parar no acostamento, sob a sombra de pinheiros gigantes. O silêncio da floresta os envolveu instantaneamente. Ele se virou para ela, a respiração pesada. O calor que emanava dele parecia preencher toda a cabine. — Você sabe? — ele repetiu, a voz falhando por um instante. — Annabella, isso não é uma história de ninar ou um filme da faculdade. Se você sabe o que nós somos, você entende por que eu quase derrubei os portões daquele clube hoje à noite? — Eu entendo que existe uma guerra — ela rebateu, aproximando-se dele. — E entendo que o Luke me mostrou o lado dele. Ele me levou ao L’Éternité. Ele me mostrou que os Foster controlam a política e a economia de Silver Falls. Ele diz que eles são a "ordem" e que vocês são a "selvageria".
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