Minho continuava com seu trabalho e tentava a todo custo ignorar Taemin literalmente se esfregando em suas costas. Fora uma péssima ideia optar por ficar no quarto e concluir seu projeto sentado sobre a cama, pois ali era espaçoso o suficiente para que o ômega deitasse por lá e vira e mexe inventasse qualquer coisa que fosse para poder passar um pouco do tédio imenso que estava sentindo.
E daquela vez ele estava tirando fotos, o Choi havia lhe proibido de tirar fotos que mostrassem seu rosto, mas não havia falado nada sobre o resto do corpo. O ômega agora estava escorado em suas costas tentando fotografar de um modo que aparecesse seu rosto e a marca no pescoço de Minho, mas ficava difícil quando o alfa não queria colaborar com aquela sessão de fotos não autorizada.
— Custa você deixar eu trabalhar em paz?
Para Taemin custava sim.
— Hoje é domingo, não é dia de trabalhar. — ele estava certo, não poderia contestar, mas trabalhar o ajudava a ignorar a presença de Taemin ali — Só mais duas fotos e eu prometo que te deixo em paz, tá bom?
— Tá, tira logo.
Aquele era o justo passe V.I.P que ele precisava, empurrou o notebook do moreno para lá e pôs a cabeça em seu colo com um sorrisinho na cara e ainda puxou a mão do mais velho e a colocou sobre sua bochecha de um modo que parece um carinho. Minho só revirava os olhos, não entendia aquela ânsia do Lee em querer que um bando de estranhos acreditasse que ele estava bem com sua alma gêmea, para início de conversa, ele nem deveria ficar expondo aquilo por aí.
— Por que fica postando essas fotos? — o alfa perguntou em algum momento, sua curiosidade havia o derrotado — Não tem necessidade nenhuma disso.
Mas Taemin não pensava daquela forma.
— Não quero que as pessoas pensem que fui rejeitado pela minha alma gêmea. — seu semblante havia mudado, aquele sorriso de antes havia murchado por completo, virou seu rosto na direção do rosto do mais velho, Taemin estranhamente mudara seu aspecto animado de segundos atrás — Eu quero que elas pensem que estamos bem, vou juntar o máximo de fotos que eu puder pra poder sustentar essa farsa pelo máximo de tempo possível, e um dia não falar mais nisso e torcer para todo mundo esquecer.
Minho se sentiu estranho, ver o sorriso de Taemin murchar era r**m de um modo que não esperava que fosse, qualquer atitude do ômega parecia ter um impacto bem maior do que seria normal ter, se pudesse definir tudo aquilo em uma frase, definiria em “Tempestade em copo d’água”.
— Isso é uma grande bobagem.
— Pode ser pra você, mas pra mim não é. — o ômega imediatamente se ergueu do colo do outro, descansou os cotovelos sobre os joelhos e pôs o queixo sobre o braço direito, seus olhos tristes evitaram ter contato com os olhos do Choi — Desde criança eu sonhava com o dia em que encontraria a minha alma gêmea, aí aconteceu. — riu sem graça nenhuma — E você é tão bonito, mais velho e sabe usar um terno estiloso, seu cheiro é tão bom, sua voz é grossa e atraente, você é culto e um advogado de sucesso, tudo o que um ômega poderia desejar... Mas você não me quer e isso despedaça meu coração.
Os olhos tristes de Taemin o faziam se sentir a pior pessoa do mundo, suas palavras e o tom de sua voz estavam mexendo com sua cabeça e o fazendo pensar devagar, seu lobo se agitou no peito e o agoniou, era quase como se por dentro estivesse implorando para que fizesse o Lee sorrir, precisava fazê-lo se sentir feliz ou seu peito iria explodir.
— Taemin...
— Por que você não gosta de mim? — o ômega ficou de joelhos sobre a cama e segurou-se nos ombros do Choi o apertando e quase furando sua pele com as unhas — O que te atrai em alguém?
Com a força que tinha o empurrou para trás fazendo com que o corpo do moreno fosse de encontro ao colchão, aproximou seu rosto do dele os deixando tão próximos que podia sentir a respiração pesada do alfa batendo contra a sua face, se aproximava cada vez mais e bem devagar, quase conseguia sentir os lábios do outro roçando aos seus.
— Pare com isso agora! — a feição extasiada do Choi se desmanchou e mudou para uma irritada de um segundo para o outro, fazendo com que o ômega se afastasse muito chateado.
— Droga! — reclamou — Eu estava quase conseguindo!
Taemin cruzou os braços muito irritado, mais consigo mesmo do que com Minho.
— Você perdeu o juízo? — mas Minho ainda não havia terminado sua bronca — Não pode usar seus feromônios para me deixar atraído a força, primeiro que isso é crime e segundo que é um golpe muito baixo e vulgar!
Havia planejado aquilo o dia todo para nada, deveria ter levado em consideração que não seria tão fácil assim, Minho era alguém acostumado a lidar com casos desse tipo e uma hora iria sacar que ele estava se fazendo apenas para o distrair. Um bico infantil demais se formou nos lábios do Lee, estava frustrado, fora um plano tão bem elaborado, queria saber onde foi o ponto em que errou.
— Estou carente e você não me ajuda em nada!
Minho revirou os olhos.
— Usa um vibrador, sei lá.
Agora era Taemin quem estava profundamente ofendido.
— Agora é você quem está sendo vulgar! — contrapôs erguendo-se da cama imediatamente — Um vibrador não pode substituir o seu p*u, Minho, nenhum p*u pode substituir o p*u da minha alma gêmea!
Minho já havia desistido de Taemin há muito tempo, mas iria desistir de novo bem naquele momento. A vida era mesmo muito c***l, como o destino poderia o obrigar a conviver com alguém que falava daquele jeito? Ele parecia não se importar com nada, se seria chocante ou não, aliás, Taemin parecia ser o exato tipo de pessoa que não estava nem aí para o que os outros iriam pensar. Causar uma má impressão justamente em alguém que estava querendo “conquistar”? Isso não parecia ser um problema para ele.
— Por que o seu vocabulário é tão baixo?
— p*u te ofende? Hum... Deixa eu corrigir então! — ele realmente fingiu estar pensando — Um vibrador não pode substituir o seu pênis, Minho, nenhum pênis pode substituir o pênis da minha alma gêmea!
Minho desistiu pela terceira vez. Achou melhor não tentar discutir e saiu do quarto deixando Taemin e sua língua afiada para lá.
Achou que cozinhar iria o distrair melhor, e isso certamente seria algo que o Lee não iria querer atrapalhar, especialmente porque o ômega queria almoçar em algum momento. Conseguiu ter paz por algumas horas, isso até a comida ficar pronta e o cheiro atrair um ômega faminto que apareceu por ali como quem não queria nada.
Taemin sentou-se à mesa já com seu prato e talheres, esperando ser servido como uma madame espera pelos empregados. Minho até pensou em o ignorar, mas sabia que não era muito seguro deixar que o Lee revirasse as panelas e saísse montando um prato de qualquer jeito, já conseguia imaginá-lo chorando e passando pasta de dente nos dedos queimados, por isso, serviu o prato do menor.
E estando longe dos olhares do mundo exterior, Taemin comia como se estivessem vivendo em 1219, num mundo onde talheres eram completamente dispensáveis e metade da população mundial ainda não estava familiarizada com eles.
— Deveria ter colocado um babador em você. — o alfa comentou em algum momento.
— Estou dentro de casa, posso muito bem pegar a carne com a mão e rasgar um pedaço com os dentes, é bem mais prático e rápido. — para ele fazia muito sentido — Por que não tenta? Que eu saiba advogados são obrigados a seguir as leis do país e não as de etiqueta.
— Eu vou etiquetar você e te vender em alguma feira livre.
Taemin deu de ombros, não era como se ele fosse mesmo conseguir fazer isso, era domingo, não tinha nenhuma feira livre acontecendo. Terminou de comer, mas o Choi ainda não havia terminado, então poderia ficar ali e quem saber tentar mais algum diálogo que os aproximasse de alguma forma, era difícil, mas precisava continuar persistindo se quisesse ter alguma coisa com aquele alfa m*l humorado.
— Por que você não gosta de mim? — insistiu na pergunta a qual já sabia a resposta.
— Pra começar você é um homem.
— Um homem ômega! — o corrigiu — Tão ômega quanto qualquer garota com quem já tenha ficado, tenho um útero para te dar bebês morenos e m*l humorados como você.
O Choi só queria que aquela conversa nem começasse.
— Você é um homem.
— E qual a diferença? — quando Taemin respirava fundo antes de começar a falar, era um sinal claro de que iria tagarelar muito — Estamos na Ásia, mulheres nem tem p****s aqui, eu sou pequeninho e meu traseiro lubrifica como qualquer v****a.
— E você tem um p*u.
— Um p*u pequeninho de ômega, é do tamanho de um dedo, você quer ver? — e ele ainda ficou de pé claramente com a intenção de subir a camisa, única peça que vestia, e mostrar o que ele tinha debaixo dela.
— Não, eu não quero ver! — Minho o interrompeu antes que um atentado ao pudor acontecesse dentro de sua casa, já havia perdido a paciência há muito tempo e estava quase atirando a si próprio pela janela — Ajude em alguma coisa e limpe a mesa, lave os pratos também.
[...]
Havia acabado de lavar a louça e agora se debruçava sobre o sofá querendo entender o que havia de interessante naquele filme chato e arrastado que Minho assistia na TV da sala, era tão velho e entediante e ainda por cima era em preto e branco, queria mudar de canal, mas ouvira um sonoro “Não” nas quatro primeiras vezes que tentou, e só estava ali há uns dez minutos.
Estava tão entediado que ouvir a campainha tocando era como o som de mil harpas tocando, seja lá quem fosse poderia bater um papo, ou quem sabe arrastar Minho para longe da TV para que ele pudesse mudar de canal. Mas quando atendeu, todas as suas expectativas foram esmagadas pelo salto alto e fino que aquela mulher de cabelos loiros usava.
— Ah, oi, o Minho está? — ela perguntou já olhando para dentro da casa, era mais alta e podia ver tudo sobre a cabeça do Lee.
— Não tá não.
— Mas eu tô vendo ele bem ali no sofá.
— Se ‘tava vendo por que perguntou? — não tentou ser m*l educado, aquilo havia saído de forma totalmente espontânea — Quem é você?
Mas ela não respondeu, havia desistido de ser educada no momento em que o ômega baixinho havia desistido também. Passou por ele já o ignorando por completo, ela era bem mais alta e bem mais forte, se o empurrasse ele já cairia longe.
Estava tão incomodado com a presença dela que não ouviu o que eles conversaram por aqueles cinco ou seis segundos, tudo o que sabia era que em algum momento ela havia o beijado e ver Minho beijar outra pessoa, mesmo que tenha sido apenas um selinho, era como se alguém tivesse enfiado uma faca em seu coração e ainda saísse puxando e rasgando todos os seus órgãos. Tudo o que conseguiu fazer foi sair correndo para dentro de algum quarto para que não precisasse ver mais nada.
Quando Taemin bateu a porta com força, Minho pareceu ter voltado a si.
— O que houve com o seu irmãozinho? — a mulher perguntou após o barulho estrondoso da porta batendo — Ele é ciumento ou algo do tipo?
— Ele não é meu irmãozinho, mas é muito ciumento. — se dera conta desse detalhe, mas não sabia se poderia classificar aquilo como apenas ciúmes, um incômodo estranho surgiu em seu peito, era tão r**m que chegava a doer, uma dor aguda que se espalhava por todo o corpo — Acho melhor você ir embora, me desculpe.
— Eu fiz alguma coisa errada?
— Não, eu que fiz, te explico tudo depois, mas por favor, é melhor você ir.
Ela claramente não estava entendendo nada, mas não queria discutir, acreditava ser algum problema ao qual não ajudaria em nada.
— Tudo bem, depois nós conversamos. — e então saiu, Minho agradeceu por aquilo não ter gerado uma discussão.
Precisava resolver as coisas com Taemin agora, e quando entrou no quarto esperou ser atingido por alguma coisa afiada e que pudesse facilmente lhe arrancar um pedaço de carne ou quem sabe a vida, mas isso não aconteceu. O Lee estava deitado na cama, encolhido e com a cara enfiada nos travesseiros com tanta força que fazia o alfa duvidar de que ele estivesse respirando.
Sentou ao seu lado com uma certa ânsia, não sabia o que dizer.
— Taemin. — chamou, mas não obteve resposta — Eu não sabia que ela iria fazer aquilo, eu deveria ter tentado impedir, mas não deu tempo, não tô querendo pedir desculpas, eu só não quero que fique m*l com isso, pode ficar com raiva de mim pelo tempo que quiser, mas não quero que se sinta m*l por minha causa.
O ômega se mexeu minimamente, pelo menos vivo ele estava.
— Como você está?
— Parece que meu coração tá rasgado. — o ômega respondeu depois de alguns segundos — Me sinto traído, mais do que quando meu ex-namorado me trocou por outro, é como se eu tivesse acabado de perder a pessoa mais importante do mundo, mesmo que essa pessoa não seja minha.
Minho também se sentia m*l, muito m*l na verdade, m*l por seu lobo o culpar por trair sua alma gêmea, e m*l por ter feito com que Taemin se sentisse assim. Mas que grande merda, precisava resolver isso logo!
Se abaixou e beijou a testa do ômega da maneira mais carinhosa que conseguia, e isso o fez se sentir bem também, aliás, muito bem, mas não admitiria isso em voz alta.
— Se sente melhor agora?
Taemin se virou e se ajeitou para conseguir colocar a cabeça sobre a perna do Choi, sorriu pequeno.
— Um pouco. — muito, mas diria ser apenas um pouco — Minho, não faz mais aquilo, não beije outras pessoas na minha frente.
— Isso não vai mais acontecer, eu prometo.