Desavergonhadamente Quente

2073 Palavras
Taemin ficou um nojo depois de ganhar uma cópia da chave. Ele agora exercia o seu direito de cidadão, aquele de ir e vir, e ele ia e vinha o tempo todo. A marca roxa se foi depois de um tempo, e o Lee ficou bem mais calmo depois de ganhar uma medida protetiva contra o seu ex-namorado, que agora seria preso se chegasse perto novamente. Mas o melhor veio depois, quando descobriu que a gravadora do mesmo cancelou o contrato após alguém — Minho — ter entrado em contato com ela e falado com ela a respeito do que aconteceu. Era aquele velho ditado, “O mundo não gira, ele capota”. — Por que está se maquiando? Não demorou para que Minho criasse seu próprio sistema de defesa, e quando Taemin estava se arrumando a noite, significava que ele iria fazer um escândalo para eles jantarem fora. Mas eles já tinham jantado, o que poderia significar que talvez o Lee quisesse ir a um desses restaurantes caros que servem comidas que as pessoas só experimentam e não alimentam ninguém. E nesses ele não iria de jeito nenhum. — Eu vou fazer uma live, e de lado e ainda tá um pouquinho roxo. — um roxo que só ele via — Baixa a guarda, Choi. O alfa revirou os olhos e seguiu seu caminho para o banheiro, a noite estava terrivelmente abafada e precisava enfiar a cabeça debaixo de uma água bem gelada caso quisesse não derreter. Taemin, por ser ômega, não sentia tanto calor quanto ele, então não estava nem suando. Sentia-a vitorioso quanto a isso. Taemin usava suas lives no i********: quase como uma terapia, ele falava sobre qualquer coisa que viesse a sua cabeça, e atualizava o mundo sobre sua tão interessante e agitada vida. Ou pelo menos, sobre a vida que ele gostaria de estar vivendo com Minho — mas que o alfa não colaborava em nada —, a realidade de morar com o Choi era a mesma de um casal que estava junto há 15 anos e brigava até por um pastel. A última fora por Taemin ter subido com os pés sujos na cama. — Não, ele está tomando banho. — estava falando de Minho, era seu assunto favorito — Isso, monopolizando o banheiro de novo, disse que está muito quente, mas eu me sinto normal, você que é alfa, faz tanto calor assim pra vocês? Ah, faz mesmo? O que era uma pena, Taemin estava achando que o Choi iria entrar no cio, mas era só o calor natural dos alfas mesmo. — E dorme feito uma pedra, às vezes eu acho que ele está morto, até checo se está respirando. — sua parte favorita era falar m*l. — Está falando m*l de mim? Toda a sua alegria de coxinha que fala m*l pelas costas foi pelo ralo quando Minho apareceu atrás dele, mais especificamente atrás do sofá onde estava sentado. Daquele ângulo a câmera só pegava do peito até a cintura, as partes exatas que mais chamavam atenção, especialmente por ele estar sem camisa. — Amor, as pessoas estão te vendo seminu. — era mais um ciúme próprio mesmo — Vai vestir uma camisa. — Agora já é tarde, devem ter tirado muitos prints. Taemin tentou tapar o corpo de Minho com uma das mãos, mas não adiantou de muita coisa, também não dava para empurrá-lo para fora do ângulo da câmera ou levantar dali, pois correria o risco de mostrar seu rosto por um segundo ou outro. — Sai daqui. — a única sair era o usar a forma verbal — É sério, vai se vestir. — Não seja tão ciumento. — o alfa segurou a mão que o Lee usava para tentar tapá-lo — Eles podem me olhar, mas só você pode tocar em mim. Ele mentia tão bem, advogado que chama, não é? — Não estou sendo ciumento. — e um bico muito infantil se formou em seus lábios — Você tirou todo o foco da minha live. — Mas a sua live não era pra falar de mim de qualquer forma? — Falar m*l e não sobre o quanto você é gostoso! — ele próprio se entregava, nem precisava de haver um interrogatório — Agora saia daqui, ainda não cheguei na parte em que você me obrigada a lavar as verduras antes de colocar na geladeira. Depois dessa informação desnecessária Taemin venceu. Mas Minho ficou na outra ponta do sofá, pronto para se intrometer caso o Lee passasse dos limites quanto as informações que ficava dando a respeito da vida deles. Em partes ele falava a verdade, muitas vezes agia como um velho de 70 anos ranzinza e com um disco arranhado que só falava a mesma coisa quase que o tempo todo “Não faça isso, não suje aquilo, abaixe o volume da TV, não sequestre os animais de estimação dos vizinhos”. Era engraçado. Olhar para Taemin falando todo animado era bom, assim conseguia ter certeza de que ele estava mesmo bem, que agora havia voltado a ser o mesmo Taemin de antes, o ômega chato que falava pelos cotovelos, mas que deixava seus dias bem mais animados e divertidos. É, havia se acostumado com a agitação do Lee, com suas manias e com seu linguajar não muito decente. Era bom viver com ele, tinha que admitir. — Obrigado. Ele havia terminado o que estava fazendo, Taemin agora o olhava meio sem jeito, com um sorriso amarelo e com um ar sem graça. Era sempre tão desbocado, mas sempre que Minho lhe dava qualquer demonstração de afeto ou cuidado ele ficava sem reação, quase como se seu cérebro ainda estivesse tentando o fazer acreditar que havia mesmo acontecido aquilo. — Não precisa agradecer, Taemin, já me acostumei com isso. — deu uma pausa, o encarou novamente — Só que eu não entendo tudo isso ainda, você gosta tanto assim de falar de mim? Viu quando Taemin ficou inquieto, o ômega se mexeu de um lado para o outro por alguns instantes, ficando em silêncio por tempo o suficiente para o outro saber que ele estava formulando alguma resposta que julgasse como sendo boa o suficiente para dar. Aquele assunto o incomodava muito, na verdade, chegava a tirar o sono algumas vezes. — É que falar de você me faz acreditar que estamos bem, assim eu não me sinto tão rejeitado. — e no fim, optou por falar a verdade — Pode ser fácil para você ignorar isso, Minho, mas para mim não é nada simples acordar todos os dias e saber que a minha Alma Gêmea nunca vai sentir por mim o que eu sinto por ela. Era estranho o olhar tão sério, era estranho ver Taemin falando com tanta amargura. Havia prometido que as coisas ficariam bem, mas aparentemente o “seu” bem não era o mesmo que bem que o Lee precisava. Minho era o único culpado de tudo, ele era o motivo das coisas terem chegado naquele ponto, o único que complicava as coisas. Taemin era o ser humano mais simples do mundo.  — Minho, eu não quero e nem posso ser só seu amigo, Almas Gêmeas não se completam assim, não se contentam com pouco. — ele ficou em silêncio, talvez surpreso consigo mesmo — Me diz, Minho, eu posso sustentar minhas esperanças de que algum dia você vai ficar comigo? Era como naqueles filmes, quando os dois protagonistas se encaram e a trila sonora fica muda. Ambos prendem a respiração e a próxima frase a ser dita é o que define tudo. Mas o que Minho iria dizer? Taemin estava machucado, bem mais do que ele achou que estivesse, e palavras naquele momento talvez não fossem mais suficientes para lhe dizer que tudo se acertaria um dia. Mas iria mesmo se acertar ou era só conversa fiada? — Taemin, eu quero me- — Não, deixa pra lá. — ele parecia muito frustrado — As coisas estavam se acertando, eu que estou querendo puxar o braço de quem já me deu a mão. Lee Taemin era o exato tipo de pessoa que nunca parava de falar, que desatar em um assunto era o mesmo que descer em alta velocidade numa ladeira dentro de um pneu, não tinha como impedir e nem fazer parar até que ele próprio o fizesse por conta própria. E foi que Choi Minho, já sem muita paciência, preferiu agir antes e falar depois. Fora uma grande surpresa para o Lee quando o mais alto o beijou, por alguns segundos sua mente congelou e ele esqueceu até de como se piscava os olhos. Demorou alguns segundos para corresponder, mas quando fez isso as coisas mudaram de estado. Foi ali que descobriu que ser beijado por sua Alma Gêmea — depois de muito tempo sendo rejeitado — era a melhor sensação do mundo, seu lobo estava tão feliz que sentia como se sua caixa torácica fosse arrebentar naquele exato momento. Estava tão afoito que apertou com força o tecido da calça do outro, certamente estragando aquela parte do tecido. E sim, estava tocando Christina Perri em sua cabeça, aquela parte do refrão que ela dizia que morreu todos os dias esperando por ele. — Taemin, o que eu quero dizer... Mas a melhor parte ainda estava por vir, quando Taemin pôs as duas mãos sobre a boca, o olhou com uma cara de desespero e simplesmente saiu correndo passando pela primeira porta que viu. E Minho ficou parado na sala no maior estilo meme do John Travolta.   A cena durou uns dez segundos, pois logo Taemin voltou com um sorriso amarelo na cara. — Desculpe, é que eu vi isso num dorama e achei que fosse combinar. — ele realmente disse isso como se fizesse todo o sentido do mundo e fosse completamente normal incluir uma cena de dorama em sua vida e justamente num momento daquele — É que eu fiquei nervoso. Mas o Choi baixou a guarda. Iria fazer o que? Ele era assim mesmo. — Tenho cada vez mais certeza de que você é uma alucinação que a minha cabeça criou depois que eu sofri um acidente e fiquei em coma. No fim Lee Taemin era só um garoto, que mesmo sendo um desbocado e aparentando não ter vergonha de nada, ficava nervoso e quase tinha um colapso quando as coisas realmente aconteciam. E agora ele olhava para Minho, se perguntando o que viria a seguir. Claro que as frases mais constrangedoras possíveis rondavam por sua cabeça e coçavam em sua língua loucas para serem libertas. Mas se conteve, se acalmou, era hora de falar sério e não fugir. — Isso foi um sim pras minhas esperanças? — ele questionou — Você me beijou para me dizer que eu posso continuar acreditando de que algum dia nós vamos ficar juntos de verdade? — Sim, essa foi a minha resposta. Ele ficou feliz, obvio que ficou, era o que queria e agora depois do choque e quase totalmente recuperado, Taemin conseguia sorrir daquele jeito que sempre fazia e montar sua expressão de vitória, pois afinal, ele havia ganho aquela batalha com muito custo, e se investisse mais um pouco iria ganhar a guerra também. Afinal, era como sua vó dizia “de grão em grão a galinha consegue um anel de noivado” ou alguma coisa parecida. Mas era o Lee Taemin ali, sua Alma Gêmea desbocada, o que automaticamente significava que a cena não iria acabar ali, com uma meia luz, uma trilha sonora romântica baixa e um monte de porta retratos de família em primeiro plano. A realidade vinha na frase seguinte: — Um dia eu vou sentar na sala com nossos filhos e dizer para eles que eles só estão no colegial ainda porque o pai deles demorou muito pra me comer, e isso atrasou o nascimento deles. E foi assim que ele estragou qualquer clima de paz ou romance que tenha se formado. Era rir para não chorar, esse sim era o ditado popular que mais combinava com aquela casa, era quase que um mantra na vida de Minho desde que Lee Taemin cruzou a porta de sua casa pela primeira vez meses atrás, no dia se seu aniversário. Suspirou, e repetiu em sua mente mais frase que a vida colocava na cabeça de todo mundo “Fé no Pai que a falta de vergonha de Taemin um dia sai”.
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