Episódio 7

1560 Palavras
— Vem cá, minha menina. Diz ele, abrindo os braços. — O vovô sentiu a sua falta. Eu sabia que você não estava feliz, então... inventei uma mentirinha para te trazer de volta. Embora eu me sinta confusa — e um pouco irritada — com a "mentirinha", me jogo nos seus braços, feliz por ele estar bem e por tudo ter sido só encenação. Choro incontrolavelmente por dez minutos. Amo meu pai, mas os abraços protetores do vovô são a melhor coisa do mundo. Ele me deixa desabafar em silêncio. E quando não há mais lágrimas para derramar, os nossos olhares se encontram e, com uma voz firme e determinada, ele declara: juro por tudo o que você mais ama que vou esmagá-los como baratas... Nunca perdoarei o m*al que fizeram a você. Dei a eles uma neta forte e determinada... e eles a devolveram triste e subjugada. — Calma, vovô. Só preciso de alguns dias para me recuperar… Garanto que o meu plano os deixará nas ruas… ou pior, na cadeia. — Essa é minha neta, minha herdeira! Exclama o meu avô, entusiasmado. Fico muito feliz em saber que ele está bem, que ainda sou a sua netinha e que ela não guarda rancor de mim. — Mas me diga, que planos você tem para se vingar daquela barata? Tirar o cargo de vice-diretor? — Não, vovô. Respondo com firmeza. — O meu plano é tão friamente calculado que chega a ser assustador. Mas será lento, passo a passo. Vou vê-lo se humilhando, implorando por um pouco de misericórdia. A partir da semana que vem, assumirei a direção do grupo, como papai tantas vezes quis. Preciso vê-lo subserviente, trabalhando para mim. Quero que ele entenda tudo o que perdeu ao me deixar de lado. — Estou tão orgulhoso de você. Você parece um verdadeiro Ferragutti. O meu único arrependimento é que você sempre quis ser designer, não diretora do grupo. — Vai ser só por um tempo, vovô. Quando a minha vingança acabar, poderei me reinventar. Serei uma nova Zafira. — Então a cerimônia de promoção dele continua. — Sim, vovô. Agora mais do que nunca. Declaro, determinada. ***** Os dias voaram. Entre idas e vindas, colocando os negócios em dia, descobrindo que um dos meus irmãos está noivo, prestes a se casar e outros assuntos familiares. Foram dias intensos, mas voltar ao meu círculo me acalmou e me ajudou a controlar a ansiedade. A única coisa que não se dissipou foi meu ódio pelos Torres. O plano continua vivo como sempre. Durante esse tempo, Mateus continuou tentando entrar em contato comigo, mas acabei bloqueando-o. Primeiro, apaguei o contato dele — eu o tinha salvo como "meu amor" — e depois o bloqueei. Só de ver o número dele na tela, o meu estômago embrulhou. Também recebi ligações insistentes de um número desconhecido. Não atendi. Tenho certeza de que não é importante. Poucas pessoas têm esse número, e a maioria pertence ao círculo do Mateus. Quero cortar todos os laços com essas pessoas: amigos, família, tudo. Não quero que nada na minha vida me lembre que fui casada com aquela barata. Depois de tantos dias, o meu plano finalmente começa hoje. Hoje à noite é a festa da sua promoção. Há alguns dias, Mateus foi informado de que a cerimônia seria adiada porque a nova diretora estaria presente: a herdeira. Aquela que todos conhecem apenas pelo nome, mas ninguém viu. Disseram a ele que ela estava em viagem de negócios e que deveriam esperar o seu retorno. E hoje é esse dia. O dia em que a minha vingança começa. O dia em que verei Mateus Torres se humilhar por mim. Que prazer será vê-lo derrotado, mesmo que este seja apenas o primeiro passo. Faltam apenas algumas horas para a cerimônia. Como sempre, Edgard já está na mansão me ajudando com a minha imagem. — Use este vestido, Zafira. Eu o desenhei especialmente para esta noite. Você vai ficar uma rainha, e essas baratas não vão acreditar. Ele me diz, me entregando uma caixa de presente. Abro e encontro o vestido vermelho mais incrível que já vi. Edgard é, sem dúvida, o melhor estilista do país, e só o grupo Ferragutti pode pagar por ele. — Meu Deus... Edgard, este vestido é deslumbrante. Vou até o espelho e o experimento. — É um vermelho perfeito, ideal para o meu cabelo e tom de pele. Você é um gênio. Exclamo animadamente, abraçando-o. — Aos poucos, estou vendo a minha antiga Zafira novamente, com algumas mudanças, sim... mas para melhor. — Vou me trocar no provador. Fique aqui. Quem imaginaria que uma mulher como eu, que por três anos foi criada do marido e da família, acabaria tendo tantos luxos? Só de entrar no meu provador qualquer um ficaria sem fôlego. Devo ter mais de cem pares de sapatos exclusivos, de grife, em edição limitada, de todas as cores e estilos. Bolsas das melhores marcas, enviadas como brindes promocionais. Gavetas cheias de joias de todos os quilates: diamantes, ouro, prata... Peças requintadas e delicadas, dignas de uma rainha. E são todas minhas. Sempre fui uma rainha, mimada e adorada por todos. Não sei quando me ocorreu olhar para Mateus Torres, quando até um príncipe queria se casar comigo. Mas as mulheres são to*las, sensíveis... fazemos qualquer coisa por amor. Hoje, porém, vou mostrar a elas que aquela mulher fraca e apaixonada está morta. E não há como voltar atrás. Até ver Mateus Torres aos meus pés, implorando por meu perdão, não vou parar. Depois de vestir aquele incrível vestido de renda vermelha, com um delicado decote coração, ajustado ao corpo e bordado com pequenas pedras preciosas, olho-me no espelho. Ele realça a minha figura voluptuosa, e sei que estou espetacular. Meus estilistas, os mais renomados do país e vinculados a contratos de confidencialidade que os impedem de revelar a minha identidade, cuidaram da minha maquiagem e cabelo. Eles prenderam o meu cabelo num coque elegante, deixando ondas suaves nas laterais. Em seguida, colocaram uma gargantilha de diamantes brancos e brincos combinando. Dou-me uma última olhada antes de sair do quarto. Desço para o carro. Meu irmão Carlos e Edgard estão me esperando lá. Devo admitir: estou incrível. Nunca fui magra, mas meu corpo sempre despertou admiração. Tenho as curvas certas para enlouquecer qualquer homem... assim como Mateus um dia teve. Apesar de me sentir mais forte do que nunca, o meu nervosismo está me dominando. É contraditório, eu sei, mas minha ansiedade é algo que não consigo controlar. Estou desesperada para ver a cara da família Torres quando descobrirem quem eu realmente sou. Quando descobrirem que agora estão trabalhando para a mesma mulher que subestimaram, que acreditavam ser uma simples dona de casa sem educação. Este dia não marcará apenas a ascensão das suas carreiras. Também selará o seu destino. Hoje anunciarei o meu retorno, minha verdadeira identidade e meu cargo como diretora do Grupo Ferragutti. Estou tão nervosa que não comi nada. O meu estômago está revirando e a náusea ameaça. Mas preciso me manter firme. É só estresse, continuo dizendo a mim mesma. Então sinto a mão quente de Carlos na minha, me dando força. — Relaxa, Zafira... Você sabe que tem o nosso apoio incondicional. Esta noite será gloriosa. Você vai defender o nome Ferragutti. Ele me diz, com aquela certeza que sempre me transmite. E mesmo que seja só um pouco, a suas palavras conseguem me acalmar. Atravessamos metade da cidade para chegar a um dos hotéis mais luxuosos do grupo, onde a festa será realizada. Tudo está decorado com requintada elegância. Será uma das melhores noites da minha vida, posso sentir isso. Estamos prestes a sair do carro quando o telefone de Carlos toca. Ele atende rapidamente e, após alguns segundos de conversa, desliga e me olha com uma expressão triste. — Zafira, me desculpe. O pneu do carro do vovô furou. Preciso ir buscá-lo. — Relaxa, Carlos. Estou com o Edgard. Não estou sozinha. — Está tudo bem. Ricardo e Armando já estão lá dentro. Se acontecer alguma coisa, vá até eles. — Não se preocupe comigo. Vou ficar bem. — Você é minha irmãzinha. Sempre me preocuparei com você. Diz ele, me beijando na bochecha antes de sair. Edgard e eu saímos do carro. Observo-o e sorrio. — Esqueci de te dizer como você está lindo. Digo, ajeitando delicadamente a sua gravata. — Se não encontrar um pretendente esta noite, será porque os homens são cegos. — Deus te ouça, Zafira. Estou cansado de ficar sozinha. Mas eles não serão os únicos que vão se arrepender... Aquela maldita família também. Principalmente Mateus Torres, quando vir a mulher incrível e majestosa que deixou ir. — Eu te amo. Confesso com ternura. — E eu te amo. Ele responde, gentilmente me oferecendo o braço. Caminhamos juntos em direção à entrada do hotel, onde dois seguranças pedem convites. A festa é extremamente exclusiva. Apenas alguns têm o privilégio de comparecer. Aproximamo-nos e cumprimentamos, mas um dos seguranças nos impede com um gesto. — Desculpe, senhorita. Não pode entrar. — Precisamos que se identifique e nos mostre o cartão de convite. Abro a minha bolsa Gucci e começo a procurar. O meu coração dispara: entre o nervosismo e a ansiedade, eu tinha me esquecido completamente dos convites. Meu Deus... Como entro agora sem revelar a minha verdadeira identidade?
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