Capítulo 9

2238 Palavras
Com a minha mente cheia, os meus pesadelos ficaram mais frequentes e por dois dias inteiros, me tranco no quarto, sem deixar ninguém entrar e sem querer ver ninguém, mesmo que Rose, Ella e Jenny tentem me fazer sair ou pelo menos que eu as deixe entrar, eu não o faço, não quero arriscar me descontrolar. No terceiro dia, quando penso em sair, ao abrir a minha porta, dou de cara com Fada Madrinha, com a mão levantada em punho, prestes a bater. Ela fica tão surpresa quanto eu, mas logo se recupera e abre um sorriso, perguntando se pode entrar. - Nossa, sempre deixamos os alunos decorarem o quarto como querem, mas é a primeira vez que vejo um com mudança climática. E olha que o quarto de algumas semifadas parecem que a primavera explodiu no lugar. – Com um movimento, Fada Madrinha é envolvida em uma calça e botas de inverno e um casacão quente com um capuz com pelinhos. – Pronto, bem melhor! - O quer Fada Madrinha? – Pergunto de forma fraca, porque já que não sai do quarto e nem abria porta para minhas amigas, também não comi. - Querida, você faltou dois dias de aulas, não apareceu no refeitório ou no salão, e pelo que fui informada, não saiu desse quarto! – Me sento na beira da cama, porque sinto que posso cair a qualquer momento, e veja a senhora se aproximar devagar. – Quer me dizer o que está acontecendo? Fada Madrinha me observa com atenção a uma distância segura o bastante para que eu me sinta a vontade e agradeço mentalmente por isso, mesmo que ela não saiba o que se passa comigo. - Não queria que... – Paro a explicação por não saber exatamente o que dizer. – Tenho tido pesadelos. Minha cabeça fica cheia e pesada de vez em quando e isso me faz ficar vulnerável. Além de não gostar que me vejam assim... - Com suas barreiras abaixadas? – A mulher fofa, completa a frase não dita por mim, o que me faz revirar os olhos, mas ainda assim, concordar. – O que mais te aflige? Penso uma, duas, três vezes. Fico tanto tempo sem responder que a vejo até trocando o apoio das pernas de novo e de novo, me dando espaço para querer falar. - Não quero me descontrolar. – Não é toda a verdade, mas é parte dela. Levanto o olhar para os olhos cor de mel parecidos demais com o que se escurece nos meus sonhos, e me encolho ainda mais, mesmo não sentido frio. - Não é do frio que está falando, é? – A fada parece saber muito mais do que deixa passar, deixo aquilo de lado e n**o. – Mas você ia sair, certo? Acha que está sob controle de novo? Deixo o meu olhar vagar pelo quarto congelado por um momento, antes de olhar para a fada com olhos preocupados e compreensivos de novo, vendo que ela percorre o meu corpo por um momento, parando nos meus braços. Estou com uma das poucas blusas de manga cumprida que tenho, calça jeans e o principal, luvas, que mesmo não dando para ver, vão até o meu antebraço. - Não posso ficar muito fraca. Não acho que vou me descontrolar, mas prefiro não arriscar. – A fada assente e dá um passo para perto de mim, e esticando a mão, em direção para ao meu cabelo, mas me encolho, o que a faz parar. - Não vai me machucar, Cristal. – A mulher me garante, e corta o espaço entre nós, começando um carinho em meus cabelos. – Viu? Acredite mais em você, ok? Você é forte! Ela me acompanha até o salão, onde não tem mais quase ninguém já que passa das oito e meia da noite, fada madrinha só me diz mais uma vez para ser forte e para voltar as aulas. Enquanto como, fico passando alguns fatos pela minha cabeça e o que mais eu penso é ela me mandando ser forte. Esse é exatamente o problema. Sou forte até demais e isso é um problema que não sei até quando consigo controlar. ******************************************************************************************** Fico mais confiante ao passar do final de semana, e mesmo pedindo para que as meninas não me toquem muito, sei que meu controle já está normal e minhas defesas sobem de novo, mas isso é o de menos. Quando vejo a pessoa de cabelos roxos e um lindo rosto, que no momento está quase soltando fumaça pelo nariz de raiva, vindo em minha direção, me preparo para um embate mais forte. - Você! – Taehyung está exalando poder e mesmo que pareça estar tentando se controlar, seus olhos castanhos piscam em verde brilhante, o que faz todos do corredor se afastarem para sair de seu caminho. Ao chegar perto de mim, que estou parada no meio do caminho com tranquilidade e um sorriso debochado, ele parece quente. Literalmente falando, ele está exalando calor. – Por quê?! Por que você tem que ser essa v***a de coração gelado e fazer todos ao seu redor sofram ou chorem? - Oi para você também, Taehyung. - Corta a babaquice, Cristal! Você realmente não tem sentimentos ou só gosta de causar o m*l por onde passa? – Reviro os olhos ajeitando a bolsa lateral no meu ombro, mas fico muito surpresa ao receber um empurrão. – Você sente prazer em magoar os outros que estão tentando se aproximar de você? Minha surpresa pela pseudo-agressão de Taehyung, em conjunto da acusação, só dura por um momento, e sinto as nuvens do lado de fora se formando em um céu que estava totalmente azul segundos atrás. E quando os olhos dele piscam pela última vez, se mantendo no verde ameaçador, eu mudo os meus e me preparo realmente para qualquer coisa que seja. - Suas acusações são tão repetitivas, Taehyung! Por que não arruma novas? - Quer novas? Ótimo! – Ele dá passos para trás e a essa altura uma roda se formou a nossa volta. – Pare de magoar meu amigo que só quer ser legal com você. Fique longe de nós com essas suas mãos amaldiçoadas. Recuo alguns passos pelas palavras que me são dirigidas. Ele não tem como saber o quanto aquilo me afetou, mesmo assim, não deveria falar assim de ninguém e isso definitivamente me irrita. Só que sei que não posso dar o primeiro passo para descontar minha raiva e quero mais que ele se dê m*l e o plano está começando a ser montado na minha cabeça. Taehyung parece que já falou tudo o que queria, mas não vou deixa-lo se livrar assim tão simples, então falo: - Ele sabe? – É o bastante para que ele pare, mas ainda está de costas, então continuo. – Acha que ele vai olhar um dia para você como olha para mim ou para o Jungkook? – Dou uma risada e me preparo, porque na mão dele um fogo verde começa a aparecer. – Para mim é uma vergonha que você seja tão covarde quanto ele e ainda queira culpar outras pessoas que não tem nada a ver com... Nem termino de falar e sou acertada em cheio com uma bola de energia verde. O escudo que montei para mim, só me protege do impacto, mas a força é tanta que faz meu corpo voar para trás e atravessar uma janela, parando no jardim ao lado e assustando todos. Minha risada sai mais alta e me afasto enquanto me levanto, vendo que Taehyung mesmo com um olhar surpreso, pula a janela também. - Cristal, eu... – Ele parece arrependido, mas não o deixo terminar e o frio me roda assim que começa a nevar. - Isso é tudo o que Jimin vale? Uma bolinha de energia? – Provoco o vendo fechar o semblante e vejo suas mãos se fecharem com um brilho as rodando. Invoco um estalactite grande e pontudo na mão e sorrio. – Talvez ele não seja tão importante assim para você quando eu sou para ele. Aquele patético sorridente. Lanço o gelo em sua direção, no mesmo momento que ele lança outra bola de energia. Nós dois desviamos e sem mais esperar, preciso levantar um escudo de neve para me defender de mais duas bolas grandes, que faz o gelo quebrar, mas aproveito e mando os cacos para ele, que com um girar de mãos os faz derreter no ar, mas é acertado por alguns que rasgam a manga de sua blusa e um faz um corte em seu rosto. Ouço meu nome ao longe, e por um momento me viro na direção da voz de Rose, preciso girar e rolar pela grama para mais perto da floresta ao receber vários ataques, mas vejo a surpresa e a preocupação no rosto fofo da minha amiga, que depois que a mando se afastar, dá um pulinho rodado e sai correndo dizendo que ia chamar ajuda. - Traiçoeiro Tae! – Digo ao me levantar para desviar das duas adagas que ele tirou do cinto. – Aproveitando minha distração para me atacar. – Com um esticar de braços, formo uma espada longa, com o gelo mais grosso e o cristalizo, bem a tempo de interceptar um ataque direto. – O que o seu amigo certinho diria se te visse todo vilão para cima de mim? - Para de falar dele como se o conhecesse! Como se ele não importasse. – Depois de ataques e defesas de ambos os lados, minha espada é quebrada e as adagas dele estão caídas longe, ele se afasta alguns passos. – Você é alguém baixa e sem coração. Não me surpreende que sua mãe te mandou para longe. O sorriso que mantinha em meu rosto se apaga e odeio que ele saiba exatamente as palavras que podem me atingir mais. E dessa vez é ele quem ri. - Fala de mim, mas para ser sincera Taehyung – Piso forte no chão, congelando tudo ao meu redor e prendendo os pés dele que sem esperar, se desequilibra. – é muito mais c***l do que eu. Tudo o que você fala é para atingir os pontos mais fracos e dolorosos. - Como se você não fizesse o mesmo. – Ele ergue um barreira quando vemos Rose voltar com Jungkook, Namjoon e Jimin. Todos gritam nossos nomes, mas ele só foca em mim. - Não! Eu afasto as pessoas por um motivo. Não dou esperanças a ninguém e nem mantenho um papel de boa moça. Tudo que sai da minha boca é o esperado por todos, diferente de você. – Inclino a cabeça para o lado, vendo que ele ainda luta com o gelo e formo mais duas lanças curtas de gelo. – É só um vilão na pele de mocinho. Ele consegue desviar de uma lança e interceptar outra, mas seus olhos agora estão parecendo conter ódio liquido. Eu avanço, mas Taehyung respira fundo e quando solta o ar, vem em forma de fogo. Meu escudo de gelo grosso derrete em parte, mas fico só com um pequeno queimado no braço, o que não posso dizer o mesmo de tudo em volta. A grama que estava congelada, desapareceu, e duas das três arvores que tinha a nossa volta estão queimando. Mas não tenho tempo de nada, quando ele volta a lançar bolas de energia. Minhas defesas são boas, mas tenho que ser rápida para atacar, o que não deixa muito tempo para me concentrar. - Devia ir embora! – Ele grita com a respiração falhada, porque assim como eu, usar muita magia nos esgota. - Para ilha dos vilões? – Provoco com um sorriso, e pelo canto do olho consigo ver as duas figuras que se aproximam rápido e meu sorriso aumenta, já pensando que sei o que fazer, mas me preparando psicológica e fisicamente, por que vai doer. Voltando minha atenção para ele lanço duas bolas de gelo em sua direção, uma atinge seu ombro e a outra ele derrete. – Depois de você. Meu sussurro é o bastante para só ele ouvir. Sei que tem uma bagunça acontecendo ao redor, mas assim que vejo m*l começar a lançar um feitiço para quebrar as barreiras, Taehyung se recupera da pancada e junta energia em suas mãos. O grito de todos não o para e ele lança a maior bola de energia até então. Ergo um escudo, bem mais fino do que deveria, e sei disso. A bola quebra o escudo que espatifa e mesmo que menor, a energia passa e me atinge forte demais bem no estomago, me fazendo voar para trás com o impacto e acertar com tanta força a arvore às minhas costas que minha visão escurece e sinto o frio recuar de uma vez, fazendo a nuvem que estava a nossa cabeça desfazer em uma chuva curta e forte. Estou caída para a frente, e só escuto vozes gritando. Dois pares de mãos suaves me viram devagar e demoro um pouco a focar. A face vermelha e molhada de Rose, chora baixinho, mas meu foco vai para Jimin que me olha com preocupação. Seus lábios grossos se mexem, mas minha cabeça dói demais e não consigo entender ou falar. Minha última visão, é das costas de Jungkook e Namjoon, que parecem se manter na minha frente como p******o e do rosto aterrorizado de Taehyung para mim, que mesmo com fada madrinha e m*l brigando com ele, ainda me fita.
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