Capítulo 10

1660 Palavras
“Estou correndo e rindo por uma floresta, que está congelada pelo inverno. Adoro aquela estação, é minha preferida. Tenho amigos ao meu redor, brincando e rindo junto comigo, mas assim que passo por uma árvore, o clima muda de repente e me vejo sozinha. Não tem mais claridade, e a escuridão é arrepiante. Me viro, tentando voltar de onde vim e para perto dos meus amigos, mas não consigo mais encontrar nada. Enquanto ando, tentando sair daquela escuridão sufocante, os meus pensamentos todos vão para o quanto eu odeio ficar sozinha. O escuro em conjunto com o frio não me incomoda tanto, mas o calafrio que sinto e o fato de estar sozinha me aterrorizam que começo a me desesperar e a correr, sem rumo, com esperança de chegar em algum lugar aberto ou encontrar alguém que possa me fazer companhia. Tropeço por galhos caídos, pedras e raiz de árvore levantadas. Estou cansada, com medo e os meus olhos já ardem pelas lágrimas que derramei sem parar. Quando caio pela última vez e demoro a me levantar, finalmente vejo que cheguei em uma clareira. O céu ainda está fechado, mas a luz da lua parece forte o bastante, para mesmo escondida, estar iluminando o lugar. Mesmo que seja um lugar estranho, um buraco e uma cama quebrada e só em madeira, no meio do local, me deixa curiosa. Quando ouço uma voz, mesmo receosa de avançar, dou passo atrás de passo, chegando mais perto, do que parece uma pessoa me chamando. Ao chegar perto da cama, a voz parece vir do buraco e mesmo que eu não queira chegar mais perto, tudo ao meu redor parece escurecer de repente. Uma areia n***a roda pelo lugar e impede a passagem de luz da lua e não consigo mais fugir para as arvores. Odeio tudo aquilo e tento me manter em pé, quando um vento, forte demais parece me empurrar para o buraco n***o. Tento resistir, mas é impossível. É mais forte que eu e quando caio, me seguro na beirada, a voz parece vir de cima agora. A pele cinza, o sorriso grande com dentes muito brancos e meio pontudos, o cabelo preto, mas os olhos... aqueles olhos me paralisam. Olhos negros como a noite, frios como um pedaço de gelo e foscos, sem vida. - Está chegando a hora, minha querida. – A voz estridente, me causa tanto m*l-estar que acabo soltando uma mão. Ele continua a sorrir e sei que não vai me ajudar. – Me aguarde, sim? Perco as forças e caio. O buraco me engole e a escuridão simplesmente me abraça.” **************************************************************************************************** O azul com pequenos brilhos que piscam, me deixa confusa por um momento. O céu está perto demais. Depois de piscar algumas vezes e tentar lembrar do que aconteceu, percebo que estou fitando o teto. O pesadelo volta para mim em segundos, e não consigo me mexer. Estou paralisada de medo e odeio as lágrimas que derramo, porque sinto presenças no quarto e sei que não estou controlada o bastante. - Fada Madrinha? Acho que ela acordou! – A voz é de Jenny e quero passar a mensagem para que ninguém me toque, mas não consigo me mexer. Quase consigo sentir o calor de um corpo, ficando mais próximo e meu desespero me atinge tão forte quanto uma bola de energia. – Está chorando, amiga? Como último recurso, consigo expandir o gelo de todas as partes de meu corpo, o que por um momento, faz com que ela recue assustada. Fecho meus olhos com força, tentando controlar o que está querendo sair. O cheiro de rosas está próximo e ouço a voz de Rose ao longe, junto com mais algumas pessoas. Os passos apressados chegando mais perto me desesperam, mas antes que algo possa acontecer, um escudo azul claro translucido se ergue ao redor da cama que eu estou, e não controlo o choro que deixo sair. - Ela... me deixe passar! – Rose bate no que a impede de chegar até mim. – Por favor! Não ouço a resposta, porque estou tentando fazer com que meu corpo reaja e pare de sentir o pânico do pesadelo. Alguém parece passar a barreira, e se aproxima, o que me faz ficar angustiada de novo e Fada Madrinha aparece no meu campo de visão, com a feição preocupada. Meus olhos tentam passar uma mensagem que minha boca não consegue, e ela parece confusa. - Qual o problema, querida? – A mão dela na minha direção faz o meu corpo finalmente reagir. As dores que sinto, quando rolo para o lado e caio do chão, me afastando e me encolhendo no canto daquela redoma protetora, não são o bastante para me fazer parar. - Fique longe de mim! – Minha voz está rouca e minha garganta seca, mas vendo que a mulher tenta se aproximar de novo, estico minhas mãos para frente. – NÃO ENCOSTA EM MIM! FICA LONGE! – Meu grito a faz parar e parece finalmente analisar a situação. As pontas dos meus dedos estão cinza, não preciso me olhar no espelho para saber que meus olhos não estão castanhos e nem brancos, estão negros, o que é incomum. Até o cabelo que cai no meu rosto quando abraço minhas pernas, está preto e o gelo que geralmente sinto correndo pelas minhas veias, parece quente. Odeio aquela sensação, o sentimento de me quebrar e ficar vulnerável assim. – Por favor. Sei que ela me ouviu e odeio o que vejo nos olhos dela. Compreensão, compaixão, pena. Fada Madrinha, só se vira, e passa a barreira. Ouço quando ela pede que todos saiam do quarto, que eu preciso ficar sozinha um pouco e mesmo que reclamações surjam, muito mais do que eu esperava, sei que todos já foram, quando sinto o escudo baixar. - Consegue se levantar sozinha? – A voz doce da fada, me faz respirar fundo. Me levanto devagar, sentindo algumas dores, principalmente nas costas no lado direito e na cabeça. Quando estou deitada de novo, ela se aproxima, o que faz meu corpo tensionar, mas ele se adianta. – Não vou tocar em você, querida. Relaxe, sim? – Ela coloca um copo de água e um remédio na cabeceira ao meu lado. – Eu coloquei seu ombro no lugar e remendei sua costela, mas infelizmente, não consigo te curar por completo, então as dores ainda vão ficar por um tempinho. É só você tomar esses remédios, que vai ficar novinha em folha de novo, ok? Não respondo, o que não parece a surpreender, mas pego o copo e tomo o remédio, a vendo usar magia para encher o copo de novo, quando termino a água toda em longos goles. A escuto dizer que estou em um dos quartos da enfermaria, no bloco D e que fiquei desacordada por um dia inteiro. A queimadura no meu braço está com ataduras e quando me vê olhando para minhas mãos, sinto que ela quer perguntar, mas não estou pronta para dizer. - Como está o Taehyung? – Minha pergunta, que era mais para mudar de assunto a deixa surpresa. Dou de ombro, como o que não está dolorido. – Ele pareceu assustado quando me acertou para valer. A Fada Madrinha, se senta, olha pela janela atrás de mim e suspira alto, o que me faz acreditar que ela não vai me responder, mas ela só abre um sorriso pequeno e triste ao me fitar de novo. - Está no castigo. – Ergo uma sobrancelha, o que a faz rir. – É diferente. Temos uma sala encantada, que faz com que todos que passem pela porta, percam a aura mágica, assim como, os poderes. - Não sabia que isso existia, além da barreira entre os mundos. – Minha cabeça parece funcionar a mil, com algumas expectativas, mas começa a doer e só deixo para pensar nisso depois. – Ele disse o que aconteceu? - Disse que vocês se desentenderam e as provocações que geralmente trocam, saíram de controle. – Assinto devagar e mordo o lábio, pensando se o nosso real “desentendimento” sabe realmente sobre o que aconteceu, mas Fada Madrinha se adianta e se ajeita na cadeira, como se estivesse desconfortável. – Eu realmente quero acreditar que não tem nada a ver com o fato de meu filho ter passado três dias no quarto chorando e que tenha ficado os dias cabisbaixo, sabe? Só que eu tenho uma ótima percepção dos arredores. - Não fiz nada com Jimin. – Diretamente. Vejo a fada semicerrar os olhos e balançar a cabeça para os lados. - Não posso me envolver no que não fui chamada, e meu filho sabe o que faz. Mesmo que não entenda direito o que está acontecendo entre vocês três, acho que deveriam conversar para se resolver, e não se atacarem, quebrarem janelas, tacar fogo nas arvores inocentes e arruinar uma boa parte do jardim. – Ela dá um sorriso que eu tento retribuir e se levanta com um pulinho. – Preciso ir. Vou dizer para seus amigos que você está bem, mas que não pode receber visitas. - Rose não vai gostar disso. – Digo baixinho e a vejo sorrir. - Vou trancar a porta com magia, e só você vai poder entrar e sair se quiser, ok? Mas fique aqui até ficar completamente recuperada, vou pedir para alguém trazer suas refeições. – Assinto e a agradeço, já pensando em tentar dormir mais um pouco, mesmo que o pesadelo ainda esteja vivo em minha memória. Quando estou deitada, a fada começa a fechar a porta, mas para e se vira para mim. – Sabe, para quem não queria estar aqui, não se importava com nada, nem ninguém, você fez ótimos amigos, não é?! Reviro os olhos e me viro de costas para porta, ouvindo a risada dela e a tranca logo em seguida. O que mais me irrita, é que ela está certa e nem consigo fazer nada para negar isso.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR