Sam
Houve dois estágios de emoções quando eu me lembrei que hoje eu teria uma encontro com Nathan.
A primeira delas foi a incredulidade. Eu estava com tanto sono que tudo poderia ter sido um sonho. Mas então, ele me mandou uma mensagem, confirmando onde nos encontrariamos. Aí, a ficha caiu.
Eu ia ter um encontro com Nathan. Um ENCONTRO!
Tem noção de como isso é um absurdo? Não pode ser real.
Então, eis o segundo estágio. A euforia.
— É só um encontro, Sammy, relaxa. — Disse Anna, tentando me tranquilizar.
— Não é só um encontro, Anna, você sabe que não é.
Sinto como se estivesse morrendo por dentro. A ansiedade é um péssimo sentimento e tenho certeza que ela estava dentro da caixa de Pandora.
Anna ri de mim.
— Aí, maninha. Você é tão exagerada. Vocês vão conversar, vão jogar algum jogo, vão rir feito dois bobões e aí, vai haver duas opções.
Faço uma careta diante dessa suposição.
— Que opções?
— Quando ele vir te deixar em casa, se ele disser "vamos marcar outro, eu me divertir muito" ou "Obrigada pela tarde, até mais".
— O quê que tem isso?
— Vocês é anta, Sammy?
Ela diz isso como se eu de fato fosse. Mas, em minha defesa, eu estou tão nervosa que eu não consigo me lembrar de respirar.
— Se ele quiser sair com você de novo, significa que ele tem interesse. Mas se não, talvez ele só te veja como amiga.
Ahhh,m***a. Anna, você é a anta, porque isso, essa conversa antes da escola, me deixou pior.
Parecia que eu ia vomitar a qualquer momento. Eu sentia minhas entranhas se contorcendo e o mundo parece rápido demais.
Na viagem até a escola eu tentei me concentrar no meu iPod e nas músicas em minha playlist, mas quando saltamos do carro, quando eu o vi do outro lado do campos, mexendo no celular. Eu senti como se meu coração fosse explodir.
— Tenha calma, Sammy. As coisas são mais fáceis do que você pensa agora.
Pode ser que sejam. Pode ser que eu esteja dramatizando demais. Mas poxa, é o Nathan e eu sonho com isso desde o fundamental!
Andei ao lado de Anna e tentei a todo custo parecer natural, mas não posso dizer que funcionou. Ele olhou na minha direção quando Anna entrou na porta giratória da entrada do colégio e como se eu fosse um surpresa bem vinda no caminho dele, ele sorriu e acenou para mim.
Puta m***a.
Puta m***a.
Eu tô sonhando. Só pode ser isso.
Nathan guardou o celular no bolso e veio em minha direção. Aquele sorriso tão incomum nós lábios dele ainda estão lá.
— Oi, Sammy.
— Oi. — Ah, obrigada. Pelo menos eu consigo falar, mas é impossível parar de sorrir.
Para Sam! Você está parecendo o Koringa sorrindo assim. Se controla garota.
— Literatura?
— Sim.
— Me da a sua mochila.
Nathan tirou a minha mochila das costas e seguiu para dentro da escola, passando pela porta giratória. Eu o segui para dentro e me mantive ao lado dele durante o percurso até a sala. Eu tenho plena ciência de que estou vermelha como um tomate, mas quem liga?
Eu tô vivendo um sonho.
— Então, eu consegui fazer meu pai concordar em usar outro segurança que não fosse Carlos hoje. Achei que seria mais... agradável. — Ele explica e eu consigo ver sua chateação com o assunto.
— Carlos era aquele com a cicatriz no rosto, não é? O que pediu o meu documento.
— Ele mesmo.
— Ele tem cara de ser bem irritante...
— Ele é insuportável isso sim. Meu pai, como você já deve ter percebido, é um maníaco pela nossa segurança. Ele tem os motivos dele, é claro. Mas Carlos torna isso um tipo tortura para mim.
— Ele não pode fazer isso. Ele é um funcionário do seu pai, você só precisa falar isso pra ele.
— Aí é que tá, meu pai mora na Itália. Ele vem para cá de vez em quando e mesmo que eu ligue para ele, Carlos sempre diz que "quando mais segurança melhor".
— Ou seja, ele alimenta a obsessão do seu pai.
— Exatamente.
— Eu me sinto m*l por você. Isso é errado.
— Eu sei, mas, o que eu posso fazer?
Nathan fica abatido, e por mais que ele esteja com um sorrisinho nós lábios, sei o que eu vejo em seus olhos. Meu coração se aperta no peito de um jeito horroroso. Eu me sinto m*l por eles de verdade. Parece que essa injustiça está acontecendo comigo.
Um cochicho alto demais me faz desviar a atenção de Nathan para um garoto fofocando com a amiga.
— Ela tá andando com o esquisito? — O cochicho foi alto demais.
Só agora, olhando em nossa volta, percebo que os olhos dos alunos da St. Andreas estão todos em nós.
Somos a fofoca da estação.
Olho para Nathan como reação. Eu sei que ele odeia chamar atenção e deve estar sendo uma situação irritante para ele.
— Nathan?
Ele olha para mim de soslaio.
Ofereço um sorriso a ele.
— Qual milkshake você vai tomar mais tarde? O meu favorito é de morango. E o seu?
— Eu gosto de chocolate com menta.
— Chocolate com menta?! Sério?
— É sério, por que o espanto?
— De todos esse é o que eu mesmo gosto. Parece que eu tô bebendo pasta de dente.
Aquele sorrisinho volta para os lábios dele.
— É essa a sensação mesmo. Mas para mim, não sei, acho que tem algo haver com a refrescor.
— Frescor? Você toma sorvete para ficar com o hálito de pós dentes escovados?!
— É, exatamente assim.
Entramos na nossa sala para a aula de literatura e foi como uma avalanche de especulação momentâneo. Nathan me passou a minha mochila, e me indicou a minha carteira.
— Sua carteira é aquela, não é? Nerdzinha?
— É, é a minha mesmo. E a sua é a última da sala, não é?
— Polos opostos. Yin e Yang.
— Deixa de ser i****a. — Dou um soco leve nas costelas dele. — Você implorou para a Marry te botar lá no fundo.
— E você está desde o início do século na carteira em frente a professora, como uma boa garota. — É uma implicação. Uma brincadeira. Ele quer me ver vermelha de raiva.
— É, eu sou mesmo e um dia vou ganhar um Pulitzer e vou declara-lo a todas oportunidades que eu tive de ser uma boa garota.
Nathan soltou uma risadinha, o que atraiu novos olhares em nossa direção. Eles respirou fundo, encarando com veemência Clara, a garota de cabelos ruivos. Ela desviou o olhar sem pensar suas vezes.
— Te vejo no final da aula? — ele pergunta.
— Que tal nas arquibancadas? Depois de comparamos o almoço?
As sobrancelhas dele se arqueam.
— Desse jeito, Sammy, vou começar a pensar que está afim de mim.
Engulo em seco. Vamos Sam! Pense algo inteligente para dizer.
— Você não quer companhia para o almoço? Eu posso ir me sentar com a Dana e o Steve...
— Não, não. Nas arquibancadas está ótimo.
— Bom dia turma, como foi o final de semana? — Disse a professora ao entrar na sala.
Nathan e eu fomos para os nossos lugares e a aula começou. Hoje falariamos sobre as obras atuais e os novos estilos de escrita, mas eu não consegui me concentrar cem por cento na aula, pois minha mente fazia planos e mais planos para hoje.
{•••}
Nathan comentava sobre a sua última viagem. Ele conheceu quase o mundo todo e isso é impressionante.
— Eu não queria ir, a princípio, mas gostei de conhecer uma nova cultura.
— Nossa, Japão! Deve ter sido incrível.
— E foi. A melhor parte foi a comida, é claro. Os sushis são de outro nível lá.
— Eu imagino. Nossa, você já foi a tantos lugares, eu sou má se confessar que tenho um pouco de inveja?
Nathan riu alto.
— Não, eu nunca acharia que você é uma pessoa má. — Ele leva mais um chip a boca.
Acho que Nathan é viciado em batatas chips, pois em todos os almoços, após um dos sanduíches de frango do refeitório, ele devora um pote inteiro.
— Você nunca viajou pra fora?
— Já sim, só não a tantos lugares como você. Eu fui para o Egito no meu aniversário de 16, visitei meus avós na Inglaterra a dois anos, e também fui a Escócia.
— Eu gosto da Escócia. Gosto da paisagem tranquila. — Ele comenta. — Um dia eu volto para lá.
Ele vira o pote de batatas na boca, acabando com ele.
— Você é viciado em batatas chips, ou é minha impressão?
Ele pondera com os ombros.
— Digamos que sim, você está certa. Eu como pelo menos um por dia.
— Um por dia?!
Ele balança a cabeça, confirmando.
— Vai me dizer que você não tem algo que é um vício? Balas de fruta? Chocolate?
— Ahh, eu não sei.
— Eu não acredito em você. Deve haver alguma coisa. — Ele estreita os olhos e se inclina para frente. Seu rosto fica a centímetros do meu.
Meu coração pula em euforia. Minha garganta oscila e eu sinto o suor se acomular em minhas palmas.
Os olhos azuis de Nathan são como pérolas eterias. Lindo.
Engulo em seco.
Meus olhos caem nós lábios dele.
Engulo em seco novamente.
Estou ficando maluca. Estou enlouquecendo.
— Deve haver algo, Sammy. Me conte.
— Picles e mostarda.
As sobrancelhas dele se franzem.
— Eu gosto de picles com mostarda.
— Não! — Ele esbraveja. São poucas pessoas que gostam de picles, não me surpreende que ele se surpreenda. — É sério?
— É sério. Eu como desde criança.
— Você come com o almoço, sanduíche...
—...direto do pote e dependendo da minha vontade, eu também bebo o suco.
Nathan gargalha, alto, como um trovão cruzando o céu.
É sempre incrível ouvi-lo rir, vê-lo sorrir. É como encontrar pérolas em um ostra. Raro e incrível.
— Ok, garota picles, você me pegou. — Ele respira profundamente. — Não se preocupe, gostando de picles ou não, você ainda é a Sammy.
"Você ainda é a Sammy."
O que isso significa?
Eu só consigo pensar nisso. Todos me chamam de Sam ou Samantha, os únicos que me chamam de Sammy é Anna e Nathan.
Anna me chama assim por que eu sou sua irmã mais nova. Por ser sua "maninha". Mas, será que esse pensamento se aplica a ele? Será que ele me vê assim? Como uma irmã mais nova?
Eu passei a aula de matemática concentrada na matéria e em não chorar. Eu não conseguia pensar em outra coisa. A sensação de que as coisas possam ser assim, que ele me veja como uma irmã, como uma amiga, me deixa triste.
Quem nunca teve uma desilusão amorosa na vida? Eu só não pensei que as coisas fossem ser assim com a gente. Que eu fosse ser colocada na friendzone.
Mas, de alguma forma, isso é melhor do que ele não sentir nada por mim. Ao menos, há algum sentimento.
Foi com esse pensamento que eu o encontrei na frente da escola. Ele pegou a minha mochila e a colocou no ombro esquerdo, enquanto a dele estava no direito.
— Vamos, Mike está do outro lado da rua.
Ele me guiou para o carro, onde o segurança nós aguardava. Nathan abriu a porta para mim e eu entrei no carro. Ele deu a volta e então entrou pelo outro lado.
O carro deu a partida e iniciou o trajeto para o Sammy's, a estação de vídeo game. Nathan virou o rosto e olhou para mim.
— O quê foi?
— Hum?
— Eu não preciso conhecer você a anos para saber que quando está calada é um mau sinal.
— Eu estou bem.
— Hum. — Ele olha para o segurança ao volante. — Vou arrancar isso de você mais tarde.
— Eu já disse que estou bem.
— E eu disse que vou conseguir a verdade, Sammy. — Ele olha para mim. — Só espere.
O segurança estacionou na calçada, e nós soltamos. A fachada dos Summer's é vermelha com letreiro em branco. São três andares repletos de áreas de vídeo game, espaços com realidade virtual e áreas de tiro, com armas de bala de borracha. Eu nunca tinha vindo aqui, mas sempre tive vontade.
Nathan comprou dois cartões para nós, e eu o ajudei a comprar mais fichas pois eu quero ir em todos as áreas e jogar todos os jogos. Eu quero me divertir, porque mesmo que sejamos apenas amigos, as coisas ainda podem ser interessante.
— Você quer ir em qual primeiro?
— Qualquer um em que eu possa atirar em algo.
Nathan sorri.
— Eu conheço um excelente.
O jogo se tratava de uma aventura em RPG em um apocalipse zombie. No início eu achei bem lento, pois tivemos que fazer tarefas básicas como recolher munição e caçar suprimentos, mas quando uma horda de zumbis atacou a loja em que estávamos, as coisas ficaram...loucas. Era tanto zumbis nos atacando que eu meu exaltei e comecei a gritar com os personagens.
— Mas que m***a! Que p***a é essa?! Não! Não!
No final, eu perdi, pois fui infectada. Nathan sobreviveu, porém quando o personagem dele encontrou um grupo de forasteiros hostis, ele foi morto por um tiro.
— Eu nunca tinha ouvido alguém dizer tantos palavrões em uma só frase. — Comentou Nathan, se referindo ao meu estresse com o jogo.
— Eu não xingo, geralmente.
— Eu gostei, soa normal.
— Como assim?
— Bem, você não é muito normal, sabe?
— Eu não sou normal?
— Não. Você é como uma princesa no andar mais alto na torre mais alta.
— Eu sou a Fiona?
Ele sorri.
— Inalcançável.
— Bem, a menos que você derrote o dragão feroz.
O sorriso nós lábios dele se amplia.
— Acho que agora um jogo medieval cairia bem, não acha?
— Desde que minha espada seja maior que a sua.
— Não mesmo.
— Ah, qual é, você sabe que eu sou a melhor.
— Eu sou o melhor.
Olho para ele, deixando claro as minhas intenções para as minhas próximas palavras.
— Quem perder paga o milkshake? — estendi minha mão a ele.
— Fechado.
O próximo jogo foi um arcade mediaval semelhante a Legue of Legends, mas com vikings. O meu personagem duelou com o dele, e não foi uma batalha fácil.
— Você está muito lento.
— E você é muito convencida.
E mesmo que estivéssemos páreo a páreo, eu o venci.
— Isso! Aham, aé! Eu sou demais!
Nathan riu da minha dancinha da vitória.
— Ok ok, você venceu. Quer ir em qual agora?
— Hum, que tal ir a estação de tiro? Eu estou curiosa com os tiros que estão vindo de lá.
— Você já atirou antes?
— Não, nunca.
— Tudo bem. Eu ensino a você.
Subimos as escadas de ferro para o terceiro andar. Há um enorme balcão com amostras de armas de todos os tipos e tamanho, e um espaço para o tiro ao alvo.
Nathan escolheu uma pistola prateada para nós. Ele disse que o certo seria que eu aprendesse da mais fácil a mais difícil.
— Segure o cabo com uma das mãos, assim. — Ele me instruiu. — Relaxe os ombros, mas mantenha as mãos fixas na arma.
— Assim?
— Espera.
Nathan levou as mãos aos meus ombros e apertou suavemente os músculos. Cada pedaço do meu corpo de desmontou inteira.
— Inspire fundo quando apertar o gatilho.
Certo, o tiro ao alvo. Eu posso me concentrar. Eu posso fazer isso. Eu só tenho que ignorar as mãos dele nos meus ombros.
Não, não consigo me concentrar com as mãos dele em mim.
— Você está...me distraindo.
Um sorrisinho malicioso curva os lábios dele.
— Desculpe.
Ele se afasta brevemente e então, eu me coloco para fazer essa tarefa bem feita. Eu nunca segurei uma arma antes e por mais que ela seja de Air soft, parece bem real para mim.
Inspiro profundamente e então aperto o gatilho.
Mike trás a placa com o alvo até nos através de um botão na parede. Quando ele se aproxima consigo ver o buraco por onde a bala passou.
— Na mosca. — Comenta Mike.
— Sorte de principiante. — Debochou Nathan.
— Faz melhor, então.
— Pode deixar.
Nathan cumpriu a promessa. Ele é excelente nisso e não errou um alvo sequer. É surpreende, na verdade.
— Viu só? Eu sou o melhor.
— Não posso negar.
— Eu tô com fome, quer ir pra sorveteria agora?
— Pode ser e não podemos esquecer que quem paga a conta é você.
— Eu nunca esqueceria.
Descemos as escadas e saímos do Summer's. A sorveteria está em um ponto estratégico para vendas, bem ao lado de um dos lugares mais movimentados e usados pelos jovens da cidade.
Nathan abriu a porta para mim, e eu entrei no estabelecimento. O recinto é confortável e tem uma decoração exemplar. Não poderia ser diferente, pois moramos no bairro mais caro de Nova York.
— Boa tarde, como podemos ajudar? — Perguntou a recepcionista.
— Eu quero um brownie com avelã e um pote de sorvete se chocolate com menta. Você vai querer o que?
— Milkshake de morango com chantilly e cereja.
— Somente isso?
— Vai querer alguma coisa, Mike? — Perguntou Nathan ao segurança.
— Não, senhor. Obrigada.
— Só isso então.
Outra atendente foi fazer os nossos pedidos. O meu ficou pronto primeiro, já que o que brownie que Nathan pediu tinha acabado de sair do forno e levaria pelo menos cinco minutos para esfriar.
— Aqui está senhor, desculpe a demora.
— Sem problemas. — Nathan pegou próprio pedido e se virou para mim. — Vamos sentar naquela mesa?
— Perfeito.
Fomos para mesa, que fica atrás do vidral da loja. Eu me sentei, mas Nathan ficou em pé e se virou para o motorista.
— Você pode nos dar privacidade, por favor?
— Eu posso ficar no carro, acho que consigo ver vocês de onde estão. — Disse Mike, receptivo ao pedido.
— Seria ótimo, obrigada.
O segurança se afastou e então cruzou a porta da loja. De onde eu estou consigo vê-lo escorado no carro.
— Assim é melhor, não é?
— Nathan eu nem notei a presença dele. De verdade. Ele ficou na dele e apenas nos observou de longe. Eu não me incomodei nenhum pouco.
— Que bom. — Ele suspira. — Então, vai me dizer o porquê você estava triste mais cedo?
— Eu não estava tristes.
Ele ergue as sobrancelhas, como se dissesse "você quer enganar quem?". Como ele pode me conhecer a tão pouco tempo e já reparar nessa coisas?
— Não foi nada, é sério. Eu só estava com muita coisa na cabeça.
— Seja mais explícita?
— O que você quer que eu diga?
— Vamos começar pela verdade, o que acha?
As vezes ele é impossível. Nathan é determinado e eu reconheço isso. Será que há como eu fazê-lo esquecer isso?
Acho que não. Passamos a tarde nos divertindo e ele ainda se lembra. Acho que não há pra onde correr.
— Por que você me chama de Sammy?
— Eu pensei que fossemos falar sobre o que estava enchendo sua mente.
— Essa é uma das coisas. — A principal delas.
Nathan pondera e então dá de ombros.
— Você é a Sammy.
— Eu sei, entendi. Mas o que significa? Ninguém me chama assim além de você e Anna.
— Precisa ter um significado? Eu posso apenas gostar de te chamar assim. Você me chama de Nathan, por exemplo.
— Porque eu gosto de como soa o seu nome. Você é o Nathan. Não Nate, não Natie, apenas Nathan, entende?
— Você não poderia ter dito melhor. Todos te chamam de Sam ou Samantha, e eu não sabia que Anna te chamava assim. Mas pensei, que Sammy seria melhor, diferente. Que faria você...não, deixa pra lá.
— Me diz, você começou então tem que terminar.
Nathan bagunça os cabelos negros enquanto esfrega a cabeça. Ele está incomodado, eu acho, mas isso não me causa pesar. Eu quero saber a verdade, quero jogar limpo e para isso eu preciso de versão dele.
— Lembra da peça de fim de ano? Você foi a Odete e estava usando aquele vestido de centim azul. Você parecia um anjo no palco. E azul é a minha cor favorita, então naquele momento você era uma luz que me atraia. Eu não queria ter ido, foi Dolle quem me forçou a ir, mas quando voltei para casa fiquei aliviado de ter ido e de ter visto você. Achei que te chamar de Sammy faria você se lembrar de mim, porque achei injusto só eu lembrar de você.
Eu não sei o que dizer. Não sei como reagir a isso. O que ele quer dizer? Que ele gosta de mim? Que de alguma forma ele se atrai por mim?
Isso parece loucura.
Acho que estou sonhando.
— Diz alguma coisa.
— Eu não sei o que dizer.
— Eu fui sincero com você, Sammy, so seja sincera comigo.
O nosso sorvete já estava derretendo, mas sinceramente? Isso é mais importante do que sorvete derretido.
— Na noite do espetáculo, eu estava tranquila quanto a apresentação. Eu estava segura do que eu ia fazer. Mas então,antes de entrar no palco, eu vi o garoto que eu gostava na platéia e fiquei tão nervosa que eu vomitei em uma das árvores. Foi o momento mais constrangedor da minha vida.
— Ah. — As sobrancelhas dele se franzem e ele abaixa a cabeça, encarando o brownie intocado e o prato.
— Era você. Quem eu vi. É você.
Ele ergue o rosto e me cara com uma mistura de choque e espanto. A melhor coisa que posso fazer agora é sorrir.
Eu fui sincera com você, Nathan Fitzpatrick, so espero que você seja gentil comigo.
— Seu sorvete vai derreter. — Falei e em seguida levei o canudo a boca.
O milkshake de morango tem um sabor agradável e é muito delicioso. Pelo menos agora eu posso desfrutar desse momento. Me sinto leve e essa é uma sensação deliciosa.
— Se eu te chamasse para tomar banho de piscina na minha casa amanhã, o que você diria? — Ele pergunta.
Com um rápido olhar para o seu prato,vejo que ele pegou uma garfada do brownie.
— Bem, eu já iria de qualquer jeito. Combinamos de terminar o trabalho amanhã na sua casa, esqueceu, já que adiamos por causa de hoje.
— Ah é, eu esqueci. — Ele cutuca o brownie com o garfo.
— Mas depois, quando terminarmos, seria bom um pulo na piscina.
— E ir ao cinema na quarta? Está passando Vingadores.
— Seria ótimo. — Foi impossível não abrir um sorriso.
Isso está mesmo acontecendo? Alguém me belisca.
— Você já jogou biliar? Eu tenho uma mesa na minha sala de jogos. Podemos fazer isso na sexta. — Ele se perde nas contas e faz uma careta engraçada enquanto pensa em algo. — Vamos fazer todas essa coisa, certo Sammy?
— Para mim está perfeito.
Nós combinamos encontros para a semana inteira e o melhor era ver a rela vontade dele. E eu só sabia sorrir. Parecia mentira, ou uma ilusão, mas ai ele estava lá, me dizendo que me ensinaria a jogar biliar e que iríamos andar de triciclo pela cidade.
Eu gostei de tudo, e o milkshake estava delicioso. Nós saímos da sorveteria quando o sol já tinha indo embora, e voltamos para o carro.
Mike dirigiu vagarosamente pelas ruas de Nova York, como se ele quisesse prolongar o encontro do chefe.
— Quando isso começou?
— O que começou?
— Você gostar de mim?
Minhas bochechas esquentam e eu gaguejo ao falar:
— A-ah, eu não sei direito. Acho que começou como um crush, sabe? Eu te achava gato demais e morria de ciúmes quando você ficava no time da Nathalia, porque ela passa o rodo na escola e só estava prevendo ela da em cima de você. Até que nós participamos daquele debate em sociologia e eu percebi o quão você era inteligente. Quando eu vi, já estava perdida.
Um sorriso largo cresce nós lábios de Nathan. Ele passa o braço sobre o meu ombro e meu puxa para ele. Meu coração deixa de funcionar e é isso. Posso morrer em paz.
— O que está fazendo? — Minha voz é um misto de sussurro e risada.
— Me diga de uma vez.
— Você é tão bobo.
— Vamos, diga. Eu quero ouvir.
Nathan, você não tem dó dos meus nervos? Ou do meu coração que já fora para o além?
— Eu sou apaixonada por você.
— Diz de novo.
— Nathan.
— Eu adoro ouvir isso.
— Não é justo comigo, não acha? Eu me abrir demais...
—...e eu não? — O rosto dele se aproxima do meu e seu hálito refrescante do sorvete de menta com chocolate esquenta a minha pele. — Eu quero m***r o dragão e ficar com a princesa. Pode facilitar as coisas pra mim?
— É o que quer? Ficar com a princesa? De verdade?
O nariz dele toca no meu e eu me preparo, me deliciando com a antecipação de seus lábios.
— De verdade...
E então, como um terremoto, o carro freia bruscamente, nós chacoalhando e assustando.
— Que cara maluco! — Grita Mike, enquanto buzina. — Não se passa em si Al vermelho o****o!
— Você está bem?
— Estou, só levei um baita susto.
— Desculpa, senhor. O caro avançou com tudo.
— Eu não deveria perdoar você Mike. — Disse Nathan, com a voz acida. — Mas vou perdoar, mas só porque eu estou com a minha garota aqui.
Se controla. Não surta. Não surta. Reaja naturalmente.
Minha garota.
Ahhhhh.
Minha garota!
Noah e minha mãe estavam certos, eu só precisava ser sincera quanto a quem sou e os meus sentimentos.
— Obrigada chefinho, senhorita Sammy.
— Ei ei ei, só eu chamo ela assim. É srta.Saint pra você.
— Ok, ok. Srta. Saint.
Eu ri alto dessa cena. Eu estou menso sonhando, ou delirando, ou alucinado. Eu posso ter sido abduzida. Qualquer coisa é mais palpável do que isso.
— Vai privar todos de me chamarem de Sammy?
— É claro,a partir de hoje só eu te chamo assim. — Ele declara, com um sorrisinho triunfante nós lábios.
— Anna vai adorar saber disso.
Nathan faz uma careta engraçada.
— Talvez eu deixe ela te chamar assim também. Cai entre nós, sua irmã é assustadora.
Rimos juntos diante dessa verdade.
Anna é assustadora quando quer e para mim é pior, pois eu sou a irmã mais nova, mais conhecida como saco de pancada.
— Não vou contar a ela. Fica um segredo entre nós.
— Que bom, ela me mataria.
— Eu aposto que sim.
O carro para e automaticamente eu olho pela janela. Minha casa está adiante, com a luz da sala acesas.
— Chegamos. — Diz Mike.
— Bom, eu vejo você amanhã. — Digo a ele.
— Posso vir pegar você.
É lógico. Mas que pergunta é essa? Ele não sabe que isso é um sonho? Nós meus sonhos ele vem me buscar para irmos a escola.
— Pode sim, se não for demais.
— Não é. — Ele é sincero.
Seguro a tranca da porta,mas antes de sair eu sinto que falta algo. Rapidamente, me viro para ele e me inclino o suficiente para que nossos lábios se toquem rapidamente.
Se isso for um sonho, eu acordaria pela manhã frustrada por não ter feito isso.
— Até mais.
Saiu do carro correndo e vou para a calçada. Nathan coloca a cabeça para fora do carro e grita:
— Isso não é justo!
— Torne justo amanhã!
Acenou para ele, enquanto Mike da a partida e segue o caminho. Isso foi... surreal. Entro em casa e somente quando eu estou abrigada pelas paredes de minha casa que eu me permito pular de alegria. Eu pulo e danço e grito de felicidade.
— Pelos céus o que é isso, Sam?! — diz minha mãe. Ela havia corrido para saber o que era tanta agitação.
Vou até ela e a abraço.
— É só a mais pura felicidade, mãe. É só felicidade.
Solto ela e subo correndo as escadas. Eu preciso de um banho gelado para ter certeza de que isso não é um sonho.
— Não corre nas escadas, Sam!
— Pode deixar!
Hoje foi o melhor dia da minha vida, mas o melhor é que amanhã eu vou vê-lo de novo mas nossa relação vai estar completamente diferente.