3. Bolo de chocolate e risadas.

2101 Palavras
Sam Ele está calado, concentrado em fazer a introdução do nosso trabalho. Eu tinha escrito a maior parte da introdução a mão, e ele se prestou a passar o texto para o computador. Nathan tem um hiperfoco intenso, e não se distrai facilmente. Mesmo quando derrubei meu estojo no chão e as canetas salpicaram contra o porcelanato, ele não desviou os olhos do computador. Se eu quiser falar com ele, vou ter que ser direta então. Mas, o que eu posso perguntar? — Nathan, por que seu pai tem tantos seguranças em casa? Ele finalmente olha para mim. Paro de respirar no momento em que nossos olhos se encontram. — Por que tem pessoas que adorariam m***r ele. — Foi uma pergunta séria. — Eu sei, mas não deixa de ser verdade. Se ele não vai me contar a verdade, então eu posso fazer outra pergunta. Quanto será que precisa para fazê-lo perder a paciência? Bem, acho que eu vou ter que arriscar. — Você é sempre tão calado? — Você é sempre tão tagarela? — Sim, quando eu quero conversar. Você vai ficar respondendo as minhas perguntas com outras perguntas? Ele estreita os olhos para mim. — Por que você quer conversar? Minha garganta seca com o nervosismo. Não posso dizer a ele a verdade, não quando eu não sei como ele vai reagir. Uma coisa é gostar dele, outra é ser impulsiva e acabar me dando m*l. — Quero conhecer você. — É a melhor coisa que eu consigo pensar. Me dê um desconto, estou com o garoto que eu gosto bem na minha frente, não tem como eu não ficar nervosa. — Por que? — Por que sim não é resposta. — As vezes é sim. Engulo em seco, tentando a qualquer custo umidecer a minha garganta. Minha voz está arranhando devido a secura. Será que ele percebeu isso? — Você não é como eu pensei que fosse. Pisco diante das palavras dele. O que isso significa? — Como você achou que eu fosse? — Metida, e arrogante. Como todas as meninas daquela escola. — Isso é generalizar demais, não acha? — É como eu penso. Todas elas tem esses pontos em comuns. Algumas passam por cima das outras para conseguir o que querem, outras simplesmente usam dinheiro, s**o e suas arte manhãs, como t*****r com o professor de educação física. — Quem que tá transando com o professor de educação física? — Chryssie Lambert, da sua turma de literatura. — Chryssie peituda?! — Ela mesmo! — Mentira! Como que você sabe disso? — Eu vi eles dois atrás da arquibancada, não vou te dizer o que eles estavam fazendo porque eu não quero reviver essa memória. — Ele está sorrindo, de verdade, sorrindo para mim e comigo. Isso é uma miragem, só pode ser. Sinto minhas bochechas esquentarem, então falo qualquer coisa para desviar a tensão. — Bom, eu não faço esse tipo. — Pelo visto não, mas eu ainda não tenho certeza. — Você é muito desconfiado. — Eu preciso ser. Não é todo mundo que pode ser amigo desse meu tipo charmoso! — Ele diz isso enquanto passa as mãos pelo cabelo, encenando um amor próprio exagerado. Eu rio dele e daquela encenação boba. A sensação de alegria e euforia faz com que uma risada leve e natural saia da minha boca. Ainda bem, eu não suportaria roncar na frente dele. — Ok Ok, senhor charmoso, vamor terminar esse introdução antes que anoiteça, tudo bem? — Sim, senhora, General! Ele escreveu o restante da introdução, e em conjunto revisamos e editamos. Como foi ele quem escreveu o restante eu achei que seria justo eu digitalizar. Mas, quando eu estava prestes a começar, Dolle entrou na sala de estar, com uma bandeja com fatias de bolo de chocolate em pires lindos e decorados com flores azuis, e copos de suco de laranja. Eu não consegui conter um sorriso enorme quando eu vi que ela havia colocado morangos na minha fatia. Foi um gesto tão fofo e simples. Agora eu entendo o que Nathan quis dizer com me enfeitiçar, e olha...ela está conseguindo. — Eu vou te roubar, Dolle. Você vai ser a nossa confeiteira particular! Isso aqui está uma delícia! E está mesmo. O bolo de chocolate e macio e úmido, e não muito doce. A cobertura é de um chocolate de qualidade, que também consegue manter o equilíbrio do doce. E os morangos só torna tudo ainda melhor. — Obrigada, Sammy. Fico feliz que tenha gostado. — Eu não gostei. — Por que não, muleque? — Por que o dela tem morangos, onde estão os meus morangos? Eu não sei se ele está dizendo a verdade, ou se é uma brincadeira sem graça. — Tem um pote na geladeira cheia deles, você pode pegá-los se quiser. — Dito isso, ela nos dá as costas e sai por onde entrou. Nathan abre um risonho serelepe, olhando para as costas da mulher. Ele realmente estava brincando, e é muito provável que essa implicância seja algo do relacionamento deles. Isso é.. estranho, mas se eu parar para pensar é a mesma coisa entre Anna e eu. — Ela cuida de você a muito tempo? — Sim, desde depois da morte da minha mãe. Foi como uma bomba explodindo ao meu lado. Eu perdi os sentidos durante alguns segundos e quando recobrei a consciência eu não sabia o que dizer. — Eu...eu sinto muito. — Eu também. — Ele suspira, enquanto pega um pedaço do bolo. — Foi um acidente. Eu tinha três anos. — Você deve sentir falta dela. — Na verdade não, eu sinto a ausência dela, tipo, ter uma mãe com quem se preocupe comigo, mas eu não me lembro dela. Nem da voz, ou do que ela gostava. Eu só sei como ela é por causa das fotos mas...não é a mesma coisa. — Não podemos sentir falta do que nunca tivemos, mas os fantasma das nossas mentes estão lá para nos lembrar da falta que eles fazem. — Faço uma careta. Acho que falei besteira. — Exatamente. — Ele concorda. Nossos olhos ficam fixos, presos um ao outro e por mais que a timidez implore para que eu desvie o olhar, uma parte minha diz para que eu olhe de volta. Olhe para ele. Deixe que ele veja você. — Você quer um morango? Ele sorri de lado, exibindo a covinha. Nathan tem covinhas adoráveis. Ele pega o garfo e o espeta em um dos morangos, em seguida ele o leva a boca. Nossos olhos retornam um para o outro e parece que isso vira um duelo de quem desvia primeiro. Isso é ridiculo, mas eu não desvio. — Você tem razão, com morangos fica melhor. Havia uma tensão diferente no ar. Não era como se tivéssemos feito algo de errado, mas que nenhum dos dois sabia como voltar a uma conversa. Infelizmente, ou felizmente, não conseguimos terminar o trabalho de biologia e vamos ter que marcar um novo encontro. — Eu posso vir segunda, neste mesno horário. — Tem planos para o domingo? — Tenho alguns, sim. — Enfio meu caderno dentro da mochila, e então olho para o sofá para fazer uma última vistoria. Eu não quero esquecer nada. — O quê? — Como assim o quê? — O que você vai fazer no domingo? Olho para ele com as sobrancelhas franzidas em confusão. Por que ele quer saber disso? — Por que o interesse? Ele dá de ombros, em parte não querendo me explicar o motivo e em outra querendo esconder o interesse dele. — Eu vou a New Remphis com a minha mãe. Ela quer visitar uma amiga dela e como eu estudei com o filho dela, bem, você já sabe. — Não, não sei. — Éramos amigos, é mais fácil levar a mim do que levar a Anna, entende? — Hum. Humrum. — Ele resmunga. — Vem, eu te acompanho até a saída. Ele me guiou pela casa, até a porta principal. Nesse tempo eu pude olhar para a casa e vê-la em todos os seus aspectos. Há quadros de paisagens claras e arbóreas, com bosques e florestas. A sensação que eles me passam é de tranquilidade. Será que é por isso que estão ali? Para tornar essa casa mais tranquila? Bem, aqui parece é grande e silencioso, quase como se estivesse inabitado ,então pode fazer sentido. Também há móveis diferentes de classe moderna, o que vai contra a estrutura da casa, mas ainda assim marcam presença. Quem quer que seja o pai de Nathan, ele tem bom gosto para interiores, mas pelo visto é bem ausente na vida do filho. Como o combinado, George apitou da entrada, e a terceira buzinada me dizia que ele estava encurralado pelos segurança e quer que eu me apresse. — Eu vou começar o desenvolvimento, e te mando quando terminar. Você deveria fazer também, para filtrarmos as ideia. — Comento com ele, lhe dando um conselho. — Pode deixar, se eu precisar de ajuda eu te ligo. Sigo para fora, caminhando pelo jardim cheio de segurança com o olhos em mim. Um grito alto e de uma voz familiar me faz parar e virar para a entrada. É Nathan, gritando o meu nome. — Te vejo segunda! — Até lá! — Aceno para ele e ele acena de volta. Quando entro no carro estou com um sorriso bobo no rosto e com adrenalina explodindo nas veias. Esse encontro saiu muito melhor do que eu havia imaginado, e eu ainda o verei segunda. Anna tem razão, esse trabalho em dupla foi uma chance do destino. Mas, não conte a ela que eu disse isso. {•••} Nathan Esse encontro ultrapassou as minhas expectativas, e bem, eu não tinha nenhuma. Eu sabia que Sammy era alguém gentil, pois ela nunca tratou as vítimas de bullying da escola como os outros tratam, mas eu não sabia que ela poderia ser divertida. E como ela é inteligente! Essa garota pode dominar o mundo se ela quiser! — Que sorrisinho é esse? — Pergunta Dolle e seu tom de voz denuncia suas segundas intenções. Aposto como ela vai cismar com Sammy e dizer que eu gosto dela e essas coisas. Mas, não é verdade e não vai importar quantas vezes eu diga isso a ela, ela vai tirar as próprias conclusões. — Não tem sorrisinho nenhum, Dolle. — Hum, eu sei bem. — Ela suspira, olhando para o livro em suas mãos. — Eu gostei dela. É gentil e educada, e faz você sorri. — Eu não sorri, Dolle. — Sorriu sim, mas tudo bem, os adolescentes são meio cegos mesmo. — Não acho que sejam os adolescentes que estejam ficando cegos, acho que você quem está envelhecendo. Ela olha para mim, com os olhos estreitos e as palavras na ponta da língua. — E você está agindo como o seu pai. Afastando quem pode entrar na sua vida e fazer o bem. Você não é arisco, mas tratou ela friamente hoje. — Eu não gosto dela, Dolle. Ela é só uma colega de turma. — E se importa com você. Se quer ter amigos e sair e ter liberdade, começe com o básico. Seja amigo dela. — Está bem, Dolle. Eu e a Sammy vamos ser melhor amigos, o que acha? Eu vou subir e tomar uma ducha. Pode pedir uma pizza para nós? — É claro, chefinho. Só não esqueça o que eu te disse. E eu não iria, porque ela vai me lembrar dia e noite que Sammy é legal e divertida e criativida, o que ela é, mas ela vai fazer questão de lembrar. Mas, uma coisa que ela disse me deu um soco na boca do estômago. "E você está agindo como o seu pai. Afastando que pode entrar na sua vida e fazer o bem. Você não é arisco, mas tratou ela friamente hoje." Será que é assim que ela viu? Que eu a tratei friamente? Será que Sammy achou isso também? Merda. Eu estava mesmo afastando ela, mas só no início, pois Sammy é do tipo que não para de falar e sempre puxava assunto comigo. No final eu quem estava iniciando novas conversas e até estava gostando. Ela não é ruim... Seja sincero, Nathan, ela é muito legal. Na verdade é uma das garotas mais legais que eu já conheci e também é muito bonita. Mas não importa o que eu ache, o mundo em que eu vivo é arriscado demais para criar laços. Aconteça o que acontecer, Sam e eu somos apenas colegas de turma.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR