Aqueles dias estavam sendo os mais torturantes da minha vida. Ver Marcelo naquele estado, imóvel, entubado, com tantos fios e aparelhos... me matava por dentro. Eu só conseguia segurar a barra porque, de algum jeito, eu sentia que ele ainda estava ali. Que ia voltar. Eu não queria sair um segundo dali. Me revezava com Jaque e Dona Lúcia, que se dividiam pra ficar com Arthur. Mas meu corpo estava no limite. Minhas olheiras já faziam sombra no chão, e os médicos insistiam que eu precisava descansar. Eu não queria. Mas sabia que em algum momento teria que ir pra casa, pelo menos por umas horas. Ayla sentou do meu lado, cruzou os braços e me olhou com aquele jeito de quem ia me dar uma dura, mas com carinho. - Bru... você precisa ir pra casa um pouco - ela disse, pegando minha mão com firme

