Acordei num sobressalto, o peito apertado, os músculos implorando por alívio. O ar me faltava, como se a própria vida tivesse me sido arrancada durante aquele pesadelo. Canário. O Arthur. A praia. O grito preso na garganta. Pisquei algumas vezes, tentando entender se ainda era real ou se o inferno continuava. Foi então que senti... uma mão na minha. Quente. Firme. Protetora. Virei o rosto devagar, e lá estava ela. Bruna. Sentada no chão frio daquele barraco, encostada à parede, com o rosto caído no ombro e a mão entrelaçada na minha. Dormia de olhos semiabertos, como quem se recusa a descansar por completo. E, mesmo exausta, parecia ainda me vigiar. Me proteger. - Bru... - murmurei, com a voz rouca, quebrada. Ela acordou num pulo, os olhos arregalados indo direto pros meus. - Me

