CAPÍTULO 40

903 Palavras

Marcelo fazia de tudo pra parecer inteiro, mas só quem via de perto sabia o estrago que ele carregava no corpo. Com a ajuda de Dona Jura, vesti nele uma camisa velha, o cheiro de sabão misturado com ervas quase trazia conforto, se não estivéssemos fugindo da morte. A viela era escura, os pés descalços dele corriam sobre pedra, barro, caco de vidro. E ele ia. Deus, como ele ia. Eu segurava ele com uma mão, e a coragem com a outra. Dona Jura não errou: em menos de quinze minutos, estávamos fora da favela, passando direto pela porta da Dona Lúcia, que nos olhou com o coração na mão. Mas a segurança durou pouco. Porque lá, no meio da sala, como se fosse o dono do mundo, estava ele. Arnaldo. Sentado na poltrona, copo na mão, cara de deboche. Quando me viu, travou. - Não é possível... - e

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