Fiz uma jantinha gostosa pra gente.
Era um clima de casa, mesmo que ainda em construção.
Ele apareceu na porta da cozinha, só de toalha, com os cabelos molhados e aquele olhar cansado demais pro corpo forte que sustentava.
Me olhou por uns segundos, quieto.
Sorri e fui logo contando
- Fomos ao mercado. Arthur se empolgou.
Teve até Nutella.
Não resisti.
Ele soltou uma risada leve, mas os olhos dele… não riram junto.
Eram um emaranhado de nós.
Laços m*l feitos.
Pontas soltas.
Cicatrizes abertas.
Mas eu decidi que aquela noite seria nossa.
De verdade.
Com afago.
Com paz.
Com amor.
clComemos juntos, trocamos palavras…
Muito olhar.
Muito toque de mão na coxa.
Muita presença.
Quando deitamos, foi ele quem adormeceu primeiro.
O corpo cedeu.
A mente cansada desligou por instinto.
E eu fiquei ali, olhando pra ele.
A barba cerrada, o semblante sério até no sono.
Me permiti amar aquele homem em silêncio.
Com o olhar.
Com o peito cheio.
Com o coração exposto.
Adormeci logo depois.
Mas no meio da madrugada…
Acordei com ele se debatendo.
Suando.
Segurando o lençol com força.
Como se estivesse tentando não ser puxado pra algum lugar escuro.
Me virei rápido, assustada.
- Marcelo…
Ele se retorcia.
O maxilar travado, os olhos ainda fechados, e a voz…
Um grito que rasgou o quarto.
- NÃOOOOOO!
Meu corpo gelou.
Toquei nele com cuidado, tentando acalma-lo.
- Calma, eu tô aqui… sou eu, Bruna…
Ele abriu os olhos num sobressalto.
A respiração ofegante.
O rosto em pânico.
Como se estivesse voltando de um lugar onde a dor era tudo.
Me olhou.
Firme.
Assustado.
E segurou meu rosto com as duas mãos.
Forte.
Como quem precisava ter certeza.
De que eu era real.
- Promete… prom… prom… prom… promete que você não vai me deixar…
A repetição doeu.
O desespero nos olhos dele me atravessou.
- Marcelo, calma.
Tá tudo bem… eu tô aqui.
Não vou a lugar nenhum.
Ele respirava forte, os dedos ainda pressionando meu rosto.
- Promete…
Encostei minha testa na dele.
-;Eu te amo. - disse, com a voz embargada, mas firme.
Ele congelou.
Os olhos fixos nos meus.
E como se aquele “eu te amo” fosse a chave…
ele me puxou pro beijo mais intenso da minha vida.
Beijou como quem precisava.
Como quem tinha medo de perder.
Como quem queria amar ali…
Pra se curar do que doía.
- Bruna…
Eu quero amar você.
E preciso disso agora. - ele disse, com a voz firme e crua.
Eu só balancei a cabeça.
Não precisava dizer nada.
Eu também precisava dele.
Inteiro.
Do jeito dele.
Mesmo partido.
E naquela noite, Marcelo não fez amor comigo.
Ele se permitiu amar.
Com o corpo.
Com a alma.
E com a urgência de quem nunca teve paz.
O quarto estava em meia-luz.
O mundo lá fora parecia distante, e a única coisa que existia era ele ali, de frente pra mim, suado, ferido, mas inteiro nos olhos.
A respiração dele ainda estava descompassada.
O susto do pesadelo ainda marcava o corpo tenso, mas os olhos…
os olhos gritavam algo muito mais profundo.
Ele se aproximou devagar, os dedos deslizando pelos meus braços, pelas minhas costelas, até encontrar minha cintura.
Me puxou com firmeza.
Como se quisesse me colar nele.
Fazer nossos corpos se fundirem.
O beijo veio denso.
Molhado.
Cheio de urgência e carinho ao mesmo tempo.
A língua dele encontrou a minha como se já soubesse o ritmo certo.
Como se fosse um reencontro.
Minhas mãos escorregaram por suas costas nuas, sentindo os músculos tensos, vivos, respondendo a cada toque meu.
Ele me deitou com calma, os olhos fixos nos meus, como se procurasse alguma permissão que eu já tinha dado fazia tempo.
- Você é minha, Bruna… - ele sussurrou.
“Hoje, agora. Só minha.”
Senti ele se abaixar, e sua boca quente tocar meu pescoço, depois o vale entre meus s***s, os m*****s que se arrepiavam só com o roçar da barba cerrada.
Me arqueei.
Me ofereci.
Toda.
Sem reserva.
Sem medo.
As mãos dele desceram por minhas coxas, abriram meu corpo com firmeza, e ele se encaixou entre minhas pernas, esfregando lentamente seu päu duro em mim, por cima da minha calcinha.
O atrito era quase c***l.
Delicioso.
Lento demais.
- Seu corpo me enlouquece… - ele disse, pressionando o quadril contra mim, arrancando de mim um gemido abafado.
- Marcelo… - murmurei, já tomada, entregue, molhada.
Ele puxou a calcinha devagar.
Aquela.
A do meu presente.
Com o nome dele.
O olhar dele ficou mais escuro.
Mais faminto.
- Fica de lado pra mim… - ele pediu, baixinho, me guiando com as mãos firmes.
Virei de costas, sentindo o lençol gelado contra meu peito nu e o calor dele atrás de mim.
Ele afastou meus cabelos e beijou minha nuca.
- Esse räbo com meu nome…
Bruna, você sabe o que faz comigo?
Antes que eu respondesse, ele entrou em mim.
Devagar.
Fundo.
Inteiro.**
Soltei o ar com força, me agarrando ao lençol, sentindo cada centímetro dele me preencher.
Ele ficou ali, imóvel por um segundo, respirando em meu ouvido.
- Você é quente… cäralho …
E então começou a se mover.
Devagar.
Controlado.
Como se quisesse me sentir por completo.
A cada estocada, minha pele queimava.
A fricção, o som dos nossos corpos se encontrando, a respiração pesada, os gemidos que escapavam…
Era como uma dança bruta, mas cheia de amor.
Intensa.
Crua.
Verdadeira.
Ele me puxou de volta pelos quadris, me fazendo sentar devagar em seu colo, ainda com ele dentro de mim.
Me abraçou por trás, passando as mãos pelos meus seiös, me beijando o ombro, o pescoço, a boca.
Ali, eu era só dele.
E ele… completamente meu.
Comecei a cavalgar nele, no ritmo que ele ditava, e seus gemidos abafados contra minha pele me deixavam molhada de novo, como se fosse a primeira vez.
Ele me deitou novamente, agora de frente, e me olhou com os olhos marejados.
- Bruna… eu juro por Deus…
que ninguém vai te tocar assim além de mim.
Ele acelerou, o corpo já trêmulo, e eu gozei ali, presa aos olhos dele.
Forte.
Ruidosa.
Sem vergonha nenhuma.
Sem arrependimento.
Ele veio logo depois, enterrando o rosto no meu pescoço, segurando meu quadril com força, como se quisesse permanecer em mim pra sempre.
E quando tudo cessou, ele não disse nada.
Só me abraçou.
E assim, ele me amou.
De verdade.
Do jeito que eu nunca imaginei que alguém fosse capaz.