CAPÍTULO 18

1228 Palavras
Eu precisava dele. Mais do que já tinha admitido até pra mim mesma. Não era só o corpo, não era só o sexo. Era a presença. A segurança que aquele homem fodido, machucado e cheio de demônios me passava. Nos braços dele eu sentia o mundo silenciar. E isso… não tem preço. - Fica comigo essa noite. Só essa. - pedi com a voz baixa, quase num sussurro, mas dentro de mim gritava um fica pra sempre. Ele travou. A tensão no ombro, o olhar que desviou por um segundo. A luta interna era visível. Mas ele não disse não. - Você não faz ideia do que tá pedindo, Bruna. - ele murmurou. - Talvez não… - dei de ombros. - Mas mesmo assim, tô pedindo. As meninas se despediram. Arthur já dormia no quarto, e o silêncio tomou conta da sala. Marcelo passou a mão no cabelo, nervoso, antes de soltar: - Você acha que ele… Arthur… me olhou estranho? Virei o rosto pra ele, confusa. - O quê? - O moleque. Eu entrei nessa casa gritando, armado, com farda da civil. Eu sou o caos, Bruna. E aquele menino é puro. Me aproximei, segurei suas mãos grandes nas minhas. - Ele é meu filho, Marcelo. E eu te chamei pra ficar comigo. Você não tem obrigação nenhuma de ser nada pra ele. Mas o olhar dele já dizia outra coisa. - É tarde demais pra separar as coisas. Quando eu te aceitei… aceitei vocês dois. Meu peito se apertou. Eu não esperava aquilo. Não dele. Não assim, com tanta verdade. - Você é louco. - sussurrei com um sorriso no rosto. Ele encostou a testa na minha. - Por você? Com certeza. Fui até o quarto e conferi Arthur. Dormia profundamente. Voltei pra sala e o encontrei encostado na pia da cozinha, respirando fundo como se lutasse com ele mesmo. E então, eu pulei no colo dele. Ele me segurou no ar com a força bruta de sempre. - Você tem uma dívida, senhor delegado… - sussurrei no ouvido dele. - E vai pagar agora. Ele sorriu malicioso, e os olhos brilharam com aquele desejo escuro, urgente. - Ah, é? Agora!. Me carregou direto pro banheiro, onde a luz era fraca e a água do chuveiro pingava numa goteira irritante. Mas nada mais existia. Só nós. Comecei pelo colete. Retirei com cuidado, como quem abre um presente raro. Depois o distintivo, pendurado no pescoço, frio e pesado. Beijei o local que ele tocava. - Isso aqui não te define… - murmurei. Ele estava quieto, tenso. Então fui descendo, tirando sua camisa com calma, expondo o peito forte, marcado de lutas, cicatrizes e histórias que eu talvez nunca conhecesse por inteiro. Fui beijando cada uma. Cada marca. Cada pedacinho. - Você é mais que isso, Marcelo. Muito mais. Quando tirei o cinto e a calça, ele soltou um suspiro rouco, profundo. Estava se entregando. Completamente. Me ajoelhei no chão frio e o olhei de baixo pra cima, enquanto minhas mãos subiam por suas coxas. Mas antes de tocar mais... Ele me ergueu de volta num impulso, colou minha boca na dele e murmurou contra minha pele: - Essa dívida… eu vou pagar com juros. Ele me encostou contra a parede fria do banheiro, as mãos fortes segurando minha cintura como se quisesse me manter ali pra sempre. Sua boca percorreu meu pescoço, mordendo, sugando, marcando como se fosse território dele. E eu era. Minhas mãos passeavam pelo abdômen definido dele, sentindo os músculos contraírem a cada toque. Marcelo era quente, tenso, intenso… um animal em pele de homem. - Vira. - ele sussurrou no meu ouvido, com a voz rouca, grave, cravejada de desejo. Obedeci sem hesitar. Coloquei as mãos na parede fria e arqueei meu corpo, sentindo o calor do dele atrás de mim. Ele afastou minha calcinha rasgada com pressa, como se qualquer tecido entre nós fosse ofensa. E então, sem aviso, penetrou com força. - Poŕra, Bruna… - ele gemeu contra minhas costas. Soltei um grito abafado enquanto meu corpo se moldava ao dele, enquanto ele me preenchia por completo. Cada estocada era uma sentença, uma promessa, uma confissão. Ele segurava meus quadris com firmeza e ritmava com força, mas não era só luxúria era entrega. Era como se cada movimento dissesse o que a boca não ousava. - Você é minha, ouviu? Minha… - ele rosnava, enquanto me puxava pelos cabelos e mantinha meu corpo preso ao dele. - Sou… toda sua… - respondi entre gemidos e respirações falhadas, o rosto encostado na parede úmida. Ele me virou de frente de novo, com brutalidade contida, como se me quisesse ver inteira enquanto gozava. Colou nossas testas. Seus olhos queimavam nos meus. - Olha pra mim. Quero ver quando você gozar pra mim. E foi só ele dizer isso, enfiar fundo mais uma vez, que meu corpo tremeu inteiro, desmoronando. Gemi alto, me agarrando aos ombros dele, enquanto a onda do prazer me atravessava. Ele me seguiu logo depois, com um gemido rouco que me arrepiou inteira, enterrando o rosto no meu pescoço, mordendo minha pele como um lobo que encontra abrigo. Ficamos ali. Ofegantes. Molhados. Selados. O silêncio entre nós dizia mais do que qualquer palavra. Naquela noite… Ele não era delegado. E eu não era uma ex de bandido. Éramos só dois seres humanos tentando se salvar um no outro. Eu não queria falar sobre nada. Nem sobre o medo, nem sobre o passado, nem sobre a poŕra toda que tinha nos engolido. Eu só queria ficar ali, com ele. Nos braços do meu homem. Depois que o corpo dele descansou no meu, ainda tremendo, ele me abraçou forte, e eu me deixei ficar. Encaixada, encaixada de um jeito que nunca tinha me sentido antes. Como se o meu corpo tivesse sido feito pra estar ali. Naquela exata posição. Com ele. Marcelo me beijou na testa. Um beijo demorado, quente… Um carinho que me desmontou mais do que o sexo. Me encostou devagar na pia do banheiro e, com os olhos ainda pesados de desejo, passou as mãos pelo meu cabelo, tirando as mechas coladas do vapor da água quente. - Vem. - ele disse baixinho, como se o mundo lá fora não existisse. Me pegou pela mão e me levou até o quarto. A luz estava baixa, e o som do ventilador fazia um barulho suave. Deitamos. Ele me puxou pra deitar no peito dele, e ali, eu me senti inteira. Nenhuma palavra. Só o som da respiração dele. Meus dedos desenhavam os traços da tatuagem no braço dele. Uma caveira, um olhar sombrio… mas naquele momento, ele só parecia um menino cansado do mundo. - Tá tudo bem? - perguntei baixo, só pra confirmar o que eu já sabia que não tava. Ele não respondeu com palavras. Só passou a mão devagar nas minhas costas, como quem agradece por eu estar ali. Aquele silêncio não era desconfortável. Era um silêncio bom. De quem já falou demais. De quem só precisa sentir. Fechei os olhos e me deixei embalar no calor daquele peito firme. O peito que agora era meu lar. E antes de dormir, ouvi a voz dele, bem baixinha: - Não vai embora, Bruna. - Nem se eu quisesse… - respondi, já sendo levada pelo sono. E naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, eu dormi em paz.
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