Chamas da Vida

3018 Palavras
Todos ficaram apreensivos com a dificuldade da rainha em dar à luz ao seu bebê, porém, o príncipe acabou aparecendo e como que por um milagre, a rainha conseguiu por seu filho no mundo sem nenhuma dificuldade. O rei Angus que segurava seu filho nos braços, olhava para Aklon sem conseguir para de sorrir, uma reação ao sentimento de gratidão que havia em seu ser. — Eu ainda não consigo acreditar no que acabei de presenciar! — dizia o rei Angus, não conseguindo conter as lágrimas que insistiam em rolar de seus olhos. — Como pode uma criança tão pequena ser detentora de tão grande poder? Lars que assistia tudo ao lado de sua esposa, não conseguia conter a emoção de ver seu filho, seu legado, ter conseguido realizar tamanho feito. Após o brilho que envolveu o pequeno Príncipe ter desaparecido, Lars o toma nos braços dando-lhe um beijo em sua face. Em seguida, ele e sua esposa decidem deixar casal real e também o bebê apenas sob os cuidados das sacerdotisas. Ainda no corredor, Lars conversa baixinho com Lídia a respeito do que aconteceu. — Bendito seja Janus e todo o panteão pelo presente que nos foi dado na forma de uma criança! Esse menino, assim como eu disse a você minha esposa há alguns meses atrás, possui um destino que está muito além de tudo aquilo que havíamos imaginado! — disse o príncipe após ter posto Aklon no chão e o menino saiu correndo como qualquer criança de sua idade. — Eu não consigo entender como que ele ao mesmo tempo em que se comporta como o maior de todos os sábios, adota um comportamento tipicamente de um menino de sua idade! Eu estou começando a concordar com você, meu marido, de que nosso filho na verdade nasceu para ser muito mais do que um rei! — respondeu Lídia enquanto observava o menino correr com outras crianças filhas dos nobres do palácio. Logo em seguida, Elora aparece no corredor e se coloca de frente a Aklon, o príncipe olha para a garota e voltando-se para seu pai, fazendo-lhe um pedido um tanto incomum. — Quando ela estiver maior meu pai, eu quero vê-la com a espada, uma espada tão linda e mortal quanto a sua! Minha estrela também será o meu escudo. Você promete meu pai? Promete que minha estrela será tão forte quanto você e o tio Remo? — de forma inocente, mas sem saber a repercussão, o menino perguntou ao pai. Lars ficou sem saber o que dizer ao filho, já que ele nunca havia pedido algo assim antes, muito menos ter mencionado assuntos que diziam respeito a qualquer tipo de arma. — Eu não entendo! Como ele sabe dessas coisas, marido? — perguntou Lídia. — Eu pensei que a gente havia combinado que você ensinaria a arte das armas para Aklon, somente depois que ele completasse dez anos! — Mas eu nunca ensinei nada para ele sobre armas! Talvez ele deva achar a minha espada bonita, só isso — respondeu Lars, demonstrado pouca firmeza em suas palavras. — Mas o fato de querer que Elora seja treinada… de onde ele tirou isso? E como ele sabe que sua espada é mortal? — indagou Lídia levando a mão ao queixo. — Isso eu também gostaria muito de saber! ♥♥♥ Uma semana se passou e todos os reinos vizinhos, bem como todas as províncias do reino de Slat foram convidados para a apresentação do príncipe recém-nascido. O nome do bebê ainda não havia sido apresentado, apenas o casal de duques o sabia, pois, o rei e a rainha decidiram fazer segredo a esse respeito e só revelariam o nome do bebê no momento em que ele fosse apresentado a seus súditos. O pátio principal que ficava em frente ao palácio real estava lotado de pessoas de todas as partes do reino, homens de todas as idades, mulheres de todas as idades e crianças nobres e plebeias. Assim como ocorreu na apresentação de Aklon, monarcas dos quatro reinos vizinhos vieram dar as boas-vindas ao mais novo futuro Rei, porém a surpresa se deu por conta da presença da rainha Zaila que fez questão de prestigiar o mais novo m****o da família real de Slat. — Me sinto honrada em ser a primeira dentre os monarcas a presentear o pequeno herdeiro! Trago presentes para adornar ainda mais a beleza e demonstrar a força que somente um rei pode possuir! — disse a rainha de Estakhr olhando para Aklon como se estivesse desdenhando do garoto. Lídia e Lars perceberam o sarcasmo da rainha e Remo também aparentou não ter gostado da atitude dela. Lídia abraçou seu filho, que lançava em direção a todos um olhar inocente, mas o que aconteceu em seguida deixou os presentes, principalmente Zaila, apavorados. Aklon olhou diretamente para a rainha com furor, mas somente a monarca conseguiu ver um brilho vermelho em seus olhos, como se ele conseguisse observar diretamente em sua alma. Ela abaixou a cabeça desviando seu olhar, apesar de tentar fazê-lo sem chamar a atenção, todos os que estavam ali presenciaram o desconforto da Rainha do Escorpião ao olhar nos olhos do príncipe. — Alguma coisa ela viu nos olhos de Aklon! — disse Angus de forma discreta para Neres. — Com certeza algo muito desconfortável. Essa mulher só possui más intenções, apesar de nunca nos ter feito nada, não confio nela. E parece que nosso amado sobrinho também não! — respondeu a rainha enquanto acariciava seu bebê. Um a um os reis depositavam os seus presentes diante do trono de acordo com cada país. Porém a rainha Zaila permanecia em um canto isolado do grande salão com cara de poucos amigos, ela observava a alegria de todos. Foi quando o rei tomou a palavra para apresentar seu filho de acordo com os protocolos reais e tradições de Slat. — É com grande felicidade que venho diante de vocês, meus amados súditos e amigos, compartilhar essa imensa alegria que através de um milagre me foi concedida, não só a mim, mas também, a minha bela rainha! Todos começaram a aplaudir interrompendo o discurso do rei, mas ele não se zangou, tão somente ria feito uma criança. Após cessarem os aplausos, o rei continuou com seu discurso. — Desde nosso casamento que temos rogado aos deuses que nos presenteasse com um herdeiro, mas como tudo acontece segundo sua vontade, eles atenderam no momento certo e hoje eu vos apresento Timo, o presente dos deuses! BENDITO SEJA JANUS E TODO O PANTEÃO! — BENDITO SEJA! — exclamaram todos na sala do trono em alta voz. O rei e a rainha deixaram a sala do trono e foram até o Capitólio, onde em frente ao mesmo estavam milhares de pessoas para verem o futuro Rei de Slat. Angus repete as palavras ditas na sala do trono e todos agradecem aos deuses pelo presente recebido. Lídia não conseguia se conformar com o fato de o rei nem sequer mencionar o feito de seu filho, pois foi graças à intervenção de Aklon que Timo pode vir ao mundo. — Por que você está tão triste? — perguntou-lhe Lars. — Você está estranha, Lídia. — Não foi nada! Apenas vejo que o segundo é sempre o menos importante! Com sua licença, pois eu não me sinto muito bem! Lídia deixou o Capitólio e seguiu na direção de seu quarto, seu marido não entendeu muito bem a atitude da esposa, mas no fundo ele sabia que seu coração estava triste pelo fato de ver que seu filho não poderia mais ascender ao trono. Lars decide não seguir Lídia e enquanto ela caminhava pelos corredores começou a sentir suas vistas embaralhadas e com medo de cair, ela se segura nas paredes do corredor até chegar aos seus aposentos. Uma serva que estava terminando de arrumar as camas percebeu que sua senhora não estava bem e imediatamente seguiu em seu socorro. — Minha senhora! A senhora não parece se sentir muito bem, vou pegar um pouco de água, mas antes se sente aqui na cama que eu já volto — Lídia sentou-se na cama ainda com um pouco de tontura e logo sua jovem serva retornou com a água. Ela agradeceu e então sua serva fez uma insinuação que por alguns momentos deixou a duquesa muito feliz. — Minha senhora! Por acaso, não estaria, minha senhora grávida? Pois tonturas e enjoos são sinais claros de quando uma mulher está carregando um filho em seu ventre! Lídia não teve palavras para responder sua serva, ela tão somente sorriu e depois de agradecê-la, pediu que a mesma se retirasse, pois, ela queria ficar sozinha. Lídia não conseguia conter a alegria em seu coração, mas a decepção veio logo em seguida, quando ela foi acometida por uma tosse incessante e quando foi colocar um lenço e sua boca para contê-la, a princesa ver riscos de sangue no mesmo. Nesse momento, a alegria de estar novamente esperando um filho escorre por entre seus dedos e a princesa começa a chorar copiosamente. ♥♥♥ Alguns dias depois, Aklon e Elora corriam pelo jardim enquanto a rainha Neres tomava sol com seu pequeno bebê. Lídia e Jensen conversavam e sorriam, mas não tirava os olhos dos dois que corriam em meio à gargalhadas por entre as árvores do jardim. Foi quando Lídia começou novamente com sua tosse, mas dessa vez ela não conseguiu parar. Lars que estava no campo com seu irmão observando as plantações, recebeu a notícia de que sua esposa não estava bem e imediatamente os dois retornaram ao palácio. Quando chegou, Lars se depara com sua esposa já muito fraca por conta de uma possível hemorragia interna causada pelo imenso esforço da tosse. O curandeiro somente olhou para o príncipe com o gesto negativo, acabando com suas esperanças. O príncipe começa a chorar e caminha em direção a Lídia que dorme por conta de uma e**a que a deixou sedada. — Mas o que aconteceu, em nome de Sara? Por que minha esposa está assim? ­—perguntou Lars em prantos ao curandeiro que respondeu apenas o que seu conhecimento era capaz de alcançar. — Parece que ela vem sofrendo desse m*l há muito tempo, alteza! Se ela tivesse buscado ajuda no começo, talvez estivesse quase curada, mas nesse estágio, essa doença já não possui mais possibilidade de cura! — cabisbaixo o curandeiro respondeu, Lars entrou em desespero. — E do que estamos falando? Que m*l é esse? — o príncipe pergunta aos prantos. — Pelo aspecto em que se encontra a princesa, a febre alta e a tosse com sangramento nos pulmões têm certeza de que a duquesa está com a febre VERDA — respondeu o curandeiro baixando a cabeça. — Verda? — indagou Lars ajoelhando-se ao lado da cama. — Mas essa febre é mortal para quem a contrai! Oh grande Sara, por que isso foi acontecer com ela? Ela me disse algumas vezes que estava sentindo algumas tonturas, mas eu nunca podia imaginar que fosse isso! — o príncipe debruçou-se sobre sua mulher e de joelhos chorava copiosamente. O rei Angus adentrou no quarto e sem nada dizer, ele se ajoelha ao lado de seu irmão e acaricia seus cabelos para consolá-lo. — Irmão, ela tem verda, a maldita febre verda! O que fizemos para merecer tal castigo? — dizia Lars enquanto chorava inconformado. — Não fizeram nada — respondeu Angus. — Os deuses sabem a quem imputam as maiores lutas e somente os mais bravos guerreiros as recebem e você, irmão, é um desses guerreiros! Tenho certeza de que há algo maravilhoso em tudo isso. — disse o rei, que se surpreende com a reação de Lars. — Maravilhoso? Como você tem coragem de dizer uma coisa dessas? — Lars indaga o irmão levantando-se rapidamente. — Não sei se você percebeu, mas, Lídia está morrendo e você diz que isso é maravilhoso! — Eu não disse isso, não deturpe as minhas palavras! Eu só disse... Lars interrompe o rei empurrando-o para longe de si. — Você ficou louco, Angus! Seu fanatismo te faz pensar como um débil! Os deuses estão levando a minha esposa, a mãe do meu filho, a mulher que amo e você me dizer para aceitar, pois tudo faz parte do maravilhoso plano deles? O rei arregalou os olhos sem ter palavras para responder. —Pois se eles me imputaram essa batalha por que eu sou forte, eu digo a eles que quero ser fraco!  — Lars com indignação prosseguiu. — Eu prefiro ser fraco e tê-la ao meu lado, você entendeu Angus?! — o príncipe senta-se no chão próximo a janela e todos os presentes apenas observam sua dor. Neres não consegue se contiver e chora juntamente com seu cunhado. Angus também não reprime Lars, pois sabe que a dor de seu irmão é sem igual. De repente Lídia abre os olhos e sua respiração começa a falhar. O desespero toma conta de todos e então Aklon entra no quarto gritando e dizendo que não aceita que sua mãe morra. Lars toma o filho em seus braços e tenta tirá-lo do quarto, mas ele se recusa a sair. — Mãe! EU NÃO QUERO QUE MINHA MÃE MORRA! NÃO! — o menino gritava desesperado. Foi quando uma ventania entrou pela janela soprando com força. Lars não consegue mais segurar Aklon, pois o mesmo está com um peso fora do normal e ele o põe no chão.   De repente os olhos do menino começaram a brilhar intensamente e ele começa a dizer palavras desconhecidas até mesmo pelas sacerdotisas que se faziam presentes para os últimos momentos de Lídia. As palavras foram recitadas como um mantra antigo. —”Tiden din kommer bare når jeg bestemmer meg! Må livets flammer tennes på deg”! Enquanto o vento soprava, Aklon olhava para sua mãe e recitava o mantra, até que ela se acalmou e a ventania também sessou. O curandeiro juntamente com a sacerdotisa Iliana tocaram em Lídia e viram que sua temperatura havia baixado e a respiração da princesa estava voltando ao normal. — Essa língua não é conhecida! Mas é a mesma falada por ele durante o parto da rainha! O que é essa criança? — perguntava a sacerdotisa enquanto olhava diretamente para Aklon. — Ele é um enviado dos deuses — respondeu o curandeiro. — Ele é um Fated! Feito pelas mãos do próprio Janus e conhecedor de tudo o que somente os deuses são sabedores! Välsignad varä, meu príncipe — o curandeiro, que também era conhecedor das artes da magia, se curvou diante de Aklon que já apresentava um comportamento normal. O menino nada disse, apenas correu para junto da mãe e a chamou. Enquanto todos não sabiam o que dizer, Lídia abriu os olhos e sorriu para o filho. — Olá, meu bebê! Você está bem, minha vida? — perguntou a princesa acariciando o rosto do filho. — Eu te amo, mãe e não quero perder você nunca — o menino abraçou forte sua mãe e Lars fez o mesmo, sem se importar o que se passava nos pensamentos dos demais. Horas depois e já em seus aposentos, Angus e Neres não falavam de outra coisa senão o ocorrido com Lídia. — Realmente, senhor meu esposo e rei, seu sobrinho não é uma criança comum e isso me deixa um pouco nervosa! — disse Neres em tom de desconfiança. — Mas por quê? Que perigo Aklon poderia representar para nós? Ele salvou você e o nosso filho, isso é tudo. — respondeu o rei abraçando sua esposa e olhando para Timo que dormia tranquilamente no berço. — E também acabou de salvar a mãe — completou Neres. — Mas será que essa bondade é para sempre, ou apenas fruto de sua condição como criança? — perguntou Neres olhando e sorrindo para seu marido. Pouco tempo depois, todo o palácio já sabia do ocorrido e Remo se enche de orgulho em poder servir a aquele a quem considerava um escolhido do próprio Janus, mas a pergunta era... qual o propósito de Elora na vida de Aklon? ♥♥♥ Cinco anos se passaram e Aklon já com doze anos. Ele ficava cada dia mais belo e mais inteligente, tanto que foi chamado o maior de todos os magos de Slat para cuidar de seu aprendizado. Seu nome era Magnus, o grande e veio da cidade portuária de Bremen, uma rota comercial importante de Slat. Magnus era conhecido por seu grande conhecimento nas artes antigas e quando soube de Aklon, logo chegou à conclusão que ele poderia ser um Fated, um predestinado dos deuses para algum grande propósito não somente para Slat, mas sim Erdhania e todos os seres viventes. Ele também decifrou a língua falada pelo príncipe nas duas ocasiões em que seus poderes se manifestaram. O mago a descreveu como sendo uma língua falada por uma civilização que havia habitado as terras de Slat muito antes deles e que nunca se provou sua existência, mas Aklon poderia ser a chave de uma incrível descoberta. Elora, assim como foi pedido por Aklon, começou seus primeiros treinamentos com a espada. Por mais incrível que podia parecer, a garota possuía uma habilidade natural com a arma, deixando seu instrutor admirado. — Isso é inacreditável! Como pode uma menina tão nova como você já possuir uma habilidade tão grande com a espada, Elora? — perguntou o instrutor. No momento em que Elora iria respondê-lo, eis que surge o jovem príncipe com a resposta. — É por que ela é uma estrela! A minha estrela e as estrelas, Marius, já nascem brilhantes e poderosas! — ele respondeu escorado na cerca. Elora sorri para o príncipe e em seguida o reverencia juntamente com Rogon, um dos soldados mais valentes do reino. Aklon não deixa que Elora se curve diante dele, dizendo que sua estrela jamais deveria repetir tal gesto novamente. Ela sorriu e o príncipe diz ao instrutor que já chega de treinamento para Elora naquele dia. Os dois saem para caminhar e conversarem sobre os últimos acontecimentos, sendo que dentre os mesmos, muitos foram dolorosos, principalmente para o príncipe.  
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