A Dor de não Poder Dizer Adeus

3277 Palavras
Elora retornou para sua casa e sua mãe pediu a ela que fosse até o quarto pegar uma tolha limpa e forrar sobre a mesa. A menina fez conforme sua mãe havia pedido, mas ao retornar para a cozinha, Elora se depara com sua mãe caída de bruços sobre o chão. Ela correu em direção à sua mãe, sacudindo-a para que despertasse, mas já era tarde demais. — Mãe, por favor, acorda mamãe! — gritava a menina cujos gritos acabaram chamando a atenção dos trabalhadores que passavam por ali. — Menina, o que houve? — perguntou uma das servas. — É minha mãe, ela não acorda! Por favor, ajude ela! — dizia Elora chorando desesperadamente. Ao tocar sua senhora, a serva percebe que o corpo de Jensen jazia sem vida. A serva fecha os olhos em sinal de tristeza e vai até sua casa pedir ao marido, que avisasse ao General Remo no palácio. O servo fez o que sua esposa o havia pedido e correu de encontro ao senhor daquelas terras, lá ele o avista, mas é impedido de entrar. Então Lars decide ver do que se trata e o servo lhe dá a triste notícia, “a esposa de Remo, senhor, ela está morta”! Com uma tristeza que saltava ao seu olhar, Lars chamou Remo em particular deixando o rei Angus curioso. O rei observa uma expressão de tristeza no rosto de seu capitão, então se aproximou e tornou-se sabedor do terrível acontecimento. — Eu sinto muito. — disse o rei dando um abraço em seu amigo. — Certamente ela já está sendo amparada pelos deuses. Prontamente, Remo seguiu para sua casa e lá, m*l pôde acreditar ao ver o corpo de sua esposa deitado sobre a cama. Ele se debruçou sobre ela e chorando se lembrou dos momentos felizes em que passou ao seu lado. Elora chorava copiosamente e seu pai tentava consolar a menina, mas suas palavras não surtiam tanto efeito. ♥♥♥ No palácio real, Lars estava a caminho de seus aposentos, quando encontrou Aklon que vinha correndo na direção oposta. — O que houve filho? — o príncipe perguntou notando que o jovem parecia bastante tenso. — Preciso ver Elora, preciso vê-la imediatamente. Eu estava trocando de roupa e quando olhei para o lado, vi Elora em meio a um Rio cujas águas eram tão transparentes que se podia ver o fundo, mas ela estava triste. Ela está triste, está sofrendo, eu posso sentir. — respondeu Aklon com a respiração ofegante. Era como se realmente ele estivesse sentindo algum tipo de dor, o que deixou Lars encabulado. — Então você ainda não soube? — perguntou-lhe seu pai. — Soube do quê? — Aklon pergunta desconfiado. — Jensen, ela faleceu esta manhã. Um dos servos da família veio dar a notícia. — com semblante triste, Lars falou. Lágrimas rolaram do rosto de Aklon, pois ele descobriu do que se tratava a sua visão. — Leve-me até lá, papai, por favor. Preciso estar junto de Elora nesse momento de dor! — disse o jovem príncipe em meio a uma grande tristeza. Lars assentiu e não demorou em que ele e seu filho chegassem à mansão de Remo. Aklon foi imediatamente procurar por Elora, mas não a encontrou na casa.  — Ela não está aqui, meu senhor. — respondeu uma das servas — ela deve estar na beira do riacho, lugar aonde sempre ia com sua mãe e quando se sentia triste também. Aklon apenas piscou os olhos para a serva em sinal de agradecimento e seguiu para o riacho ao encontro de Elora. Ao chegar lá, ele a vê sentada em uma pedra segurando um flor. Ela não estava chorando, mas de alguma forma o jovem príncipe podia sentir a imensa dor que estava em seu coração. — Eu entendo sua dor. — disse ele a uns dois metros de distância — eu sei o que você está sentindo, pois eu senti igual quando perdi a minha mãe. — Me responda uma coisa, alteza?! — Elora perguntou sem olhar para trás — se os deuses são os protetores da humanidade, por que permitem que coisas assim aconteçam? Por que eles levaram minha mãe dessa forma, sem ao menos dar a chance de me despedir dela?! Elora continuou segurando a flor e olhando para as águas rasas do riacho cuja correnteza se chocava com as pedras, fazendo um barulho agradável. Aklon aproximou-se devagar de Elora e sentou-se ao seu lado na pedra. O príncipe então começou a dizer palavras que para Elora não faziam o menor sentido naquele momento. — O que aconteceu com sua mãe não tem nada a ver com os deuses, minha Estrela. Aliás, eles não têm nada a ver com o que aconteceu. Assim como com minha mãe, a sua foi apenas uma vítima da casualidade! — ele disse olhando para as nuvens que davam um tom especial com o imenso azul do céu. — Todos nós temos um tempo a cumprir nessa terra e nossas mães cumpriram o delas. Elora finalmente olha para Aklon, mais para questioná-lo a respeito de sua visão sobre tudo aquilo. — O senhor fala comigo como um sábio, como se eu fosse entender o que o senhor diz, mas não tenho a capacidade para compreendê-lo, meu senhor. Minha mãe se foi e agora eu não sei o que vou fazer sem ela, já que ela era tudo o que eu tinha. — disse Elora com lágrimas nos olhos. — como eu vou viver agora, como vou crescer sem minha mãe? Aklon não resiste ver as lágrimas de sua favorita e a abraça calorosamente, fazendo com que ela chorasse em seu ombro. Assim ela o fez, chorou copiosamente nos braços daquele que, mesmo jovem, já era seu senhor. Enquanto o príncipe acariciava os cabelos de Elora, ele finalmente conseguiu confortá-la com suas doces e cálidas palavras. — Quanto a estar sozinha, não se preocupe você é minha estrela e eu irei cuidar para que você nunca se sinta sozinha amada minha. Eu farei de você a estrela de Slat, a guerreira mais poderosa que esse mundo já viu e até mesmo os deuses irão se maravilhar com sua força. Eu prometo isso a você. — ele concluiu confortando Elora em seu ombro e com o calor de seu puro amor. ♥♥♥ Algumas horas se passaram e Remo deu por falta de sua filha. Ele foi até o quarto da menina e ela não estava lá. Remo a procurou por toda a casa, quando finalmente encontrou a serva que revelou o paradeiro de Elora. — Ela está no riacho, meu senhor. Certamente está na companhia do príncipe Aklon, já que ele a procurou pouco depois dela ter dito a mim que iria ao riacho e os dois até agora não retornaram. — respondeu à serva. — Obrigada, Marlene! — agradeceu Remo — vou atrás da minha filha. Ao aproximar-se da porta, Remo se depara com um dos magos que estava a serviço de Magnus. O jovem olha diretamente nos olhos do chefe da guarda e o adverte.  — Deixe-os, meu senhor! Se existe um lugar onde sua filha possa encontrar alento para o seu sofrimento, este certamente é na companhia do príncipe. O destino dos dois é um só e tudo isso servirá para que se unam ainda mais, tornando-os cada vez mais fortes — disse o jovem. O mago era um rapaz de pouca idade ainda. Cabelos brancos, longos e lisos e, olhos que mais pareciam feitos de cristal e seu rosto era fino e delicado. Seu nome era Lukyan, um pouco mais velho que Aklon, mas apesar de ainda ser praticamente uma criança, a presença do jovem fez com que Remo ficasse completamente paralisado pela forte energia que emanava do mesmo. Remo nada disse, ele pensou em não dar ouvidos ao que o mago havia dito, mas sentiu em seu coração que deveria fazer o que lhe fora aconselhado. Remo retornou para a sala onde já estava o corpo de Jensen devidamente preparado para o funeral. O rei havia mandado dizer que Jensen, por ser esposa de um homem influente em Kels, seria preparada para o enterro no templo dos doze diante de Sara, a deusa das mulheres e dos casamentos. Assim, Jensen teria um belo cortejo fúnebre e depois seria enterrada com as honras de alguém da alta nobreza. — Diga ao rei que o agradeço e pedirei todos os dias que os deuses o abençoem cada vez mais! — disse Remo ao mensageiro para que o mesmo reportasse ao rei. ♥♥♥ Todas as honras foram feitas em homenagem à esposa de Remo, um cortejo grande a seguiu até o templo dos doze, onde ela recebeu todas as bênçãos por parte das sacerdotisas e também do conselho dos magos. Durante o cortejo que se seguia, Angus e Lars caminhavam lado a lado conversando a respeito da impactante morte de Jensen. O rei se disse surpreso pela rapidez com que tudo aconteceu e que nem mesmo ele estava preparado para uma surpresa tão desagradável. Estariam os deuses punindo a família do capitão da guarda real de alguma forma? — Eu não acredito que estejam sendo alvos de algum tipo de punição da parte dos deuses. — respondeu Lars enquanto olhava para Remo logo mais à frente consolando sua filha — eu acredito mesmo é que tudo não passou de uma triste fatalidade, assim como aconteceu com minhas falecidas esposas. — É você pode ter razão meu irmão, às vezes em nossas vidas acontecem coisas que por mais que tentamos achar explicação, nunca conseguimos satisfazer nossa curiosidade do porquê de tais devaneios. — o rei complementou concordando com as explicações de Lars. — E Por falar em surpresa, foi exatamente assim que eu fiquei. Surpreso com atitude de Aklon. Você acredita que ele parecia saber de tudo antes mesmo de eu contar a ele?! — disse o duque, o rei arregalou os olhos. — Acredito! — respondeu o rei. — Eu só gostaria de saber quando é que você vai parar de enxergar o seu filho como uma pessoa comum e admitir de uma vez por todas que ele é especial! Aklon foi escolhido pelos deuses para algum tipo de propósito neste mundo, Lars. Isso a gente pode ver apenas ao olhar para ele e é por isso que eu farei do meu sobrinho um homem do qual não somente o nosso reino, mas todo o mundo sentirá o orgulho. — a pesar do momento de tristeza, o rei respondeu com um largo sorriso. Lars chamou sua atenção. Os dois irmãos seguiram juntos no cortejo montado em seus cavalos até chegarem ao templo. Angus ainda disse ao seu irmão que dentro de dois anos iria enviar Timo para a cidade de Bremen, onde lá ele teria a educação necessária para se tornar o rei de Slat. Seu irmão achou uma ideia brilhante, mas sabia que sua cunhada Neres iria se opor com todas as forças e tentaria impedir que seu filho fosse enviado para longe dela. O rei concordou, mas disse que nesse caso a rainha não tinha poder para decidir o futuro de um rei. — Eu vou sentir muita pena de meu sobrinho, pois sei que ficará muito solitário por lá, mas estou pensando em enviar Regem para Bremen também assim que tiver um pouco mais velho. Ao atingir a idade certa eu enviarei para aprender a ser um bom príncipe e ajudar o irmão a ser o braço direito do Rei. — completou Lars cheio de orgulho dos filhos. O rei Angus pensou em qual seria a razão de seu irmão enviar o filho mais novo para um lugar tão longe e nem se quer tocar no nome do mais velho. Ao chegarem ao templo dos Doze, Aklon, mesmo com sua pouca idade, já era considerado um grande sábio do reino, ele proferiu belíssimas palavras em homenagem a uma mulher que mesmo sem saber iria significar muito para todo seu povo. — Grande é o pesar por termos perdido uma pessoa tão amada. Ela viverá eternamente em nossos corações como conforto e orgulho. Que ela possa descansar em paz e seu espírito encontrar os caminhos de seus antepassados, onde ali ao lado deles permanecerá para todo sempre! Após o discurso do príncipe, Jensen foi levada para ser sepultada em sua cidade natal, Clessis, ao lado de seus avós. Elora chorava copiosamente, mas no fundo, a menina sabia que dali por diante teria que continuar e aprender a viver sem sua amada mãe ao seu lado. Ela olhava para Aklon e seu coração se encheu de conforto por saber que seu príncipe seria para ela o apoio e o porto seguro que viria a necessitar em seu futuro. — Não se preocupe minha estrela, pois eu sempre estarei com você! ♥♥♥ Dez anos se passaram e durante esse período, a rainha de Estakhr já havia começado a promover tensões em todas as partes do continente principalmente por sua aliança ter sido fortificada com o rei de Zuhluh. O rei Duhla passou a ameaçar o reino de Anísia, alegando que seu soberano havia promovido um ato de guerra contra ele ao manter o navio de seu filho detido em um de seus portos, porém, o rei Finard disse que o príncipe de Zuhluh invadiu as águas de Anísia e ao invés de se retratar por conta disso, ele aprisionou um dos almirantes da marinha anísia e ameaçou assassiná-lo caso Finard não o deixasse partir. Finard então pediu ajuda a Kelonnia e Slat, que enviaram uma mensagem a Duhla dizendo que se o mesmo libertasse o almirante, o navio de Zitak estaria livre para partir, pois as nações de Vinyah não desejava um conflito intercontinental. Duhla respondeu dizendo que acataria o pedido de Slat e Kelonnia, mas que não perdoaria Anísia por tal afronta. Naquela mesma semana, o príncipe Zitak libertou o almirante anísio e retornou para Zuhluh prometendo vingança. ♥♥♥ Dias depois, espiões de Slat que estavam sob as ordens do príncipe Aklon, agora Duque de Kels, reportaram a ele e ao rei, que Duhla estava em Estakhr e que ele e a rainha Zaila haviam formado uma aliança. Segundo o espião, Zaila daria respaldo a Duhla para que atacasse Anísia e as nações do Targol não poderiam interferir. Então Aklon pediu a Angus que o conselho deveria se reunir novamente diante dessa ameaça. — Não podemos deixar que a paz no continente seja abalada por que um de seus países anseia por guerra! —Aklon alertou o rei, que concordou e enviou uma carta aos cinco países m****o do Targol para que comparecessem na sede do conselho que ficava em Kelonnia. Aklon enviou seus mensageiros para que entregasse as cartas a cada um dos reis, inclusive Zaila. A rainha foi à única monarca que não enviou resposta, mas, os demais responderam que iriam comparecer principalmente Finard que era o mais interessado em tudo isso. Finard havia assumido o trono no lugar de seu pai, Nasron, que faleceu devido a ter contraído a febre verda. Ironicamente, Aklon com seus estudos, encontrou a cura para a doença três meses após o seu falecimento. Antes de partir, Aklon foi fazer uma visita a alguém muito especial e ao chegar à mansão de Remo, ele vê Elora com sua espada em punho. Ela mais parecia uma deusa da guerra com aquela armadura cuja luz do Sol iluminava deixando-a ainda mais bela. — Não há exército que permaneça de pé diante de tanta força e beleza! — disse o príncipe apoiando-se na cerca. Ao ver que se tratava Aklon, Elora se ajoelha rapidamente em reverencia ao príncipe. Ele se aproxima dela e pede para que fique de pé. Elora havia se tornado uma mulher de esplendorosa beleza, agora com seus vinte anos, seu corpo adquiriu curvas exuberantes por conta do treinamento físico que recebeu ao longo dos anos, esmo assim sua feminidade não se perdeu. A jovem era uma das mais cobiçadas pelos rapazes do reino, porém, Aklon era o primeiro da lista. Seus olhos azuis e lábios carnudos, com o rosto fino e cabelos negros indo até a cintura, ela sem querer seduzia a todos a sua volta. Como característica principal, a moça usava o cabelo preso por três tranças que iniciava no too da cabeça e se uniam em uma só a partir da nuca. — Quantas vezes devo lhe dizer que não permito que dobre seus joelhos diante de mim? Você não é um soldado, muito menos minha serva para que haja de tal modo! — disse ele enquanto segurava sua mão, ajudando-a a levantar-se. Aklon havia crescido e se tornado um belo homem. Seus cabelos ondulados e negros na altura dos ombros lhe dava um charme todo especial, porém seu olhar mudou com o passar dos anos, de um azul e frio, seu olhar era mais sereno e doce. Ele ficou com uma estatura significativa e porte físico atlético. Muitas eram as jovens que sonhavam em um dia serem escolhidas por ele como esposa e até mesmo uma disputa era realizada entre as nobres para ver quem conquistaria primeiro o seu coração. — Posso não ser um soldado ou uma serva, mas sou um súdito como qualquer outro. E a que devo a honra de sua visita, meu senhor?! — disse Elora desviando o olhar. — Na verdade, eu vim me despedir — respondeu o príncipe — o rei e eu partiremos em comitiva para Kelonnia, pois o Targol foi acionado. — O Targol? — perguntou Elora pasma. — Sim! Meus espiões descobriram que Zuhluh e Estakhr fortaleceram sua aliança e agora eu temo que as duas nações possam se unir contra nós. Nós que eu digo é todo o continente. Por isso devemos reunir o conselho para que assim possamos evitar esse desastre — respondeu Aklon. — Não podemos permitir que outra guerra aconteça, pois já houve sofrimento demais na última vez que tivemos uma. — Há muito tempo que venho ouvindo rumores de que Zaila pretende promover uma nova Guerra, ela fechou seu país e cortou laços com as nações vizinhas. Agora com essa aliança com Zuhluh, à coisa fica ainda pior! — reiterou Elora — ela tem atacado cidades vizinhas à fronteira, alegando invasão, mas na verdade o que ela quer é provocar um confronto entre Slat e Estakhr. — Eu percebi essa estratégia de Zaila. Por isso tenho segurado o meu tio de todas as formas para que ele não bata de frente com ela. —Suspirou — ou isso significaria uma guerra entre Estakhr e Slat, coisa para a qual ainda não estamos preparados. Elora olha para Aklon e fica admirada com tanta sabedoria, ela fica sem tão admirada sem saber o que responder e muda o rumo da conversa. — E o príncipe Timo? Já faz oito anos que ele foi enviado para Bremen. — Pelo visto, ele permanecerá lá por mais tempo, até que esteja pronto para assumir um posto como oficial da corte. Mas ele não está sozinho lá, Regen está com ele e os dois farão companhia um ao outro. — O príncipe responde sorrindo. — Agora eu devo partir. Precisamos chegar ao conselho o quanto antes. Logo estarei de volta, minha estrela, cuide do reino! Aklon deu um cálido beijo na mão de Elora e retorna para o palácio. Ela o observa enquanto seu príncipe cavalga tendo seus negros e brilhantes cabelos sendo movimentados pela brisa suave que soprava, "você não deve, Elora. Você não pode nem pensar nisso"! A jovem pensou e volta aos seus afazeres enquanto o príncipe prepara sua longa viagem.  
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