A Ascenção de uma Deusa

3034 Palavras
O Rei Duhla escolheu seu guerreiro, era Bomani. Um homem extremamente forte, que punha medo em seus oponentes só de olhar para eles. Aklon deu um sorriso de canto de boca ao ouvir o rei de Zuhluh perguntar se o príncipe iria desistir de seu desafio. — Jamais, Majestade! Lembre-se de que aquele que voltar atrás, será chamado de covarde pelo seu próprio exército! — Então escolha logo o seu guerreiro, meu rapaz e pare com essa enrolação. — bradou o rei Duhla com imponência. — Sua espera chegou ao fim, Majestade! Eu lhe apresento o guerreiro, ou melhor, a guerreira que irá sobrepujar seu cavaleiro e acabar com esse conflito antes mesmo de ele começar. Elora Landre, essa é a guerreira do rei de Slat! — exclamou Aklon apontando para Elora. Todos foram tomados de grande susto ao ver que Aklon escolhera Elora para enfrentar Bomani. Apenas Ragnar, Rodney, Ivair e Brendo não ficaram surpresos, pois estes havia sentido a força da jovem e sabiam que aquela seria uma luta e tanto, mas rei Angus ficou sem palavras diante do que acontecia e Finard não conseguiu se contiver.  — Mas que brincadeira de mau gosto é essa, Angus? Seu sobrinho não tem noção não? — perguntou o rei Anísia sacudindo os braços. — Estou começando a achar que não — respondeu o rei que em seguida dirige-se para o sobrinho. — Você perdeu o juízo, Aklon? Essa não é a hora de ficar com complexo de deus! Pare com isso enquanto é tempo! — Lamento meu tio, mas tempo é algo do qual não disponho no momento! Porém, se não confia em mim, pelo mesmo observe! — respondeu Aklon com ironia. Diante do grau que a situação havia atingido, Angus não teve alternativa senão a de aprovar a decisão de seu sobrinho e então ele deu sua bênção a Elora como sua guerreira representante. O rei Duhla vendo de quem se tratava a escolha de Aklon e a aprovação do rei, começou a sorrir dando gargalhadas de Elora. — Mas isso só pode ser piada! — exclamava o rei sendo apoiado pelo seu exército. Bomani imediatamente recusou-se a enfrentar a guerreira, alegando não ser obrigado a tal rebaixamento. — Eu, Bomani, a tempestade do Norte, me recuso a essa humilhação! Vamos rei Angus, apresente seu guerreiro! — o cavaleiro bradou com arrogância. Angus olhou para Bomani e em tom de ironia respondeu.  — Você não ouviu meu sobrinho, cavaleiro? Eis a sua frente à guerreira que você irá enfrentar! Mas também pode desistir e fazer com que seu rei seja chamado de covarde diante de todos por que seu guerreiro mais forte se recusou a enfrentar uma garota! — disse o rei de Slat de modo zombeteiro. Duhla ficou sem argumentos diante de Angus e Bomani enfurecido, fincou sua lança no solo e desceu de seu cavalo para dar início à luta. Duhla deu instruções ao seu cavaleiro e uma delas soou como ofensa a Elora. — Pode pegar leve, Bomani. Pois estou vendo que a guerreira do rei é de uma formosura incontestável. Dê apenas uma bela surra para que os reis aqui presentes aprendam que não se deve desafiar Duhla dessa forma e depois, eu irei requerê-la como prêmio extra para adornar a minha cama! — falou e sorriu logo em seguida com deboche. Elora desceu de seu cavalo e se posicionou diante de Bomani. Ela deu um sorriso de canto de boca e a resposta que daria ao rei deixaria todos boquiabertos. — Vamos fazer melhor, Majestade — ela falou caminhando devagar em direção a Duhla. — Se seu cavaleiro durar mais do que três minutos em minhas mãos, eu não somente irei adornar a sua cama, como serei sua escrava de livre e espontânea vontade pelo resto dos meus dias! A resposta de Elora ao rei de Zuhluh deixou todos admirados. "Que garota mais ousada" pensou Finard. Duhla se enfureceu com a resposta da jovem e disse para Bomani não poupar esforços com aquela garota atrevida. Bomani disse que não seria necessário, já que não teria de fazer o menor esforço para derrota-la. — Coitado, não sabe aonde se meteu! — disse Ivair aos seus companheiros que começaram a dar risadas do cavaleiro zuhluh. — Que comecem — exclamou o rei Finard. Os dois guerreiros assentiram e se colocaram em posição de combate. Aklon montou novamente o seu cavalo e todos os que estavam ali se tornaram espectadores de um evento que seria inesquecível. Bomani caminhou em direção a Elora acelerando o passo progressivamente empunhando sua tão pesada espada. A guerreira se posicionou para bloquear o golpe e ela sabia que seria poderoso. Duhla já dava a luta por encerrada, mas quando Bomani golpeou a jovem, ela revidou com sua espada fazendo com que o cavaleiro sentisse uma pressão jamais por ele experimentada. Duhla foi tomado de espanto ao ver que, logo após bloquear o golpe de Bomani, em um movimento extremamente rápido, Elora sobe através do ombro do cavaleiro acertando suas costas com um chute. Bomani abre os braços e sua expressão era de dor ao sentir a imensa pressão do golpe. Todos ficaram admirados e um brado se ouviu em meio aos exércitos de Slat e Anísia. Bomani se encheu de fúria e avançou contra Elora em um ataque rápido, mas a guerreira foi mais rápida ainda, escorregando e passando por entre as pernas do cavaleiro zuhluh e novamente com um chute ela golpeia por entre os joelhos. — Ela é muito rápida e está se aproveitando do enorme tamanho de Bomani para atacá-lo por baixo! Onde você encontrou essa garota, Angus? — perguntou Finard maravilhado enquanto Bomani furioso tentava acertar ao menos um de seus ataques em Elora, mas tudo o que conseguia era levar um soco atrás do outro. O tinir das espadas ecoava pelo vale que cercava a imensa planície, até que em uma invertida m*l planejada, a espada do cavaleiro ficou com a base presa à de Elora. A jovem aproveitou-se da situação para desarmar definitivamente o guerreiro do rei. Ela não somente o desarmou como atirou sua espada para longe cuja força e velocidade foram tão grandes fazendo com que espada ficasse cravada em uma rocha. Um jovem cavaleiro zuhluh que estava a alguns centímetros à frente da rocha, viu a espada passar raspando por sua cabeça arrancando-lhe alguns fios de cabelos. — Ah, meu Deus! — exclamou o jovem em voz baixa. Tomado de curiosidade, um dos cavaleiros tentou retirar a espada da pedra, mas não obteve sucesso, o que levou todos ali a pensar que a luta estava perdida para Bomani. Uma luta braçal deu início e Elora se esquivava de cada golpe proferido por Bomani que a essa altura não dava ouvidos nem mesmo a seu rei que insistia em dizer para ele manter a calma. — Bomani, não ataque com raiva, pois é isso o que ela quer! — gritava Duhla que começava a ficar nervoso. O cavaleiro não conseguia ouvir seu rei e Aklon observava o tempo passar e ver a derrota de Bomani cada vez mais perto. Foi quando Elora decidiu dar o golpe de misericórdia. Ela subiu nos ombros do cavaleiro e começou a apertar seu pescoço com suas pernas. — Nossa! Dois minutos e você já perdeu completamente o foco, cavaleiro?! Vamos acabar logo com isso, sim?! — ela falou com deboche. Bomani caminhava de um lado para o outro tentando fazer com que a jovem se desequilibrasse e caísse, mas foram em vão suas tentativas. Já perdendo as forças pela falta de oxigênio, ele cai de joelhos e Elora seguiu forçando seu pescoço. Até que Bomani perdeu parcialmente a consciência e tombou de vez. — Venceu! — disse o rei Duhla desolado. — Ela venceu… essa garota franzina venceu meu maior guerreiro! Isso não pode estar acontecendo! Os soldados sem acreditar no que haviam acabado de presenciar, se deram conta do feito de Elora e todos gritaram em uma só voz dizendo “bendita seja aquela que possui a força de Arukhya”. Elora se volta para os reis de Anísia e Slat e os reverencia dedicando a vitória principalmente a Finard, que teve seu reino livrado de uma batalha infeliz. Mas Bomani não aceita a derrota e se levanta correndo em direção a Elora. Ele retira uma adaga de sua cintura na intenção de atacar a jovem de forma traiçoeira. Aklon grita para Elora olhar para trás. Tendo seu instinto de guerreira bastante aguçado, ela sabia que algo errado estava acontecendo, então, Elora também tomou uma adaga que estava presa em sua armadura na parte interna de sua coxa e arremessou contra Bomani acertando seu ombro esquerdo. Ele foi atingido com tanta força que o fez recuar alguns passos para trás. Vendo tudo aquilo, Duhla desceu de seu cavalo e caminhou até Bomani. Para os zuhluh, a atitude covarde do cavaleiro fez com sua vergonha se tornasse ainda maior. Então o rei, sem nada dizer, empunhou sua espada e com um único golpe decapitou Bomani diante dos três exércitos e sua cabeça rolou por alguns metros até parar aos pés do rei Finard. — Nossa! — exclamou o rei Angus. Apesar de ter ficado perplexo com a atitude de Duhla, Angus entendeu que aquela era a regra de Zuhluh e para eles, era desonroso perder uma luta e tentar m***r seu oponente vencedor pelas costas. Diante de tal ação a pena era a morte. Duhla ficou parado diante do corpo de seu cavaleiro enquanto olhava diretamente nos olhos frios de Aklon. A sensação do rei era de que o jovem príncipe já sabia do desfecho daquela situação antes mesmo de ela acontecer e que tudo havia sido feito de caso pensado Duque de Kels. — Meu guerreiro perdeu a luta e eu, como dei minha palavra, partirei das terras de Anísia com meu exército e me coloco na posição de e*****o de Finard e Angus se assim desejarem — disse o rei admitindo sua derrota. — De maneira alguma, Duhla — respondeu Finard em alto e bom som. — Não adotamos esse péssimo costume de escravizar pessoas e tenho certeza de que Slat também não, por tanto, além da condição de você sumir das minhas terras com seu exército, também libertará seus escravos sob condição de ser conhecido como um rei sem palavra se não o fizer! — exclamou o jovem rei Finard sendo ovacionado por seu exército. Duhla assentiu e olhando para Elora, ele a elogiou dizendo que o treinamento dado a ela por Aklon certamente valeu a pena. — Vejo que Bomani foi apenas o primeiro dentre muitos que ainda virão a sucumbir diante de você, guerreira do rei. Mas não se alegre, pois essa não foi à última vez que nos vimos e na próxima vez que estiver diante de você de novo, eu não serei imprudente e arrogante feito Bomani. Você demonstrou ser o tipo de guerreiro que não pode vencer com músculos. O rei de Zuhluh montou em seu cavalo e deu a ordem para que seu exército retornasse à sua terra natal. Os homens de Anísia e Slat comemoravam a vitória dando honras a Elora e a Aklon, que a trouxe para o campo de batalha impedindo que milhares fossem mortos naquele dia. Remo também ficou tomado de orgulho ao ver sua filha sendo comparada a uma deusa da guerra pelos exércitos de Slat e Anísia e não se conteve, abraçando e beijando o rosto da filha com carinho. Os dois exércitos vencedores também retornaram para Ulay, capital de Anísia. Uma grande festa foi dada em homenagem a Elora que estava sendo chamada de “a favorita de Arukhya”, uma vez que os anísios também cultuavam o deus como sendo a divindade da guerra, da força e da justiça. — Eu ainda não consigo acreditar no que aconteceu em Sobek! — disse o rei Finard ao rei Angus enquanto observava os homens comerem e beberem. — Como uma garota tão bela e de aparência frágil pode ser detentora de tamanha força? — Isso, meu amigo, somente os deuses podem explicar! Mas os méritos também devem ser dados a meu sobrinho Aklon, já que foi ele que sempre confiou na capacidade de Elora, quando todos nós duvidamos! — respondeu Angus bebericando uma caneca de vinho. — Isso é verdade! Aklon é um homem que também não aparenta ter a capacidade que tem — conformou Finard. — Primeiro por ser tão jovem, segundo por não ter o porte de um guerreiro poderoso como é você e como foi seu pai! Sentados à mesa, eles continuaram a conversar e observar a felicidade dos homens e também de Elora. Aklon fez questão de sentar-se ao lado de sua Estrela e seu sorriso já dizia tudo, ele possuía uma profunda admiração pela jovem, talvez fosse ela a única criatura em toda a terra a ter o coração do príncipe a seus pés. — Você foi formidável, minha Estrela! Certamente que és merecedora de todas as honras que estão sendo dadas a você nesta noite — disse o príncipe com um sorriso sereno. — Só fiz o que fui designada a fazer, meu senhor — respondeu Elora timidamente — e minha vitória não foi só minha, mas de todo o povo de Slat e Anísia. Lutei por cada homem naquela planície e sendo assim, cada um é digno de honras nesta noite. — Você é sabia e modesta, Elora, mas isso não foi tudo! Chegará o tempo em que eu precisarei muito de você e nós dois faremos a diferença para nosso povo! — disse Aklon em tom de enigma. Elora assentiu e os dois continuaram a conversar durante o resto da noite. ♥♥♥ Três dias após os eventos em Anísia, um homem chamado Diland que havia sido enviado por Zaila para observar o desfecho da batalha, retornou às pressas para Askhalon e informou a rainha tudo o que vira. O cavaleiro reverenciou a monarca e esta iniciou seu interrogatório. — Então, senhor Diland, como foi à tomada de Anísia por Duhla? — ela perguntou esbanjando um largo sorriso. O cavaleiro ainda de joelhos respondeu a Zaila, porém não com a resposta por ela esperada.  — Não foi, minha soberana. — Como assim, não foi? O que aconteceu realmente em Sobek?! — a rainha perguntou levantando-se de seu trono. — É que a batalha da qual a rainha se refere nem mesmo chegou a acontecer, minha senhora. — respondeu o cavaleiro. — E por que não aconteceu? — ela perguntou aproximando-se do cavaleiro devagar. — Aklon, o duque de Kels — Diland respondeu gaguejando. A rainha nem bem deixou o cavaleiro concluir e já foi logo deduzindo. — Nem precisa dizer mais nada. Tinha que ter o dedo podre daquele garoto insolente. O que foi que ele aprontou dessa vez?! — perguntou novamente a monarca que surpreendentemente manteve a calma. — O duque de Kels lançou um desafio a Duhla e ele aceitou! Sem falar que a primeira surpresa foi quando chegamos à praia. — respondeu ele suspirando. — Prossiga! — ordenou Zaila. — Eis que tudo estava preparado para m*******r Anísia, minha rainha e o primeiro local a ser tomado seria a cidade de Belize, mas por alguma razão da qual desconhecemos, Slat ficou sabendo da estratégia de Duhla e enviou mensageiros a Ulay e assim o rei Finard evacuou todo o povo da cidade! — Isso é impossível! — exclamou a rainha. — Como puderam formar uma estratégia dessas com tamanha rapidez? — Só pode ser obra de bruxaria, minha rainha. — o cavaleiro falou levantando-se. — Em menos de uma semana, o rei de Anísia ficou sabendo da invasão de Zuhluh, preparou seu exército e ainda… — E ainda o que, Diland? — Quando chegamos a Sobek já no fim do desfiladeiro, a planície inteira estava coberta por um gigantesco exército formado por Slat e Anísia. E então, para segundo ele evitar o derramamento de sangue, Aklon desafiou a Duhla que houvesse uma luta entre o maior guerreiro de Zuhluh e o maior guerreiro de Slat. Duhla tinha Bomani, ao qual a rainha conhecia muito bem. — Conhecia? — perguntou Zaila. A rainha arregalou os olhos pela colocação de tempo referida por Diland. — Sim, minha rainha. Bomani foi derrotado pela guerreira do rei de Slat e mediante a vergonha, o próprio Duhla o matou! A moça possui a força de cem homens. Minha senhora, tudo indica que esse infortúnio foi obra do duque de Kels e suas bruxarias. — o cavaleiro estremeceu ao mencionar os feitos de Aklon. Zaila levou a mão direita ao queixo e seus pensamentos tornaram-se confusos. Apesar de não acreditar nem na magia e nem nos deuses, a rainha começava a desconfiar de que algo bem maior do que o simples fato de ser muito sábio, estava por trás de tudo aquilo. —Vai por mim, minha soberana — o cavaleiro falou chamando a atenção da rainha que se assustou de repente com sua voz. — Aklon é um bruxo e dos mais poderosos! Pois não há outra explicação para tamanha rapidez em descobrir os planos de Duhla. Especula-se que os homens de Aklon conseguem percorrer grandes distâncias em um curto espaço de tempo e eles usaram esse recurso para espionarem Duhla e livrar Anísia. — Não, Diland! — respondeu Zaila. — Não há nada de bruxaria ali e sim um truque de conhecimento exclusivo do príncipe e de seus lacaios. Mesmo que eu tenha de colocar aquela cidade a baixo, descobrirei que segredo é esse nem que seja a última coisa que eu faça! — A senhora pretende se apossar desse poder, rainha Zaila?! — o cavaleiro pergunta de forma maquiavélica. — Não! Eu quero destruir as lendas de Slat e afundar aquele maldito país nas profundezas da terra. Aklon pode ser esperto, até mesmo um bruxo como você mesmo disse, mas nem isso conseguirá destruir meus planos. — ela falou com convicção. — Apesar da derrota daquele i*****l do Duhla, tudo segue conforme o planejado. "Você não perde por esperar, Aklon e quando chegar a hora verei o quão grande é o seu poder”!      
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