Nos aposentos reais, Neres esperava ansiosa por seu marido para dar uma excelente notícia, a de que Timo viria para Kels passar um mês com seus pais. Mas o que Neres ainda não sabia era que seu marido partiria no dia seguinte com seu exército rumo a Anísia.
— Eu nem tive a chance de te perguntar sobre o que se tratava a reunião de emergência que você convocou para hoje, senhor meu marido e rei. Sobre o que você conversou com o conselho? — ela perguntou com certa alegria, o que deixou o rei sem entender.
Angus respirou fundo e contou a esposa tudo o que havia sido descoberto por Aklon e que diante de tamanho perigo, ele deveria partir com o exército em socorro ao país vizinho. Neres não ficou nada satisfeita, mas viu que seria muita audácia de sua parte discordar das decisões do rei.
— Minha tristeza é tão somente a ausência de meu marido no momento em que nosso filho chegar — disse a rainha com tristeza no olhar.
— Ah, minha esposa! — lamentou Angus abraçando Neres e dando-lhe um beijo na testa. — Eu prometo a você que não será por muito tempo. Estarei de volta mais cedo do que pensa para abraçar nosso filho e aproveitar nossa família com toda intensidade — o rei concluiu sorrindo.
Neres sorriu para o marido e em seguida declarou seu amor por ele. Ela o beijou em seus lábios e os dois se entregaram a imensa paixão que os unia.
No templo dos doze, Aklon reuniu seus magos para informar da missão de Lukyan e dar-lhes mais instruções. Ele passou pelo átrio onde ficavam as estátuas dos doze deuses do panteão, que formavam metade de um círculo. As estátuas eram colossais sendo que o templo também era demasiadamente alto. O príncipe parou diante da estátua de Janus e ali permaneceu por alguns minutos até a chegada de Magnus.
— Quanta honra ter o senhor aqui, meu doce príncipe! Em que posso servi-lo? — o mago perguntou.
— Como são belos, a família de Janus! Veja Ēikha, o poderoso deus cujo Sol ele governa, além de nos dar a sabedoria para a música, a poesia e a cura. Será ele tão poderoso quanto nos ensinaram nossos pais? —perguntou Aklon olhando para Magnus, que ouvia atentamente as palavras do Duque.
Mas ao olhar para a grande estátua de Ēikha, Magnus tinha a sensação de que o deus olhava diretamente para Aklon, o que fez seu coração estremecer. O príncipe olha para seu principal mago e falou em enigmas.
— Você já sabe o que deve fazer, não é mesmo, Magnus? Não se esqueça de nada do que eu lhe disse e quando chegar a hora… ninguém, nem mesmo o rei, deve saber o que realmente existe aqui. Esse segredo só deverá ser partilhado por nós e entre nós.
— Como quiseres meu príncipe — respondeu Magnus reverenciando Aklon — que tudo seja feito conforme vossa alteza desejar.
Aklon caminhou até a estátua de Celestes e moveu uma alavanca que tinha a forma de um colibri localizado na base da estátua, em seguida todo o altar começou a afundar dando lugar a uma escada que levava a uma sala secreta. Ele e Magnus desceram juntos e desapareceram na escuridão.
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Três dias depois e todos estavam prontos para partirem rumo a Anísia. Aklon fez questão de ficar junto a Elora e dizer a ela que aquele evento seria sua ascensão como guerreira de Slat. A jovem não entendeu muito bem, mas disse a seu senhor que estava pronta para o que der vier. Exatamente no momento da partida, Timo e Regen chegaram de Bremen e ambos só tiveram poucos momentos com seus parentes. Neres correu em direção ao filho e Aklon desceu de seu cavalo para cumprimentar o irmão que já não via há mais de um ano.
— Estou de partida agora, mas quando retornar, eu quero saber se você já me supera na flauta. — disse o príncipe sorrindo e bagunçando os cabelos do irmão mais novo.
— Eu não vejo a hora de mostrar a você tudo o que sei, irmão. Agora, desejo que saíam vitoriosos dessa batalha, mesmo eu não tendo muito conhecimento a respeito dela e Elora — disse o jovem príncipe para a amazona. — Cuide bem do meu irmãozinho, pois ele é tudo o que tenho na vida!
Elora assentiu e quando o rei montou em seu cavalo, todos se preparam para a partida.
— Sagrado Exército Branco de Slat! — bradou o rei em alto e bom som. — Vocês foram escolhidos pelos deuses para que honrasse seu juramento em proteger Slat e todos aqueles que são seus aliados e nesse momento, um desses mesmos aliados está precisando de nós e como nação m****o do Targol, devemos honrar nosso juramento e ir a seu socorro. Pelos deuses e pela terra!
Um brado se fez ouvir em Kels e Remo percorreu cada fileira para passar as instruções devidas.
— Todos devem ser prudentes, não carregue nada além do necessário para que cada homem e seu cavalo cheguem ávidos para batalha caso ela venha a acontecer!
O rei seguiu na frente seguido da guarda real formado pelos santos de Slat. Em seguida, uma por uma as fileiras começaram a se movimentar e rapidamente eles estavam seguindo rumo a Anísia.
Neres ficou para trás com seu filho e ela rapidamente seguiu para o templo de Sara, deusa protetora das mulheres, da família e da fertilidade, para pedir p******o para seu marido em meio a momentos tão difíceis.
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Uma semana se passou e o contingente de Angus estava em Anísia. Ele teve pouco tempo para discutir com Finard em como seria a estratégia para interceptar Duhla e seu exército. E logo eles partiram para as planícies de Sobek onde os exércitos se encontrariam. Duhla também chegou à cidade portuária de Belize, mas nada e nem ninguém encontrou, deixando o rei de Zuhluh furioso.
— Como isso é possível? — indagou o rei tentando entender como aquele povo havia antecipado sua chegada. — Covardes anísios! Mas eles vão ver quem é Duhla. Para Ulay e destruam tudo!
O poderoso exército de Zuhluh rumou para a capital Ulay, sem saber o que o aguardava nas planícies. Dois dias depois ao atravessar o vale em direção a Sobek, Duhla avista um grande exército que cobria toda a parte Norte da planície deixando o rei ainda mais confuso. "O quê"?! Mesmo assim ele segue e avista os reis Angus e Finard lado a lado.
Os exércitos ficaram exatamente onde estavam, porém, os reis desceram de seus cavalos acompanhados de seus conselheiros e melhores guerreiros. Ambos param um de frente ao outro e Angus pediu a Duhla que apresentasse seus termos dizendo não está ali para uma guerra e sim para evitar uma batalha infeliz. Duhla com arrogância, respondeu que não perdoava o fato do rei Finard ter feito de seu filho prisioneiro em Belize por tanto tempo. Angus então pede a Duhla que reconsidere, mas o rei de Zuhluh não quis ouvir e disse que outra coisa não aconteceria ali se não uma batalha.
— Então que assim seja — disse o jovem rei Finard.
— Espere um momento, rei Duhla. — todos olharam para o príncipe Aklon.
— E o que essa criança tem a dizer para mim? — perguntou o rei Duhla. — Mesmo assim eu o ouvirei — o rei concluiu sorrindo e arrancando risos de seus súditos.
— Grande rei Duhla! — disse Aklon tomando a frente e reverenciando o rei de Zuhluh. — O senhor é conhecido por ser um rei bravo que não rejeita um desafio e vemos aqui que dois reis querem a paz, mas o senhor deseja a guerra. Como conselheiro real de Slat, peço permissão ao meu Rei para lhe propor um que convenhamos, será mais justo!
Angus olhou para Aklon e acena dando-lhe o aval para desafiar Duhla.
— O que será que ele vai fazer? — perguntou Finard.
— Eu não sei, mas confio nele — respondeu Angus.
Aklon então lança seu desafio ao rei de Zuhluh.
— Grande rei Duhla! Eu proponho mediante a encerrar essa batalha, uma luta entre seu melhor guerreiro e o melhor guerreiro de Slat! E devo lembrar-lhe que nem o senhor e nem eu, poderemos voltar atrás! — Aklon foi direto ao ponto.
Todos ficaram em silêncio esperando a resposta do rei, que sorrindo respondeu.
— Eu aceito seu desafio, criança, mediante ser chamado de covarde se eu voltar atrás!
— Então escolha seu guerreiro — desse Aklon. — Que eu escolherei o meu!
Duhla cavalgou até o flanco esquerdo de seu exército e escolheu seu mais forte e valente guerreiro.
— Eu lhes apresento Bomani, a poderosa tempestade Norte!
Bomani apresenta-se diante de todos e sua aparência foi de causar espanto. Ele era um homem muito grande e seus músculos eram bastante aparentes. Sua espada era de longe a mais pesada que havia em campo de batalha. Quem seria em Slat forte o bastante para enfrentar aquele monstro? Era o que se passava nos pensamentos do rei Finard, já que o povo de Anísia, apesar de muito forte, eram homens considerados franzinos diante dos homens de Duhla, principalmente de Bomani.