Aklon esteve na casa de sua favorita horas antes da festa de aniversário dela para cuidar pessoalmente dos ferimentos da jovem que foram provocados por ele próprio. Mesmo ferida, ela se sentia feliz, pois sabia que tudo o que seu príncipe fizera foi com o intuito de torná-la algo muito maior até mesmo do que o seu pai um dia imaginou que ela se tornaria.
— Perdão por tê-la ferido dessa forma, minha Estrela, mas peço que confies em mim, pois vejo uma luz brilhante ao seu redor. Você será minha espada, meu braço direito, meu pilar de sustentação. — disse Aklon enquanto preparava uma mistura de um ** que, segundo ele, se tratava de extratos de plantas que foram desidratados, ficando ainda mais potentes do que os chás feitos com as mesmas. — Logo você irá se sentir melhor, minha estrela e acredite, eu te amo!
Elora tomou a mistura que possuía um gosto estranho, mas ela confiava em seu senhor.
— Eu sei que o senhor me ama, mas me ama da mesma forma que amaria a um cão fiel ou a um servo leal, o que na verdade eu sou. Mas me sinto feliz por estar em tal posição diante de vossa alteza e não penso mais nada, além disso! — Elora respondeu virando-se para o lado, pois já estava sonolenta por conta dos efeitos da mistura dada a ela por Aklon.
Elora pegou no sono e o príncipe terminou de limpar seus ferimentos. Enquanto ela dormia, Aklon a observava sua beleza e um sorriso sereno se abriu em seu rosto.
— Está enganada, minha estrela, pois a forma com que a amo, nem eu mesmo consigo explicar, mas eu a protegerei com todas as minhas forças e o meu poder. — ele falou acariciando seus cabelos. — E um dia, eu irei descobrir seu verdadeiro papel na minha vida.
Aklon saiu do quarto de Elora e foi até a sala onde Remo estava sentado em uma poltrona fumando seu cachimbo. O comandante se levanta rapidamente, mas Aklon em sua humildade pede a ele que não seria preciso tanta formalidade, já que o considera um amigo. O príncipe diz que Elora dormia feito uma criança e que quando acordasse já iria se sentir bem melhor. Remo agradeceu e Aklon retornou para o palácio e quando Elora acordou seu príncipe já havia ido embora. Ela então disse a seu pai que daria seguimento à sua tão esperada festa e não fez qualquer menção a Aklon como convidado, o que deixou Remo surpreso, mas preferiu não perguntar nada para a filha.
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A hora festa chegou e todos ficaram admirados com o que viram, Elora, que apesar de estar bem, ainda trazia em seu corpo as escoriações que obteve na luta com Aklon. Suas amigas não perderam tempo em chover perguntas sobre a jovem indagando qual à sensação de ser derrotada pelo príncipe mais belo de toda Vinyah, quem sabe do mundo inteiro. Elora sem graça respondeu como pôde e deu um jeito de sair de fininho da companhia das amigas curiosas. Ela fez questão de ficar perto de Alan, mas seu coração na verdade estava no palácio real e o arrependimento tomou conta de seu ser por não ter convidado seu amado príncipe.
— Elora! Elora! — a jovem desatenta só percebeu o chamado na segunda vez. Era Alan, seu amigo mais próximo, por quem ela nutria um sentimento todo especial.
— Sim! Desculpe-me por estar desatenta. — ela respondeu sem jeito.
— Talvez esteja cansada — o rapaz comentou. — Você passou por momentos intensos hoje, creio que deve descansar.
Elora concordou, ela despediu-se de Alan e em seguida comentou com seu pai que não estava sentindo-se bem. Discretamente a jovem deixou a sala e foi para o seu quarto onde lá não parou de pensar em Aklon e nas suas doces palavras. Porém ela começou a sentir também um pouco de raiva por ele tê-la machucado.
— O que está havendo comigo? — perguntando a si mesma. — Ele é meu príncipe e senhor, por tanto eu não devo nem pensar em pensar numa possibilidade dessas. — ela concluiu colocando o travesseiro por cima da cabeça.
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Exatos trinta dias se passaram desde os últimos eventos no continente e também em Slat. Em uma manhã fria de outono, Lukyan surgiu diante do duque através de um portal em formato de vórtice. Aklon estava sentado na poltrona em seus aposentos, ele apenas olhou para Lukyan sem esboçar qualquer reação.
— O que você descobriu Lukyan? — perguntou o príncipe que olhava atentamente para a lareira.
— Suas previsões estavam certas, meu senhor. Zaila enviou uma mensagem para o rei Duhla, dizendo que se ele atacar Anísia, Zuhluh terá total respaldo de Estakhr e a própria Zaila em pessoa o defenderá no Targol. Uma frota de navios está a caminho Anísia nesse exato momento e dentro de uma semana estarão na costa Oeste. — respondeu o grisalho que permaneceu de cabeça abaixada em reverência.
— Então, como em um tabuleiro de xadrez, Zaila começou a movimentar suas peças. Mas o que ela não sabe é que eu estou não a somente um, mas dezenas de passos a diante dela. Irei reportar tudo o que descobriu ao rei, mas quero que você faça um favor para mim, Lukyan! — disse o príncipe, dessa vez olhando diretamente para o jovem mago.
— Farei tudo conforme vossa alteza ordenar! — respondeu o mago.
— Quero que envie a seguinte mensagem ao rei Finard em meu nome e em nome do rei Angus. Diga a ele que evacue imediatamente todas as pessoas que vivem no litoral e as levem para um local seguro. Também diga que prepare seu exercício, mas não se preocupe com a guerra. — Aklon se levanta e olhando diretamente para às chamas que ardiam na lareira, ele dita o destino do rei de Zuhluh. — Farei com que o espírito de Duhla seja quebrado de tal forma, que nunca mais ele irá ousar desafiar as nações de Vinyah novamente!
Lukyan assentiu e da mesma forma com que surgiu, ele desapareceu da presença de Aklon, surgindo em Anísia segundos depois nos aposentos de Finard deixando o rei anísio com cara de bobo segurando uma caneca de chá. Aklon seguiu imediatamente para contar tudo o que descobriu a respeito dos planos de Zaila e Duhla. Angus foi tomado de fúria e convocou imediatamente uma reunião com seus generais.
— Senhores, o que nós temíamos infelizmente aconteceu. — disse o rei. — Espiões enviados por Aklon a Zuhluh disseram que uma frota de navios está indo em direção a Anísia!
— Mas isso é um ultraje! — exclamou um dos generais com fúria. — Zaila claramente desrespeitou o Targol com tal decisão!
— Isso não pode ficar apenas por isso mesmo! — exclamou o governador de Bremen. — Uma resposta das nações deve ser dada imediatamente! Estakhr traiu o continente em claro ato de alta traição!
Enquanto os conselheiros, governadores e generais discutiam sobre o que deveria ser feito, Aklon e Angus ouviam atentamente as ideias de cada um. Foi quando o rei tomou a palavra novamente.
— Senhores! Eu não tiro as razões de vossas excelências no tocante a dar uma resposta a Estakhr pelo ato de traição ao Targol, mas neste momento, devemos concentrar nossos esforços em ajudar Anísia a sair dessa situação — disse o monarca, agora mais calmo.
— Eu estou de acordo com vossa Majestade — falou Remo ganhando o apoio dos demais generais.
O rei então prossegue.
— Creio que não haverá tempo para reunir os exércitos aliados, pois pelo o que sei, nem mesmo Anísia sabe que está sob a iminência de um ataque, mas graças à agilidade de Aklon e seus espiões, temos a chance de antecipar as coisas e assim Duhla saberá que as nações do Targol não dormem! — bradou o rei erguendo sua espada, todos os presentes o seguiram com gritos de ordem.
Aklon então pediu permissão para falar, o que foi imediatamente concedido por Angus.
— Como já foi dito, meus espiões descobriram que Zuhluh está a pouco mais de uma semana para chegar ao porto principal de Anísia. Sua intervenção naquele país será um m******e se algo não for feito rapidamente e pensando nisso, eu tomei a liberdade antes de consultar vossa Majestade! — o rei olhou para o sobrinho franzindo a testa. — Enviei um mensageiro até Finard e dizer a ele que evacuasse imediatamente a região portuária de Anísia e levasse o povo para um local seguro. Acredito eu que essa será a primeira derrota de Duhla em solo anísio. A essa altura, Finard já deve estar preparando seu exército e iniciando a evacuação do povo litorâneo para terras seguras.
— Mas como assim seu mensageiro entregou nesse mesmo dia uma mensagem a Finard? — indagou o governador de Bremen. — Só para chegar até a fronteira de Anísia a cavalo, demoram exatos dez dias. Então, como seu mensageiro…
Todos fizeram silêncio, mas bochichos eram ouvidos onde a mesma pergunta era feita uns aos outros, Magnus então explica que as artes dos magos não são para serem compreendidas, então todos se deram por satisfeitos.
— Então, assim será — disse o rei — partiremos o mais depressa possível para Anísia e interceptaremos Duhla antes que chegue a Ulay.
Todos assentiram e os generais foram preparar seus pelotões. Aklon retornou para o templo dos doze aonde de lá podia se comunicar com seus espiões espalhados por toda Vinyah.