Hegemonia

3146 Palavras
Após retornarem de Kelonnia, a comitiva de Angus estava exausta pela viagem e pela tensão durante a reunião. Angus foi rapidamente se encontrar com sua esposa, a rainha Neres que estava triste pela longa ausência de seu único filho, mas como fazia parte da tradição, o príncipe deveria estudar os costumes do reino até atingir a idade de Quinze anos. Neres escovava os cabelos quando percebeu o alvoroço nas ruas onde um mensageiro anunciava o retorno do rei e comitiva. Ela então saiu rapidamente de seu quarto indo de encontro a seu grande amor. — Oh, Angus! Eu havia esquecido que hoje seria o seu retorno. — disse a rainha apressando-se a abraçar seu marido com alegria e este não tardou em receber o abraço. — Eu estava morrendo de saudades, não sabe como senti sua falta. — disse o rei com os braços passados pela cintura de Neres. — Estamos demasiados cansados. A reunião foi um pouco tensa, graças ao intrépido imperador de Lima, mas nosso sobrinho Aklon cuidou de tudo e o colocou em seu devido lugar. Ao mencionar o nome de Aklon, Neres se afasta de Angus como se reprovasse a admiração do marido pelo príncipe. Angus também reprova a atitude da rainha, vendo que seu ciúme e medo fizeram brotar uma raiva sem fundamentos pelo Duque de Kels. — Até quando você vai alimentar essa raiva pelo nosso sobrinho, Neres? Aklon é nosso sangue, seu sobrinho e você o deveriam tratá-lo como um filho! — o rei exclamou com reprovação. — Corrigindo, senhor meu marido e rei, seu sangue, não o meu! Lars era seu irmão casado com uma mulher que não tinha nada a ver comigo… Timo sim, esse é meu sangue, não Aklon! — falou a rainha sentando-se na cadeira de frente à penteadeira e olhando para o espelho. O rei continuou tentando convencer a rainha de que seu ressentimento não tinha razão, pois Aklon nunca havia feito nada a ela e ao filho dos dois, pelo contrário, Aklon fez por Slat o que muitos leais não haviam conseguido em milhares de anos. — Você fala com tanta naturalidade a respeito de Aklon, como se ele e não Timo fosse seu filho! — a rainha prosseguiu. — Mas você enviou o meu filho para o outro lado do país e o confinou em uma escola que mais parece uma prisão, enquanto Aklon vive grudado em você como se ele fosse o príncipe herdeiro! O rei respirou fundo expressando desistir de falar com Neres. — Eu vou tomar um banho e descansar, pois, logo mais terei reunião com o conselho real. Só quero lembrá-la de uma coisa, Neres, é exatamente por ser o meu herdeiro, que Timo está em Bremen. — respondeu o rei. — Ele é o futuro Rei de Slat e querendo você ou não, Aklon será o braço direito de nosso filho quando assumir o trono em meu lugar! O rei seguiu a cumprir com seus deveres deixando a rainha em sua nostalgia. Ele foi até a sala do trono onde os conselheiros, inclusive Aklon que era o principal deles, estavam presentes. O assunto da pauta foi a respeito das invasões de Estakhr ao território de Slat e a expectativa pela resposta da rainha quanto a alteração feita no Targol. Magnus deixou bem claro, que apesar de a aliança entre as nações de Vinyah ter ficado mais forte, todo cuidado era pouco com Zaila, pois já que o rei de Luma decidira optar pela neutralidade em caso de uma guerra, Angus deveria lembrar que ela ainda possuía um gigantesco contingente a seu dispor em Ulfhild e a aliança com o rei Duhla, de Zuhluh. Aklon concordou com cada palavra de Magnus e reiterou que tudo era possível em se tratando de Zaila. — Sua aliança com nações intercontinentais só pode significar que Zaila pretende promover uma guerra e com um único intuito, tomar Slat a força e se apossar daquilo que é nosso por direito… os conhecimentos sagrados dos… as dádivas dos deuses! —O príncipe concluiu. — Então que assim seja! Vamos ficar atentos a toda movimentação de Estakhr e Remo! — disse o rei direcionando-se para o chefe de sua guarda pessoal — você se encarregará de intensificar os treinamentos de nosso exército juntamente com o general Lothar. Mesmo que a reunião do conselho das nações de Vinyah tenha sido um sucesso, ainda estamos sob ameaça de guerra. — reiterou o rei dispensando a todos e encerrando a reunião. ♥♥♥ Uma semana se passou e Elora estava muito contente pelo seu aniversário de vinte anos, sendo ela dois anos mais jovem que Aklon. Suas amigas estavam planejando uma linda festa para ela, porém, com poucos convidados inclusive um jovem chamado Alan, por quem Elora estava tendo certa afinidade. Claro que isso não deixou o príncipe nada satisfeito e foi até a residência da jovem. Elora estava treinando em um cercado próximo ao curral e em um movimento brusco com sua espada, ela vira para trás e vê o príncipe apoiado na cerca observando-a, o que a fez soltar a espada e quase acertando um dos guardas que estava ao seu lado. — Ei! Cuidado aí! — o jovem reclamou e vendo que o príncipe se fazia presente, o reverenciou e saiu do local. Elora também se curvou em reverência.  — Meu príncipe! — timidamente e bastante envergonhada por não estar vestida adequadamente para estar diante de um nobre. — Já disse milhares de vezes que não quero vê-la curvando-se diante de mim, mas parece que você não entende o que eu te digo. Até aparece que não falei em nosso idioma, ou você deseja que eu fale em outra língua?! — ele disse sorrindo e se aproximou de Elora, segurando sua mão com delicadeza. — Eu sei disso, meu senhor, e não é necessário que me fale em outro idioma. O senhor é um m****o da sagrada família real e é meu dever como súdito reverenciá-lo! — a jovem proferiu com timidez. Aklon levanta a cabeça de Elora, segurando em seu queixo com a ponta do dedo indicador, em seguida ele olha no fundo de seus olhos e sorri, deixando Elora sem chão. — Mas você é minha estrela! E sabe por que eu estou aqui? — perguntou o príncipe com um singelo sorriso. — É por que não esqueci que amanhã é o seu aniversário e vim perguntar qual o presente você quer receber de mim! — carinhosamente ele deu um beijo na mão direita de Elora. — Presente? Todos os anos o senhor me presenteia com algo diferente e luxuoso, eu me sinto até sem jeito alteza e mesmo dizendo que não precisa, vossa alteza irá fazer de qualquer jeito então, por favor, não me peça para escolher meu presente, dê-me apenas o que seu coração julgar que sou merecedora. — Elora falou, mas continuou de cabeça baixa. — E eu como sei que você é teimosa e não responderá a minha pergunta, vou lhe dar três opções. O que vais querer de aniversário, minha estrela? Um vestido novo, uma joia, uma espada nova… melhor, irei acrescentar mais uma opção. — Aklon suspirou e prosseguiu — um beijo meu? Elora olha para Aklon com os olhos arregalados por causa da última opção dita pelo príncipe e gaguejando respondeu. — Por favor, descarte a última opção e quanto ao presente, uma espada para mim seria o melhor deles. — prontamente e com as bochechas coradas, Elora respondeu. — Então assim será! Mandarei entregar sua espada amanhã logo pela manhã e quero que compareça à arena dos nobres nas primeiras horas do dia. Eu farei com que seu aniversário seja inesquecível, minha estrela! — novamente o príncipe beijou a mão da jovem e retirou-se retornando para o palácio. Logo após montar em seu cavalo, Aklon olhou novamente na direção da pequena arena e seu coração encheu-se de ira ao ver que Alan estava chegando com um cesto de frutas para dar à jovem. Alan reverenciou Aklon, mas o príncipe não esboçou reação alguma, o que levou Elora a pensar que o mesmo poderia ter ficado com ciúmes de Alan. Ela passou o resto do dia com o rapaz e suas amigas, mas o fato de Aklon ter exigido sua presença na arena dos nobres logo nas primeiras horas do dia a deixou ansiosa. Ela foi dormir, mas seu pensamento estava mais em Aklon do que no seu aniversário. ♥♥♥ No dia seguinte logo pela manhã, Elora partiu em direção ao palácio e seguiu diretamente para a arena dos nobres. A jovem estava bastante apreensiva quanto ao que Aklon disse que aquele dia seria inesquecível para ela. Aklon chegou logo em seguida acompanhado de Remo. Os dois cumprimentam Elora e Aklon como de costume beijou sua mão desejando um feliz aniversário. A jovem sorriu dizendo ser uma honra estar em um local onde somente os homens mais fortes de toda Slat treinavam suas habilidades. Aklon apenas sorriu e voltou sua atenção para o comandante da guarda. — Remo, você me falou que possui homens extremamente fortes entre os seus, não é mesmo? — o príncipe perguntou deixando Remo sem entender. — Sim alteza! Existem quatro que se destacam, onde cada um possui a força de dez homens! — respondeu o comandante com orgulho de seu batalhão. — Então os chame aqui agora mesmo! — ordenou o príncipe. Remo foi imediatamente chamar os quatro soldados e enquanto isso, Aklon pede a Elora que vista sua armadura e retorne para a arena. Elora fez o que seu príncipe ordenou, mas continuava sem entender qual a sua verdadeira intenção. Remo retornou para a rena com os soldados trajando seus uniformes de treinamento. Eles estavam eufóricos com o chamado do príncipe mais poderoso que Slat já teve. — Príncipe Aklon, esses são Ragnar, Ivair, Brendo e Rodney. Eles são os homens mais fortes do exército de Slat, um orgulho para a coroa real. — disse Remo apresentando seus homens com o peito cheio de orgulho. — É uma honra servir a vossa alteza. — falou Ragnar por todos. Aklon caminhou perante os quatro relando quais eram suas intenções. — Sempre que o comandante Remo Landre se refere a vocês, ele os julga como sendo uma joia da coroa real. Agora, eu quero ver com meus próprios olhos se essa força é verdadeira e digna de receber tal título. Por tanto, quero que lutem entre si! — com expressão de quem estava aprontando algo, Aklon deu a ordem. — Como quiser meu príncipe! — respondeu Ivair que logo começou a mostrar suas habilidades lutando contra Ragnar. Todos ficaram admirados com a força daqueles homens, mas Aklon apenas olhava atentamente até que se deu por satisfeito com a demonstração. Vários soldados se aglomeram ao redor da arena dos nobres a fim de saber o que se passava então Aklon fez um pequeno discurso. — Eu chamei vocês aqui para ver se são fortes o suficiente para desafiar aquele a quem escolhi como o meu guardião particular e agora vi com meus próprios olhos! Realmente vocês quatro são mais do que capazes. Elora! — ele a chamou, deixando todos admirados. — Venha até aqui e encare o julgamento dos homens mais poderosos em força de Slat! Elora apareceu na arena trajando sua armadura, deixando todos boquiabertos. Remo não acreditou no que viu, apesar de ter participado de alguns treinamentos da filha, ele não levava a sério as intenções do príncipe em fazer de Elora uma guerreira. — Alteza! Vossa alteza não está falando sério, está? — Remo perguntou apreensivo. — Vejo que você não conhece a filha que tem! Remo — disse o príncipe voltando-se para o cavaleiro. — Não tenha receio de enfrenta-la, dê tudo de si, Ragnar! — Mas alteza…?! — retrucou o cavaleiro querendo discordar, quando uma voz grave gritou diretamente da sacada. — Obedeça ao seu príncipe, cavaleiro! Todos olharam para o alto e viram Angus de pé observando aquela situação. O cavaleiro não teve outra escolha senão obedecer. Ele avançou contra Elora que se colocou em posição de combate. Quando Ragnar a golpeou com sua espada, Elora bloqueou o ataque usando a dela, sendo o bloqueio executado com tamanha força, fazendo o cavaleiro pensar que estava na verdade lutando com um gigante. "Que força é essa, em nome de Janus? Devo tomar cuidado com essa garota"! A luta prosseguiu até que, ao tentar dar um soco em Elora, a garota se abaixa golpeando Ragnar em suas costelas, logo em seguida, ela disferiu um soco fazendo-o cair parcialmente desmaiado no chão. Nesse momento um silêncio súbito tomou conta do local. Os presentes não acreditavam ao ver um homem do tamanho de Ragnar tombar pelo soco de uma garota tão franzina. Logo em seguida Aklon ordena a Rodney que entre na arena e mais uma luta sensacional aconteceu. Elora se esquivava dos golpes do gigantesco cavaleiro sem muita dificuldade, já fazendo com que os soldados ficassem eufóricos. Remo m*l podia acreditar no que estava presenciando, na imensa força de sua filha. O próximo a desafiar a jovem foi Brendo e assim como os dois anteriores, Elora o jogou no chão em poucos minutos. Foi quando Ivair entrou na arena com muita raiva pelos amigos.  — Perdão, meu príncipe, mas não pouparei minhas forças para derrotar sua guerreira. — Ivair era um guerreiro jovem e bastante leve. Sua fama se dava por ser bastante evasivo nas batalhas e por isso deu certo trabalho para Elora de início, mas a alegria durou pouco. Elora conseguiu prendê-lo pelo pescoço entre suas pernas deixando o jovem guerreiro sem ar e então ele pediu para parar. Isso deixou Remo cheio de orgulho de sua filha e a rainha Neres, que se juntou ao marido para assistir aquele espetáculo, ficou admirada com a força da jovem. — Que força é essa que essa garota tem? — gritou Ragnar dando socos no ar de tanta raiva por ter perdido uma luta para uma garota de vinte anos. — Pelos homens que ela derrotou sem muito esforço, a força de cem homens. — respondeu o rei dando uma gargalhada logo em seguida. — É como se o próprio Arukhya estivesse com as mãos sobre ela! — concluiu o rei com admiração. Aklon se caminhou devagar e foi sua vez de entrar na arena ao lado de Elora e preferiu as seguintes palavras. — Minha estrela passou no teste. Ela se mostrou estar mais do que preparada para ser minha amazona guardiã, agora, resta a ela seu último teste! Todos fizeram silêncio e Aklon pediu Remo que lhe trouxesse um bastão. Após receber a arma, ele se posicionou de frente a Elora e a jovem se recusa a enfrentar seu amado príncipe. — Não, meu senhor! O senhor não… eu jamais seria capaz de enfrenta-lo e machuca-lo, meu príncipe! — falou Elora temendo pela integridade física de Aklon. — Não seja negligente e arrogante! Obedeça ao seu príncipe, vamos! Enfrente-me! — ordenou Aklon imperiosamente. Elora fechou seus olhos e avançou contra Aklon usando uma arma semelhante à dele, um bastão longo. Sua força imensa golpeou o príncipe que quase caiu de costas, porém se manteve firme, o que deixou Elora e os demais admirados. Os dois se posicionam na posição oposta em que estavam e novamente Aklon diz a Elora que o atacasse. Dessa vez os dois equilibram a luta e um embate épico começa, porém, Aklon consegue acertar Elora jogando-a no chão. — Levantar-se, guerreira! — ele falou calmamente, porém com certo desdenho. Elora levantou-se, limpou a boca com uma das mãos e avançou novamente contra Aklon, mas devido à fúria em seu interior, ela perde o foco e o príncipe a golpeia com o bastão diretamente em seu rosto. Tão forte foi o golpe que fez a jovem girar no ar antes de cair com rosto em terra. Todos ficaram abismados com a intensidade da luta entre o príncipe a e guerreira, arrancado de todos os presentes, inclusive do rei um, "uuhh"! — Alteza, por favor! — exclamou Remo vendo que a filha já estava exausta, porém Aklon apenas olhou para o comandante e prosseguiu.   Elora mais uma vez se levantou e tentou golpear o príncipe novamente, mas dessa vez ele a segura pelo braço deslocando seu ombro. Elora vai ao chão de joelhos e sentindo muita dor, o que deixou os soldados boquiabertos. Um silêncio súbito tomou conta da arena dos nobres sendo ouvidos apenas os gemidos de dor de Elora. Ela então ergue a cabeça e com muito esforço consegue se levantar e caminhar devagar em direção a Aklon. Remo pensou em ajudar a sua filha, mas confia no príncipe que permanece de pé diante da guerreira. Elora então se ajoelha diante de Aklon reconhecendo que ele era o único homem em Slat até aquele presente momento a conseguir derrota-la. Então Aklon pediu Remo que trouxesse sua espada, ele a ergueu e fez de Elora sua amazona. — Pelos poderes a mim conferidos por sua majestade o rei Angus Alderis de Slat, eu, Aklon Alderis, Duque de Kels, a consagro amazona do Sagrado Exército Branco e será conhecida a partir de hoje como Elora, a Estela de Kels! — Aklon tocou em Elora com sua espada conforme o protocolo mandava. Ele olha para trás e seu tio assentiu para ele. Aklon se posicionou atrás de Elora e colocou seu ombro de volta no lugar e todos ficam espantados com a força da jovem. — Será que eu poderia cuidar da minha filha, alteza? — perguntou Remo comovido, pois os ferimentos de Elora eram muitos. — Deve! — respondeu Aklon — cuide bem de minha Estrela, Remo. Mais tarde eu irei até lá e o ajudarei. Imagino como você deve estar feliz, Remo, pois de certa forma, Janus atendeu suas preces e você viu sua descendente se tornar minha guardiã! Remo arregalou os olhos, pois nunca havia tocado nesse assunto com o príncipe, mas o obedeceu e levou sua filha para casa, onde ali cuidaria de seus ferimentos. Elora por sua vez, olhou tudo aquilo sem dizer nada, primeiro por conta das dores e segundo, por não saber muito bem desse desejo do pai, mencionado ali pelo príncipe. Ela apenas se curvou diante de Aklon com dificuldades e seguiu com seu pai para ser cuidada por ele e todos veriam Elora daquele dia em diante como a guerreira do príncipe e amazona sagrada, a Estrela mais brilhante de Kels. Apesar de estar bem machucada, Elora não abriu mão de seu aniversário. Ela convidou seus amigos mais próximos e também recebeu uma série de presentes enviados pelo príncipe Aklon, deixando a recém-condecorada amazona muito feliz. De certa forma ela era a favorita do príncipe de Slat. Entre os presentes estavam todos os itens mencionados pelo príncipe, exceto o beijo, já que ele não estava presente.  
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR