A Festa de aniversário de Timo ocorreu na mais perfeita paz e harmonia. Os representantes das nações vizinhas vieram trazendo presentes ao príncipe herdeiro, sendo que o único que faltou foi justamente o representante de Estakhr. O rei Angus sabia que isso aconteceu por conta de que ele também não compareceu ao aniversário de Kiryan, o herdeiro do país vizinho.
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No dia seguinte, logo cedo Angus já estava em seu trono e mandou chamar Magnus, o principal mago do reino. O sábio prontamente atendeu ao pedido de seu soberano e em pouco tempo já estava em sua presença.
— Mandou me chamar, meu rei?! Em que posso servi-lo?! — perguntou o mago curvando-se diante de seu soberano.
— Sim, Magnus! Eu gostaria que você me deixasse a par de algumas coisas! — respondeu o rei levantando-se de seu trono, caminhando em direção ao mago.
— Pode perguntar majestade e tudo o que for do meu conhecimento eu o responderei. — o mago falou com certa desconfiança, já que o rei Angus nunca havia se comportado daquela forma antes.
— Eu quero saber como anda o desenvolvimento de meu sobrinho Aklon e como está se saindo em tudo o que você o tem ensinado! — disse Angus parado em frente ao mago e olhando no fundo de seus olhos.
Magnus ficou surpreso com a atitude do rei, sendo que desde sua chegada ao palácio para cuidar da educação do príncipe, ele nunca havia, pelo menos dava a entender que não estava muito preocupado com a educação do sobrinho.
— Fico surpreso ao vê-lo perguntar por Aklon, meu senhor, já que sua prioridade seja o príncipe Timo! — respondeu o mago novamente se curvando.
— Aklon é meu sobrinho, Magnus! Eu o tenho como um filho e antes de você aparecer, eu o estava educando e preparando-o para a coroa, mas depois que meu filho nasceu, acabei me afastando um pouco, porém percebi que isso não é o certo a se fazer e a partir de hoje eu quero que você reporte tudo o que acontecer com Aklon primeiramente a mim, entendeu?! — determinou o rei com voz firme, deixando o mago perplexo.
Magnus baixou a cabeça sem entender a atitude repentina do rei, mas como era seu súdito, devia contar a ele todos os prodígios realizados por Aklon nos últimos dias.
— Bem, meu senhor, Aklon é na verdade uma joia dos deuses, algo que somente eles podem compreender. Em muito ele já me supera, matemática, física, astronomia! — dizia o mago com um brilho no olhar.
— Certo, continue! — ordenou o rei.
O mago prosseguiu contando os avanços do príncipe ao rei e a cada palavra o monarca suspirava em uma mescla de orgulho e pavor, foi quando Magnus contou a respeito do aprendizado de Aklon na arte da magia.
— Quanto à magia, meu senhor, creio que logo ele será o maior mago que já pisou nestas terras, senão no mundo! — disse o mago com espanto.
— Então me conte! O que de extraordinário ele fez?! — indagou o rei já ansioso.
— É impressionante como ele consegue manipular os elementos com facilidade chegado até a brincar com eles, coisa que eu nunca conseguir fazer, coisas que eu estudo desde a minha mocidade, ele parece saber desde que nasceu! Mas o que mais me espantou, meu senhor, foi o dia em que ele conseguiu atravessar uma parede! — o rei Angus ficou boquiaberto com essa revelação e o mago continuou. — Ele chamou de ciência, dizendo que tal feito pode ser possível desde que aprendamos a manipular os átomos!
O rei de tão espantado m*l conseguia ficar de pé e assentou-se novamente em seu trono. Tal foi o espanto de sua majestade que o mesmo sentiu sua garganta secar, tendo que ingerir uma taça inteira de vinho.
— Atravessar paredes, como se já não pertencesse mais a este mundo?! De que tipo de ser humano estamos falando afinal? — o rei dizia ao mesmo tempo em que sentia todo o seu coro estremecer.
O mago aproximou-se do rei e colocando a mão em seu ombro, ele descreve como sendo igual a reação que teve quando viu Aklon realizar tal façanha.
— Se só de me ouvir falar, o senhor já se espanta, imagina quem estava lá vendo um menino de doze anos atravessando uma parede e agir como se isso fosse à coisa mais normal do mundo?! Uma coisa eu digo ao senhor, meu rei, que seu sobrinho não é um homem como os demais — Magnus respondeu sussurrando ao ouvido de Angus.
O rei levanta sua virou e olhou para o mago. Ele com as mãos juntas, diz ao sábio que quer Aklon debaixo de sua p******o.
— Um dia eu comecei a preparar Aklon para ser o meu sucessor, mas agora devo prepara-lo para ser o conselheiro real, pois sinto que Slat ainda irá precisar muito dele! — respondeu o rei olhando fixamente para frente.
— E o senhor está certo, majestade! Um homem como Aklon é necessário em qualquer reino e nem todos o têm. Eu nem sei como irei dizer essas coisas ao príncipe Lars, já que ele como pai ficará muito abalado e...
Antes que Magnus terminasse de falar, Angus se levantou e caminha em sua direção. O rei aponta o dedo para o mago e ordena que ele não conte absolutamente nada do que disse ali ao pai de Aklon.
— Tudo o que você disse aqui, deverá ficar aqui, você me entendeu?! Eu não quero que conte nada a Lars além do que ele deve saber como pai. O que você me revelou, Magnus, você revelou ao rei e o que se revela ao rei não deve ser dito a mais ninguém! O que eu quero dizer é que há coisas que somente o rei deve ficar sabendo, fui claro, Magnus?! — Angus o admoestou em tom de ameaça.
O mago cruzou os braços formando um x e curvando-se diante do rei, jurou ali sua lealdade à coroa de Slat.
— Tudo será feito conforme a sua vontade, meu soberano!
O sacerdote chefe do Templo deixa a sala do trono e em seguida Angus faz o mesmo. De uma janela grande que ficava em um dos corredores, ele observa Aklon brincando normalmente com Regen e Timo, mas quando o jovem príncipe olhou para ele, Angus sentiu um aperto em seu coração, como se algo o avisasse que muita glória, mas também muita destruição cercava Aklon e todos os que com ele estavam. — “Deve ser só impressão minha”! — pensou o rei que resolveu seguir seu caminho.
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Depois de meditar nas palavras ditas pelo filho, Lars decidiu ir até o jardim onde Aklon brincava com Regen e Timo, para tentar interagir mais com o filho mais novo. O príncipe olhava seus dois filhos e agradecia aos deuses por terem lhe dado tamanho presente.
— Como eu sou abençoado! Fiquei olhando apenas para meu sofrimento e não me dei conta de que sou um privilegiado! Lídia, Denisia perdoem-me por não ter sido para seus filhos o pai que eles mereciam, mas não é tarde para mim. Vou tomar minha família de volta e enquanto eu viver, verei para eles, somente para eles!
Lars correu para junto dos garotos e entrou na brincadeira agarrando uma bola feita de couro, que os garotos chutavam em direção a um arco de concreto que ficava no meio do jardim. Ele corria atrás de Regen e pela primeira vez podia sentir o cheirinho de bebê que só as crianças de sua idade possuem. Aklon abria largos sorrisos por estar tendo com seu pai um momento jamais vivido. Remo, que nunca tirava os olhos de Aklon, observava tudo encostado em um pilar esculpido em mármore.
Em um momento, quando Aklon estava agachado junto a Regen, Timo tomou um pedaço pequeno de madeira e levantou o mesmo para atingir Aklon. Nem Lars e nem as babás viram o que o príncipe herdeiro estava prestes a fazer, mas Remo, que estava atento ao seu príncipe favorito, correu para junto dos dois e gritou chamando a atenção de Timo.
— GAROTO, NÃO FAÇA ISSO!
Todos olharam para Remo, inclusive Angus que retornou para junto da janela e viu que o chefe da guarda na verdade estava gritando com seu filho. O rei não gostou e se lembrou do que Neres havia lhe dito dias antes, alertando-o com relação a Remo. Ele correu para os seus aposentos reais e lá começou a agir de forma totalmente descontrolada, deixando a rainha assustada. Ele tomou uma jarra de vinho e começou a beber uma taça após a outra.
— O que está acontecendo com você, meu marido?! Por que agindo desse jeito, bebendo feito um louco?! — perguntava a rainha assustada.
— Você estava certa! — respondeu o rei bebendo uma taça de vinho atrás da outra. — Aliás, você está certa, você sempre esteve certa!
— Angus, você está começando a me assustar! — mais uma vez Neres se refere ao marido.
— O que eu descobri hoje sobre Aklon, me deixou com a cabeça zonza e o que eu acabei de ver... você estava certa esse tempo todo — o Rei repetia as mesmas palavras, mas dessa vez ele colocou as duas mãos sobre a cabeça como quem estivesse fora de controle.
Neres olhava para seu marido expressando não estar entendendo nada do que o rei falava.
— Angus, você não está falando coisa com coisa! Pelo amor dos deuses, fala devagar para que eu consiga entender — ela pediu segurando as mãos do marido a fim de acalmá-lo.
— Tudo bem, mas senta, por que se você ficar de pé, suas pernas perderão as forças! — rainha fez o que o marido pediu e enquanto ele contava tudo o que o mago o havia revelado sobre Aklon, Neres era tomada de grande pavor. Ela só conseguia pensar no filho, mas não somente por causa da coroa e sim por sua própria vida.
— Isso não pode ser possível! — Neres falava com a voz alterada. — Como pode um homem, ou melhor, um menino ser assim tão poderoso! Você tem certeza de que tudo isso não passa de uma invenção daquele mago maluco? Ele pode estar inventando essas coisas para tentar destronar você! Foi por isso que te disse para casar Aklon e enviá-lo para longe de nós e assim nosso filho poderá reinar em paz.
Angus olha para Neres e não consegue se conter diante dela.
— Mas será possível que você só pensa na maldita coroa, Neres? Há muito mais em jogo do que o trono, estamos falando de um ser poderoso enviado pelos deuses para o nosso país! E se for à vontade deles que Aklon o tome para si, não será esse seu egoísmo que irá impedir! — comentou o rei, em seguida ele novamente ingere de forma muito rápida outra taça de vinho.
— Eu não estou sendo egoísta, só estou tentando proteger o nosso filho, o seu filho! — respondeu Neres chorando.
Angus apoiou-se em uma mesa onde ficava a ânfora de vinho e a empurra fazendo o objeto se despedaçar no chão, em seguida fez silêncio por alguns instantes, depois retoma a palavra e revela que fará tudo o contrário do que a esposa lhe havia instruído.
— Eu lamento, mas não farei como você me disse! Aklon é valioso demais para que seja entregue a outro reino apenas por medo. O que eu farei conforme você me aconselhou será me reaproximar de Aklon, cuidar de sua educação, amá-lo e ensiná-lo a me amar. Só então eu poderei controla-lo e fazer dele a principal arma de Slat, o conselheiro real perfeito para mim e para Timo depois de mim! E quanto a Remo, você também está certa! Ele seria mesmo capaz de m***r até o rei para defender Aklon!
Após dizer estas palavras, Angus deixa Neres sentada em sua cama e retorna para a sala do trono. Lars vai ao seu encontro, mas o rei nada comenta com o irmão, ele também percebe que o rei não está muito concentrado naquele dia e decide retornar aos seus afazeres, que eram supervisionar o treinamento dos soldados.
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Em Estakhr, a rainha Zaila é surpreendida com uma visita inesperada em seu palácio. Era o regente de Ulfhild que governava o país em nome da monarca, nesse caso, a própria Zaila.
— Tamanho deve ser o problema para trazê-lo em minha presença, Gaspar! Diga o que aflige o meu povo de Ulfhild?! — perguntou a rainha, entrando na sala do trono e caminhando em direção ao mesmo.
— Que os deuses a abençoe, majestade! Mas o que me traz aqui é a necessidade de uma posição de vossa alteza com relação às dificuldades que os Ulfhildenses estão passando! Nosso povo já não aguenta mais trabalhar e não ver os lucros! — disse o general.
Zaila respira fundo antes de responder, mas na verdade ela nem sabia o que responder ao general de Ulfhild e disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
— Volte e diga ao povo de Ulfhild que sua rainha não se esqueceu dele! Você levará um grande carregamento em ouro. Isso deverá suprir suas necessidades por um tempo e diga a eles que muito em breve sua rainha lhes proporcionará algo que mudará suas vidas para sempre!
O regente pareceu ter se conformado com o resultado de sua visita a Estakhr, mas Zaila percebeu que aquilo não foi o suficiente, ela sabia que parte daquele ouro seria desviado pelo próprio regente que era conhecido por ser um corrupto. Ele saiu da sala do trono dizendo que reportaria tudo o que ouviu ao seu povo.
— Eu sei exatamente o que você pretende fazer com esse ouro, seu velho babão! Mas logo o que é seu está chegando, enquanto isso aproveita o tempo de fartura ilícita que lhe resta! — disse a rainha em voz baixa.
Zaila olhava para Gaspar enquanto ele se afastava gradativamente de sua presença. Os soldados que estavam presentes notaram que sua rainha não estava nada contente com o regente de Ulfhild. Ela então ordena que o guarda chamasse em sua presença um oficial de sua confiança.
— Você está pronto para servir sua rainha e seu povo, Astreas?!
Um jovem de cabelos castanhos e porte físico amedrontador desembainhou sua espada e colocando-a com a ponta para baixo, ajoelhou-se apoiando-se na mesma.
— Quando me tornei um cavaleiro, jurei que minha espada seria sua, majestade e mantenho o meu juramento! É só ordenar que eu o farei.
Astreas era nativo de Ulfhild, era bastante jovem com apenas vinte e dois anos, mas dono de força e agilidade extraordinárias, além de possuir grande inteligência. Ele havia sido criado e treinado por Roghon, o General comandante dos exércitos unidos, uma vez que seus pais o abandonaram, Roghon foi o único pai que Astreas conheceu. Com um visual desleixado, cabelos curtos e meio bagunçados, ele era avantajado em altura, cerca de um metro e noventa. Seu porte físico era atlético, sendo que não era musculoso demais e nem magricela, o que lhe dava certa vantagem em seus movimentos no campo de batalha.
Assim que se tornou adulto, Astreas foi presenteado por Rogon com uma armadura vermelha com a qual lutou contra soldados rebeldes que foram contra o casamento entre o rei de Ulfhild e Zaila. Em dado momento, Astreas se viu cercado por um grupo de dez soldados, mas para espanto de todos os presentes, inclusive de Rogon, o jovem ergueu sua alabarda e com um único golpe ele decepou a cabeça de todos os que o cercavam. E por causa desse feito que Astreas passaria a ser chamado a partir daquele dia de “A Fúria Vermelha”. Ao ficar sabendo da bravura e lealdade desse jovem, o rei mandou que o mesmo fosse levado á sua presença e o tornou um de seus cavaleiros mais próximos.