Frei e Zaila passaram a noite juntos, mas logo cedo conforme manda o protocolo real de Estakhr, ela desperta para cumprir seus afazeres reais. Frei desperta e já não ver sua amada ao seu lado, ele então decide ir embora sem saber se voltaria novamente para Askhalon, já que seu desejo naquele momento era esquecer que um dia Zaila fez parte de sua vida. A rainha então se dirige até seu gabinete onde o general Gardon a espera com notícias nada animadoras.
— O que tem de tão grave para me dizer, Gardon? Parece até que você viu um fantasma ou coisa pior! — disse a rainha sentando-se em seu local de trabalho de sempre. Com seus rajes reais estravagantes, os quais deixavam colo e pernas à mostra, provocando a imaginação de seus subordinados.
— O assunto é sério, minha rainha. Acontece que o povo de Ulfhild tem demonstrado insatisfação com seu governo! — respondeu o general.
— Mas o que significa isso?! Por que o povo de Ulfhild está agindo assim?! Eu não entendo, pois eu sou sua rainha legítima! — Zaila reprova o povo do país natal de seu falecido marido.
— Eles reclamam que já não aguentam mais trabalharem feito escravos apenas para sustentar o luxo e as extravagâncias de Estakhr! Askhalon tem consumido cerca de dois terços de tudo o que vem de lá, majestade e o povo Ulfhildiano não está nada satisfeito com isso! Aconselho que vossa majestade tenha bastante cuidado, pois o regente poderá pedir seu afastamento do trono e tudo isso com o apoio do povo!
As palavras do general deixaram Zaila apreensiva, mas ela agiu da forma mais natural possível e prometeu ao general que iria pensar em uma forma de amenizar a situação e colocar tudo em seu devido lugar.
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Em Kels, Neres e Jensen conversavam enquanto caminhavam no jardim principal do palácio e a rainha decide falar sobre assuntos incomuns para a esposa do chefe da guarda real. Certamente a rainha de Slat estava curiosa por saber até onde chegava à fidelidade da família de Remo ao rei.
— Meu marido jurou lealdade ao rei Angus, majestade! Ele jamais seria capaz de trair esse juramento! — respondeu Jensen. — Mas não n**o que Remo possui um carinho muito grande pelo príncipe Aklon e até onde ele seria capaz de chegar para defender sua alteza, isso eu não posso informar!
Jensen pediu licença a Neres e retornou para seus afazeres no palácio real. A rainha por sua vez permaneceu ali parada pensando no que Jensen havia dito a ela, pois a desconfiança de Neres estava além de seu controle. Ela temia que Aklon pudesse vir a fazer m*l ao seu filho para ficar com o trono. Após algum tempo sem se mover, Neres é surpreendida por Selene, a sacerdotisa principal do templo de Janus que a chamou.
— Minha rainha? Está tudo bem com a senhora?! — perguntou Selene.
— Ah, sim, sacerdotisa, eu estou bem sim! Só estava um pouco pensativa! Mas o que você queria falar comigo?! — a rainha perguntou.
— Sim! Na verdade, gostaria de falar com o príncipe Lars, mas pode ser com a senhora, é sobre Aklon. Que menino magnífico, sua sabedoria excede em muito a de Magnus! Chega a ser irônico, o aprendiz superando o mestre! — disse Selene com um sorriso largo. — Ele com certeza é um Fated e Janus está nele!
Neres ficou sem saber o que responder e disse a Selene que deveria se retirar, pois estava atrasada para um compromisso. A sacerdotisa não entendeu muito a atitude da soberana, mas não disse nada e seguiu seu caminho. Neres chegou à sala do trono onde estava Lars conversando com Angus.
— Você deve sentir muita falta de Lídia, não é mesmo?! — perguntou o rei.
— Sim! Em pensar que ela era tão acostumada com aquela égua e justamente ela a derrubou! — respondeu Lars com os olhos marejados.
— Mas a culpa não foi da égua! — respondeu o rei. — Aquela serpente ter aparecido ali foi uma fatalidade e o pobre animal se assustou causando aquela tragédia!
A rainha não chegou a entrar na sala do trono, ela resolveu deixar os irmãos conversarem e retornou para cuidar de seu filho. No corredor principal que dava acesso ao quarto real, ela dá de cara com Aklon que sorri para ela. Neres não consegue disfarçar seus sentimentos e ignora o garoto que fica sem saber o motivo de sua tia ter agido daquela forma.
— “Ela deve estar passando por algum problema”, — pensou o jovem príncipe que também seguiu seu caminho em direção aos seus aposentos.
Aklon sentou-se em sua cama e começou a observar a pintura de sua mãe em uma enorme tela. Ele não conseguia tirar os olhos dos olhos de Lídia e então o jovem prícipe foi tomado por um sono que o fez tombar sobre a cama em poucos segundos.
De repente ele abre os olhos e percebe que não está mais em seu quarto e sim em um lugar completamente diferente de tudo o que ele algum dia havia visto. A única coisa conhecida naquele lugar era a torre de Janus que tinha a forma de um obelisco e do templo dos doze, este que por sua vez possuía a cobertura em forma de cúpula, como se metade da Lua estivesse na terra.
Aklon levantou-se e caminhou devagar por uma relva com flores rasteiras e as mesmas exalavam um perfume diferente, porém muito agradável. O príncipe continuou caminhando em direção ao templo, mas uma voz que soava como um trovão chamou pelo seu nome.
— Aklon! Velsignet være vår utvalgte!
(Bendito seja, nosso escolhido)!
— Quem é você, meu senhor? Quem está falando comigo e onde eu estou? — o príncipe pergunta assustado. — O que está acontecendo comigo? Você fala em uma língua estranha, mas eu consigo entender! Onde eu estou?
De repente, a única voz soou como se muitas vozes falassem ao mesmo tempo. Aklon sentia como se algo o envolvesse, uma paz que jamais ele havia sentido.
— Aklon! Mange ting du ennå ikke er klar til å forstå, men du må alltid være klar til å godta endringene som snart vil skje i livet ditt!
(Muitas coisas você ainda não está pronto para entender, mas você deve estar sempre pronto para aceitar as mudanças que logo ocorrerão em sua vida!)
— E que mudanças são essa?! Por acaso você é um deus?! Ou vocês são deuses, já que o som soa como trovões e muitas vozes?! Por favor, me respondam o que eu pergunto! — o príncipe perguntava bastante ansioso.
— Aklon! — dessa vez uma esfera de luz aparece em frente ao garoto e sua energia é tão densa que o príncipe chega a sentir a mesma tocando o seu rosto. — Vi er alt du vil at vi skal være! Guder, venner, beskyttere... men fremfor alt er vi her for å hjelpe deg med å oppnå alt du ønsker, og du, Aklon, du vil være den mellom oss og ditt folk! Alt vil bli avslørt til rett tid, bare stol på oss!
(Nós somos tudo aquilo que você quiser que sejamos! Deuses, amigos, protetores..., mas acima de tudo, estamos aqui para ajudar vocês a alcançarem tudo aquilo que desejam e você, Aklon, você possui um destino que se cruza ao de outros como um Rio que necessita fazer várias curvas para em fim chegar onde deve chegar)!
O príncipe começa a chorar diante da esfera de luz. Ele procura dentro de si uma forma de compreender tudo que está ocorrendo ali, Aklon sabe que pouco tempo antes, ele estava dormindo e aquilo poderia ser um simples sonho, porém os seres cuja voz saia da esfera, também sabia o que se passava em seus pensamentos.
— Du drømmer ikke, Aklon! Dette er alt ekte, så ekte som foreldrene dine og verdenen du lever i!
“Você não está sonhando, Aklon! Tudo isso é real, tão real quanto seus pais e o mundo onde vive”.
— Meus pais! Minha mãe! — ele exclamou. — Se são deuses e cuidam de nós, por que permitiram que minha mãe morresse?! Deram-me o poder de curá-la, mas um ano depois deixou que ela caísse de um cavalo e perdesse a vida! Que tipo de p******o é essa a sua?! — indagou Aklon demonstrando descrença.
— Vi tar bare vare på deg, Aklon, vi forstyrrer ikke hendelser eller skjebnen din. Hendelsene som skjer, enten forårsaket av naturen eller forårsaket av mennesker, kan vi ikke blande oss inn i, fordi du eier dine egne skjebner!
“Nós apenas cuidamos de vocês, Aklon, nós não interferimos nos acontecimentos, nem em seu destino. Os eventos que ocorrerem, seja causado pela natureza, seja causado pelo homem, nós não podemos interferir, pois vocês são donos de seus próprios destinos”!
— Então eu posso escolher se eu sirvo a vocês ou não?! — indagou o príncipe.
— Ja! “Sim”!
— Então quero que saibam que a partir de hoje, vocês não terão mais parte em minhas escolhas! Eu sei que vocês existem, mas só servem para reforçar teorias de que os deuses interferem naquilo que fazemos e nas escolhas que tomamos. A partir de hoje eu serei o dono do meu próprio destino e senhor de minhas próprias escolhas! Irei empenhar-me para ajudar meu povo sem a influência da religião e do fanatismo, eu acredito em mim e no que sou capaz! — disse o príncipe fechando os punhos e com olhar firme.
— Derfor skapte vi deg, valgte deg ... slik at du kunne føre folket ditt på en ny bane, en vei der det umulige kan bli mulig og du, Shahr krystall, selv om du ignorerer oss på grunn av din harme. en dag vil du gjenkjenne at du er en av oss!
“É para isso que você existe, sua existência é... — eles fizeram silêncio por um breve momento, em seguida prosseguiram — para que pudesse conduzir seu povo por um novo caminho, um caminho onde o impossível pode se tornar possível e você, Cristal de Schahr, mesmo que venha a nos ignorar por causa de seu ressentimento, um dia reconhecerás que é um de nós”!
— Um de vocês! Um deus! Um deus!
Aklon sentiu o mesmo sono tomar conta de seu corpo fazendo com que ele desmaiasse. Enquanto tentava abrir os olhos devagar, ele ouvia alguém chamar seu nome ao longe, foi quando finalmente conseguiu abrir os olhos e viu que sua cuidadora Jayla estava ao seu lado.
— Aklon! Meu senhor, finalmente despertou! — disse ela sorrindo e correndo em direção à porta. Então em voz alta ela falou para todos os que estavam do lado de fora. — Meu senhor Lars, majestade, ele acordou!
Imediatamente, Angus e Lars entraram no quarto e o príncipe abraçou o filho chorando de alegria. Aklon não entende nada do que está acontecendo, apenas observa também sua tia Neres se aproximar dele e acariciar seus cabelos.
— Esperem um pouco! O que está acontecendo aqui?! Vocês estão agindo como se eu estivesse estado fora e acabado de chegar. Por que esse alvoroço todo?! — perguntou o jovem príncipe um tanto confuso.
Lars e Angus se entreolharam e então o rei pede a todos que deixem pai e filho conversarem a sós. Selene concorda com o rei e todos deixam os aposentos de Aklon, pois a pessoa mais indicada para explicar tudo o que havia acontecido a menino, era seu pai.
— Pai, o que houve comigo?! Por que estão agindo assim?! — perguntou novamente garoto bastante confuso.
— Filho! — Lars respondeu respirando fundo e limpando a garganta. — Nós não sabemos explicar o que aconteceu com você, mas você já está dormindo direto há quatro dias!
— O que? O senhor está dizendo que eu estou dormindo desde terça-feira. Como isso é possível?! —perguntou Aklon confuso.
— Quando Jayla encontrou você, ela disse que estava com apenas metade do corpo sobre a cama e dormindo profundamente — seu pai respondeu pausadamente — desde então você tem dormido e nem mesmo Magnus conseguiu descobrir o que aconteceu. Creio que somente os deuses...
— Os deuses?! — disse Aklon interrompendo seu pai. — Pode ser que os deuses tenham alguma coisa a ver com isso, mas eles não se importam muito com o que acontece ou deixam de acontecer! — concluiu com certa ironia.
— Aklon, o que está dizendo? Por que está falando assim?! Pelo seu tom de voz, parece que está desafiando os deuses! — questionou Lars desconhecendo o filho.
— Um dia você entenderá tudo, meu pai, mas até lá, procure não depositar seu destino nas mãos de quem não pode muda-lo! Apenas você é capaz de construir seu destino, por tanto, procure fazer as escolhas certas para que não termine de forma decadente e imputar aos deuses o fracasso que você mesmo causou para si! — respondeu o jovem príncipe apresentando uma postura diferente da anterior. — Peço-lhe, por favor, meu pai, diga às servas que me traga algo para comer, pois tenho fome! E depois peça a Magnus que venha a mim o mais rápido possível, temos muito a tratar!
Lars nada respondeu, tão somente levantou-se e fez o que seu filho pediu. Ele também foi até o templo de Janus e deu o recado a Magnus e Selene revelou que sentiu algo diferente no príncipe.
— Todos nós sentimos Selene! — respondeu Lars.
Logo depois ele foi ter com o rei e reportou as palavras de Aklon, o que fez o soberano se lembrar do que sua esposa o havia dito alguns dias antes. Depois que seu irmão se retirou, Angus sentou-se em seu trono e pôs-se a pensar em tudo o que havia acontecido, mas agora, algo parecia indicar que seu sobrinho estava começando a desafiar até mesmo os deuses.
— “Vejo que você estava certa o tempo todo, Neres”! — pensou o rei. — “Se a sabedoria de Aklon aumentou, certamente que seu poder também e isso indica que minha influência sobre ele igualmente deve aumentar, pois é melhor tê-lo ao meu lado do que contra mim e quando estiver pronto, eu cuidarei para que se case e vá para bem longe da minha família”!
O rei permaneceu ali pensativo e em sua mente ele já começava a traçar um plano para retomar sua influência sobre Aklon e desligando-o do domínio de Lars e Magnus. O coração do rei estava aflito por conta da enorme pressão que viu cair sobre seus ombros através da vinda de seu sobrinho, embora nos primeiros anos tudo parecessem sob seu controle, ele percebeu que quanto mais velho Aklon se tornasse, mais poderoso ele se tornaria e nem mesmo os magos poderiam prever a forma com que ele usaria esse poder, se para o bem ou, para o m*l. Somente o futuro poderia revelar tal acontecimento dando a resposta certa para todas as perguntas.