Capítulo 1

978 Palavras
Kalleb olhava para a sua mesa extensa, cheia de senhores interessados na melhoria empresarial. CEO de uma das inventoras de peso no ramo dos destilados, ele tinha uma nomenclatura altamente forte entremeio aos grandes nomes dos ricaços da sociedade. Às vezes a crise batia, às vezes ia bem, mas ele tinha o macete de muitos anos e a experiência como uma aliada. Se tinha uma coisa em que ele era bom, era manter os negócios em pé. Encerrando sua fatídica reunião, o homem se levantou da mesa se despedindo educadamente de cada um dos seus sócios ou nome importante para o sistema corporativo, e sentou cansado ao soar da última batida na porta fechada e sua solidão empresarial se fez presente. Bilionário, poderoso e sozinho. Apesar de saber que o seu destino era certo e com quem seria o seu destino, a demora para que os ocorridos acontecessem o fazia ansioso. Ele viajava para os Estados Unidos constantemente para negócios, mas nunca ousou procurar por seu destino antes da hora. Kalleb nunca mais conseguiu partilhar uma cama depois que tivera seus instintos conectados à sua outra metade. Não havia nada s****l e ele não era nenhum doente, mas era da natureza de sua linhagem. Ele não conseguia se conectar carnalmente depois que o destino lhe desse o aviso de que ele pertencia a outra. Mas, às vezes, o chamado da natureza lhe pedia por socorro. E Kalleb imaginava como seria sua futura esposa. Imaginava suas curvas. Imaginava suas vontades, e o que poderia fazer quando tocá-la, imaginava até sua imagem vestida num belo cetim branco e se tornando a noiva perfeita. Ele imaginava, sua carne correspondia a sua imaginação e isso o fez se lembrar que não sonhava com ela há um bom tempo. — Com licença, senhor. — Uma batida na porta chamou sua atenção, enquanto ele ainda se via sentado na ponta da mesa de reunião. — Há uma chamada importante no hall de entrada, o nome dele é Lancel e diz que tem prioridade com sua palavra. Devemos deixar sua passagem? Kalleb franziu o cenho, uma vez que seu inimigo número um não tinha prioridade nenhuma, mas se tratava de um primo de sua linhagem e o parentesco o fazia engolir o i*****l por pura obrigação. E sem descarregar seu desgosto na secretaria atenciosa, apenas confirmou e se levantou disposto a atender o primo em seu escritório. — É um pouco indelicado de sua parte me barrar na portaria. — comentou Lancel com uma batida simplória na porta e adentrando o escritório. — Este é meu local de trabalho, não a casa da sua tia. Querido primo. — Ele ironizou, enquanto Lancel se servia de um escocês raro na ponta da mesa de madeira escura, sem nenhuma cerimônia. Kalleb observou os movimentos do primo e o viu se sentar à sua frente. Sério, com os cotovelos apoiados na sua cadeira e um olhar cuidadoso para Lancel, ele aguardou as boas novas, ou más, que podiam vir do indivíduo. — Ao que me dá a honra de sua presença? — questionou com cuidado. — Sua vida e seu futuro, é claro. — Lancel bebericou o copo de vidro quadrado, movimentou a bebida em círculos e engoliu devagar. — Seja mais específico. — pediu Kalleb. — Kall, recebi um convite de congratulações e boas vindas, parece que nossa anciã mais velha virá nos visitar. — Kalleb respirou fundo, cruzou os dedos na altura de seu rosto e continuou observando o primo. — Sabe que ela vai questionar sua outra metade, não sabe? — Lancel manteve um segundo silêncio, e chacoalhou o copo mais uma vez. — Sabe que sou o próximo na linha de sucessão, não sabe? — Meus irmãos discordam. — Kalleb respondeu calmo. — Mas se a sua predestinada não aparecer, sua família será considerada uma árvore seca e a fortuna do nosso legado ficará em minhas mãos. Lancel era tão bonito quanto Kalleb, mas com traços mais finos no rosto a pele branca e um semblante jovial. Já Kalleb, de pele dourada pelo toque solar, mostrando-se um escocês legítimo, era mais o fruto de um pecado ambulante agradável aos olhos. — Não se preocupe, Lancel. Na hora certa, eu a apresentei para todos. Lancel sorriu ladino, engoliu o líquido de uma única vez e bateu o copo em desafio, olhando firme para Kalleb. — Isso, se ela realmente existir. O Primo provocador não deixou de mostrar a sua satisfação ao notar o desconforto de Kalleb, no entanto, ele não estava disposto a ceder. Já fazia um tempo que não visitava sua predestinada em algum sono por aí, mas ele sabia que o destino não era falho. Bastava-te paciência. E considerações como o fuso horário, ele devia levar em conta, pois os dois deviam estar dormindo para que o sonho fosse o mesmo. — Agradeço sua preocupação, querido primo. — respondeu calmo e lhe apontou a porta. — No momento certo, verá que o meu destino não se tornou uma árvore seca. Agora pode se retirar. Não terá o prazer de ter minha fortuna em tuas mãos. Lancel apoiou o copo vazio em sua mesa, tocou uma dose de olhar inimigo com o primo e por fim cedeu a provocação. Ele sabia que Kalleb não iria dizer nada, mas Lancel tem quase certeza que pela primeira vez em sua família, há uma árvore quebrada. Kalleb não tem uma predestinada e ele triunfará sobre o legado de todos, como o mais poderoso. No momento certo, Kalleb vai cair. — Até mais, primo. Mande meus cumprimentos a minha tia. Lancel se levantou com calma, caminhou com elegância e se retirou. O ar ficou totalmente mais respirável, Kalleb afrouxou o nó da gravata e se recostou na cadeira, respirando fundo e preocupado. Já fazia um bom tempo que não sonhava com sua predestinada… Onde é que ela estava?
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