Tati narrando Eu ainda sinto o gosto salgado das minhas próprias lágrimas quando o Juninho passa o polegar no meu rosto, limpando cada gota como se tivesse medo que eu recuasse. Como se qualquer vacilo meu fosse destruir o que a gente acabou de descobrir. Mas como é que eu ia recuar? Eu amo esse homem. Amo desde antes de admitir. E agora… agora a gente vai ter um filho. Me levanto devagar, respirando fundo, a minha mão deslizando pela minha barriga ainda reta. É estranho pensar que ali dentro já tem vida, já tem parte dele, parte minha. Juninho me observa como se eu fosse vidro prestes a rachar. — A gente precisa ir. — Digo, tentando parecer mais firme do que tô. — O Diego vai querer respostas antes do jantar. Juninho solta um suspiro pesado, passa a mão pelos cabelos. É o nervosismo

