MARIANNA THOMÁZ O sol estava alto quando me vi deslizando pelas ruas da cidade, encolhida no banco de trás do carro, as mãos apertando a alça da bolsa como se fosse me segurar dentro do mundo. O hospital ficou para trás, cinzento, opressor, cheio de corredores que ecoavam meu choro, e à frente se desenhava uma estrada vazia, cercada de palmeiras e terra seca. O caminho para o sítio da família era solitário e ilimitado como a minha dor. Cada quilômetro me deixavgva mais destruída a beira do alcoolismo emocional, eu m*l conseguia manter os pensamentos unidos dentro de mim. Precisava parar de pensar nele, de pensar no Gabriel. Pensar no sorriso dele, no jeito como ajustava meus cabelos, nos braços firmes que me abraçavam quando eu dizia que tinha medo de tudo. Aqueles braços que, eu agora

