GABRIEL EDUARDO BELLMONTE Acordei com o chuveiro quente no rosto, mas meu corpo não esquentou, tinha audiência hoje, a audiência que eu esperava há anos, a chance que eu tinha de arrancar de vez o golpe que Simas campeou durante anos, roubando a herança da minha mãe, a mulher que me odiava por eu existir. Eu havia crescido com aquele fantasma, e agora, finalmente, eu podia derrotar o m*l que rodeava a minha origem, mas, sem a minha Mari… sem ela, até a vitória parecia um fracasso infame. Entendi cedo que não existiria celebração, tudo parecia um simulacro de felicidade, o tribunal me esperava, com promotores, advogados, papéis impressos, estilhaços do passado, mas sem seu abraço, seu olhar, suas mãos... eu não ia conseguir. E ainda assim fui, como se fosse uma obrigação. No caminho ao

