MARIANNA THOMAZ A noite parecia engolir tudo ao redor. A mansão de Gabriel era silenciosa demais, tão silenciosa que o som do meu coração parecia ecoar nas paredes. Eu estava deitada na cama dele, imóvel, tentando me convencer de que poderia simplesmente dormir, esquecer por algumas horas que o homem ao meu lado era o mesmo que partira tudo o que eu tinha dentro de mim. Mas era impossível. A lembrança de tudo o que ele fez, das palavras, da dor, ainda era viva demais. E o pior era estar ali, no mesmo quarto, no mesmo ar, respirando o mesmo perfume dele. O cheiro de Gabriel era um veneno doce. E eu estava cansada de lutar contra o que esse homem ainda despertava em mim. Ele se aproximou, depois de alguns minutos de silêncio. — Você vai conseguir dormir? — perguntou com aquela voz gra

