GABRIEL EDUARDO BELMONTE Eu não consegui dormir. Fiquei parado do lado de fora do banheiro, ouvindo o silêncio pesado que vinha lá de dentro. Às vezes, um soluço escapava, abafado. Outras vezes, nada, só o som da minha própria respiração, irregular. Ela estava ali, chorando, sofrendo, e tudo por minha causa. Marianna. A mulher que sempre foi o centro da minha vida, mesmo quando tentei me convencer do contrário, a mulher que eu magoei, que perdi… e que agora, sem aviso algum, carregava o que eu nunca imaginei ter de volta, nosso filho. Meu coração batia num ritmo que doía. Meu corpo inteiro tremia de adrenalina, medo e uma alegria insana que eu tentava conter. Eu tinha um filho. Ainda tínhamos um filho. Aquele pensamento me atravessava eufórico, como um raio. Mesmo uma dor invadi

