Quando o sol entrou pela janela, o mundo parecia outro, Mari dormia ainda, os traços suaves, a respiração calma. Levantei devagar, peguei o celular e fiz algumas ligações rápidas, roupas, comida, o carro pronto. Eu sabia que ela ia resistir, Mari sempre resistia, mas dessa vez, eu ia insistir. Quando ela acordou, ainda estava abatida, o olhar distante. — Eu quero ir embora daqui. — disse sem rodeios. — Vai ter tempo pra isso. — Respondi tranquilo. — Mas agora, a gente vai sair um pouco. — Não, Gabriel. Eu não vou a lugar nenhum. — Vai sim. — Falei com calma, pegando o casaco e jogando sobre os ombros dela. — Você não tem nada aqui, precisa de roupas, de conforto. — Eu não preciso da sua ajuda. — retrucou, firme, mas a voz tremia. — Precisa, sim. — Inclinei-me e segurei seu queixo

