Trinta e um anos, e era a segunda vez que um homem a carregava no colo; a primeira fora o seu pai e Trish estava doente. Inventara a doença. O pai viajava muito e quando estava em casa conectava-se à televisão. O único jeito de ter a sua atenção era adoecer. Ou inventar uma doença. Funcionara, à época, durante dois dias. Agora, adulta, outro homem a carregava para algum lugar que, se ela não sofresse ainda os vestígios da bebedeira, estaria preocupada. O álcool calibrava as sensações e os sentimentos, pelo menos daqueles que os tinham polarizado em extremos. Vez por outra, a razão determinava atitudes e arrependia-se, o álcool então trancava por alguns instantes a sensatez, o pensamento lógico, o exato e aceitável. Aí, vivia-se por inteiro e pleno. Por isso a ressaca tinha gosto amargo. Era o retorno à armadura de p******o.
Cheirava à lavanda, as fronhas e o lençol da cama em que ele deixou-a para fechar a porta e girar a chave na fechadura. Ela preferiu manter a farsa e fitou-o através das pálpebras semicerradas.
Jack serviu-se de vinho, bebeu-o de costas para ela. Depois, entrou no closet e voltou com lençóis dobrados e outro travesseiro e, assim que lhe relançou um rápido olhar, ela fechou o olho novamente. Esperou que voltasse ao closet, pois imaginou que pegaria uma roupa para dormir. Provavelmente, se ajeitaria em outro cômodo. Caso ele agisse dessa forma, ela teria de partir. Não o queria como amigo ou alguém que devesse consideração. Ela era um fantasma à beira da estrada estendo-lhe a mão, não era?
Quando a encontrou apoiada nos antebraços, fitando-o com severidade e desafio, parou no meio do quarto.
– Se não fará s**o comigo, irei embora e nunca mais nos veremos. – soou como uma ameaça.
Ele manteve a expressão séria e profunda. Pôs o pijama dobrado sobre a cômoda de duzentos anos e, esquadrinhando o rosto impassível da mulher, aproximou-se devagar, testando os passos sobre a madeira onde séculos atrás algum homem, como ele, caminhou até uma mulher na cama esperando-o.
–Eu poderia classificá-la de inúmeras formas. – disse com sinceridade. – Está se oferecendo a um desconhecido.
–E você não parece determinado a agir como homem, – completou ela com maldade. – assim, eu também poderia classificá-lo de inúmeras formas.
Ele sorriu, mas era um sorriso triste, de alguém que carrega uma cruz ao longo de um caminho de espinhos para concluir, no fim da jornada, que a cruz é apenas o cruzamento de madeiras mortas.
–Tem certeza de que não sabe nada sobre mim? Não sabe quem sou?
–Estou há dois anos em Paris e vivo ao redor do meu próprio umbigo. Isso responde a sua pergunta?
–Oui. – murmurou, baixando a cabeça até nivelar um nariz ao outro: – Quer assinar algum contrato?
–Prefiro não saber como é a sua letra. – disse, sorrindo, respirando a fragrância agradável da respiração dele.
Ele roçou seus lábios nos dela, sem deixar de fitá-la. Afastou-se em seguida e disse algo duro num tom gentil:
–Por que tem tanta certeza de que é meu tipo?
–Não sou? – sorria ao perguntar.
Trish pouco se importava com a resposta. O perigo estava em outro lugar. Era Michel que importava, e ele demonstrara claramente que se sentia atraído por ela.
– Não é a primeira vez que uma mulher me leva pra cama, – ele disse, fitando-a com intensidade e completou: – mas é a primeira vez que ela diz que não será por amor. – ele chupou o lábio inferior da moça e sem descolar-se dela, continuou, baixinho: – Preciso dizer que na minha cabeça não há divisões, não há fronteiras entre s**o e amor, são dois países amigos.
– Então não sou seu tipo de mulher. – considerou ela, afastando-se dele.
Foi detida por uma mão em seu ombro, que a fez deitar gentilmente sobre o travesseiro.
– E como sabe que não sou seu tipo de homem? – baixou a cabeça e esfregou o maxilar com a barba macia e cheirosa no pescoço dela. – Posso surpreendê-la, – sussurrou, – sou obediente e atencioso.
Falava baixo, a voz ligeiramente rouca. Era possível perceber um leve tom de deboche no que dizia também. Caçoava dela, brincava com o plano de serem amantes eventuais. Devia achar-se muito bom para ser esnobado por uma mulher.
–Prefere então ser meu cãozinho de estimação? – perguntou com ironia.
– Não. – sorriu sem jeito e tomou-lhe o rosto entre as mãos. – Só quis dizer que me comportarei como um objeto s****l, do jeito que mademoiselle preferir.
– Está debochando? – olhou-o desconfiada.
– Um pouco. – tornou a beijá-la suavemente e disse: – Tentarei estar sempre disponível para satisfazê-la e espero que isso ocorra também em relação a mim.
– Como? – fitou-a aturdida.
– Se sou seu objeto, você é o meu. – declarou, incisivo.
–Fui eu quem inventou essa história, você não passa de um personagem...
–Oh, oui, sou j**k, – ele sorriu – Não tenho idade para fingir quem não sou, Marie. O que você ganha, eu ganho. O que cede, eu cedo. É difícil aceitar que você não está no comando? – arqueou a sobrancelha, interrogativo.
Ela não teve como responder, pois admirava a boca aproximando-se úmida, morna, abrindo-se lentamente, tocando os cantos dos seus lábios, mordiscando-os, deslizando a ponta da língua por entre as comissuras e avançando sem pressa para dentro. Entreabriu os lábios para receber a língua macia, com gosto de vinho e cigarro, o sabor másculo do tabaco e sofisticado da bebida. E assim lhe parecia j**k: viril e requintado. Ainda tinha o rosto entre suas mãos e ele lhe tomava a boca como se provasse um pêssego tenro, degustando a pele aveludada e a polpa macia. Gestos calmos e precisos, apenas um beijo e tudo um beijo.
Deixou-se levar para onde ele queria. Apertou a nuca dele de modo a aprofundar ainda mais a carícia, chupando sua língua, aspirando o cheiro de sua barba e pele, um cheiro de almíscar com notas profundas amadeiradas. Gemeu quando ele se afastou ligeiramente para, em seguida, enveredar-se pela linha do maxilar, deslizando os lábios entreabertos até mordiscar o queixo dela, o lóbulo da orelha e têmpora. Descansou a boca sobre a veia que pulsava forte debaixo da pele.
– Quero que entenda que aceito essa coisa sem sentido, porque estou morto por dentro. Pelo menos uma parte, talvez a melhor, tenha morrido há dois meses. – falou baixinho contra o rosto dela.
–Não quero saber sobre seu passado. – enfatizou.
Ele suspirou profundamente, descendo as mãos ao longo do pescoço de Trish até lhe alcançar os ombros, as alças do vestido e deslizá-las para baixo. Beijou a rótula do ombro enquanto a mão enchia-se com um seio sendo pressionado sensualmente.
Ela gemeu e buscou os lábios masculinos, sentindo-se derreter. Havia urgência no beijo. Ele retribuiu a carícia com a mesma intensidade, ajeitando o corpo sobre o dela e abraçando-a com força. Contra o abdômen, o pênis ereto forçando a calça, pressionando-a à medida que se agarrava ainda mais nela, esfregando com languidez o quadril contra o quadril dela. O atrito das roupas fazia barulho baixo e seco. Podia ouvi-lo gemer baixinho por entre a névoa do desejo que a cegava. Desesperada, puxou o vestido até a altura da cintura, expondo a calcinha preta.
Jack compreendeu a sua urgência, encarou-a com os olhos congestionados de vontade e beijou s**o por cima do tecido da lingerie. Trish mordeu a dobra do dedo indicador tentando evitar um gemido alto. Teve de conter-se ainda mais quando ele afastou um canto do tecido, perto da barra lateral, e dedo e língua encontraram a carne macia e quente esperando a sua chegada. Instintivamente, ela ergueu o quadril a fim de facilitar-lhe a investida. Ele sondava o terreno, puxando a calcinha da coxa e enterrando o rosto entre as pernas dela. Lambeu-a toda, separando os lábios e chupando o c******s. Trish via a cabeça dele encurvada entre suas coxas, movendo-se vagarosamente, para cima e para baixo, concentrado em sugá-la, possessivamente. Suas pernas estavam moles. No sangue, eletricidade que o fazia ferver, bem como os seus miolos ferviam. Ela não queria que ele parasse. Nunca mais. j**k sabia que ainda não podia parar nem acelerar. Por isso puxou a calcinha até os tornozelos, arrancando-a do corpo, e pôs as pernas de Trish por sobre seus ombros, posicionando-se entre elas e tornando a saboreá-la com vontade.
– Como é bom... como isso é bom.... – murmurou, apertando uma tira do lençol com força e erguendo meio corpo da cama.
As mãos de j**k seguravam-na pelo quadril e firmava-o para receber suas investidas.
Ela tentava não gemer alto, resistir ao fogo líquido que a queimava por dentro, jogando-se pelas veias das pernas, coluna, braços e terminava no botão duro e próximo da explosão. A musculatura de seu corpo estremecia-se em espasmos irregulares.
– Quero você dentro de mim. – pediu numa voz abafada.
Ele ergueu meio corpo por sobre ela, estendeu o braço e abriu a gaveta do criado-mudo. Retirou a embalagem do p**********o, rasgou-a e, baixando a calça até as coxas, revestiu o pênis.
Trish deitou as pernas na cama, ao redor do corpo de j**k, e admirou o p*u grande e duro projetado para trás, pronto para acabar com os tormentos do corpo dela. Mas os tormentos apenas haviam começado.
Jack puxou a camisa pela cabeça e jogou-a no chão. Posicionou-se entre as pernas da mulher que o observava, ofegante, apoiada sobre os cotovelos, e enterrou lentamente, centímetro por centímetro, o cilindro duro e macio até atingir o fundo.
Ele gemeu alto, fechou os olhos com força, salientando as rugas ao redor das pálpebras e sobre a testa.
–Oh, Marie.... pour l'amour de Dieu, Marie... – sussurrou numa voz frágil e baixa, parecia um lamento, uma súplica.
Mexendo-se devagar, ele afundou mais e mais dentro dela, deslizando como se fincasse bandeira de propriedade. Deitou-se sobre Trish, encostou seu rosto ao dela.
Ela pôs a mão debaixo da nuca de j**k, que foi puxado para frente e os lábios beijados com força e luxúria, línguas se chupavam, dentes se batiam, sangue misturava-se à saliva. j**k m*l mexia o quadril para entrar e sair de dentro dela.
–É linda, é linda... – gemia alto, a respiração pesada ressoava pelo ambiente.
–Vou gozar... oh, Deus, oh, Jack... – Trish ergueu-o quadril e atirou-se no mar de puro magma e virou lava. Levou a mão aos cabelos, puxando-os para trás, em estado de agonia, intensa e prazerosa agonia.
Jack bombeou mais forte e rápido até se esgotar de prazer, trincando os maxilares, expondo uma veia grossa no meio da testa. Gemeu alto, agarrando-se a Trish e apertando-a entre os seus braços. Ele o beijou no cabelo e no rosto, enquanto os últimos espasmos dissipavam-se cedendo lugar à plenitude pacífica dos minutos após a tempestade. Esfregou o maxilar no dela e, sorrindo, beijou-a ternamente nos lábios.
Insatisfeita, rodeou as pernas ao redor da cintura dele e o puxou ainda mais para si. Buscou os lábios do homem novamente, o pescoço, provou o gosto do seu suor. Empurrou-o para o lado e cavalgou-o com força, as mãos apoiando-se nos ombros dele. j**k segurava-a pela cintura a fim de mantê-la firme no galope, olhando-a com a face transfigurada pelo prazer, o cenho franzido e a boca crispada. Os ossos dos seus maxilares projetavam-se modificando a expressão do seu rosto, transformando-a numa máscara de sofrimento, de tormento s****l, de paixão e desatino. Segurando-a nas nádegas, rodeou por cima dela e se pôs novamente no comando. Enterrou-se fundo, admirando-a levantar os braços como se espreguiçasse.
–Se quiser gritar, grite... – murmurou em meio à respiração resfolegante, – não reprima a vontade, seja livre, Marie – incitou-a, arremetendo forte. – É o que busca, não, la liberte...alors, grite!
Uma lança incandescente penetrou-a até o útero e cada terminal nervoso foi arrebatado por uma onda gigantesca de calor. Não pensava mais; sentia tudo, ele, o corpo, o s**o, a pele. Fome, com fome enterrou as unhas nos ombros dele e puxou-o para lambê-lo, chupá-lo, saciar a vontade de comê-lo literalmente, todo, enquanto descontrolava-se e gritava por j**k.
Ele caiu para o lado, o peito subia e descia pesadamente, os olhos fixos no teto para onde ela também olhava.
Trish não queria falar, tomada ainda pela sensação de latejamento como pequenos curtos circuitos aqui e ali, transtornada pela voracidade de seu desejo e pelo último pensamento – um tanto antropofágico – de devorar o homem ao seu lado. Por outro lado, sentia vergonha de ter feito s**o com um desconhecido. Vergonha por ela, não dele, não se importava com a opinião dele, j**k era um j**k e nada mais. No entanto, se sua mãe soubesse que ela praticara s**o com um desconhecido e, pior que isso, se oferecera e praticamente o obrigara a isso, a situação seria desconcertante.
Esfregou a testa procurando tirar a sua mãe dos pensamentos. Mãe e cama não combinavam. Tentou erguer-se para vestir a calcinha e partir.
O homem puxou-a pelo pulso e a fez cair sobre o seu tórax, na junção do ombro e o pescoço.
– Calminha, não cobro por hora. – ele disse baixinho, dobrando o braço a fim de pressionar o rosto dela contra o seu peito. – Vamos descansar um pouco e, depois, a levo para casa.
Trish ergueu a cabeça num átimo e desferiu rapidamente:
–Volto de táxi. – consultou os olhos intrigados dele e respondeu antes que perguntasse: – Nada de endereços.
–Mas você sabe o meu, sabe que moro aqui. – acusou, m*l-humorado.
–Sei por que você abriu sua bendita boca e falou. – retrucou, ajeitando-se para sair da cama. –Já lhe havia dito sobre nada de informações, trocas ou conversas que nos levem a formar um vínculo.
–Já temos um vínculo, ma chérie, nós trepamos. – disse, impaciente, vendo-a nervosa e agitada.
Trish, vestindo a calcinha, comentou sem muito interesse:
–Isso não é um vínculo. s**o não liga ou une as pessoas, s**o é algo circunstancial, monsieur.
– Não tem valor para você? – arqueou a sobrancelha, irônico.
– Verdadeiramente...não. – respondeu, tentando alisar o vestido amarfanhado no corpo.
–D’accord... – ponderou com um sorrisinho superior e emendou: – Alors, o que a faz então deixar de t****r com o camarada pelo qual está apaixonada? Se s**o não é importante... dá para esse homme de rien.
– Michel não é um Zé Ninguém, seu pedante. – exasperou-se.
– Oui, c'est un homme de rien, un insignificant. Sei muito bem quando uma mulher está carente e esse é o seu caso, Marie, Juliette, Natalie, seja quem for. – saiu da cama, nu, e encaminhou-se ao banheiro. – Está tentando controlar uma situação fora de controle, mexendo com o destino como se de fato fosse adiantar alguma coisa. O que tiver de ser, será.
Entrou no banheiro e, sem fechar a porta, postou-se diante da privada e urinou. Trish voltou-se para o outro lado, envergonhada.
–Pode fechar a porta, por favor?
–Nunca viu um homem mijar? – debochou.
–Preciso mesmo ver? – pôs as mãos na cintura, irritada. – E pensar que o achei sofisticado.
Ele riu com vontade.
–Sou um bruto, ma chère amie, um troglodita. Oh, pardon, você não quer saber quem eu sou, não? – debochou, lavando as mãos e virando-se para ela com um sorrisinho afetado.
–O mínimo possível, merci. – devolveu o deboche.
Amanhecia em Paris. O som do cotidiano em francês e, eventualmente, espanhol e inglês. Turistas e nativos ganhavam as ruas estreitas, as calçadas antigas, as lojas coloridas e a rotina persistia em se repetir à exaustão.
Viu quando j**k pegou um bloco de anotações e escreveu algo com a mão esquerda. Em seguida, arrancou a folha, dobrou-a e entregou a Trish.
– Quando quiser f********o, telefone.
Ela abriu o papel e havia pelo menos quatro números de telefones diferentes.
–Posso ligar para minha irmã vir me buscar? – pediu, um tanto acanhada.
–Não. – disse ele, dando-lhe as costas e entrando no amplo closet. – Primeiro, quero seu celular, caso eu tenha vontade de f********o com você.
Ela soltou uma risada sarcástica.
–Quem disse que vou tornar a t*****r com você, pretensioso?
–Minha experiência. – respondeu, simplesmente.
–Bom, então acertei na escolha do meu refúgio s****l. – ironizou e, imediatamente, sentiu um frio no estômago ao vê-lo sair do closet vestido no jeans e camiseta de algodão, gola V e mangas curtas. – Pode me ajudar a arranjar um táxi? – tentou, com forçada humildade.
Ele arou o cabelo castanho com a mão e apertou a própria nuca para aliviar a tensão ou a fim de ganhar tempo e torturá-la. Antes, quando estava vestido todo de preto, Trish não lhe havia observado a musculatura rígida dos braços e coxas, a saliência discreta dos bíceps, a cintura estreita e o aspecto andrógino daquela gola V em relação à virilidade marcante de seu rosto com barba de dias. Mesmo enquanto faziam s**o, ela, quase fora de si, não percebera a beleza forte do corpo e o quanto ele era charmoso, atraente e – por que não dizer? – o quanto ele era tipicamente francês.
Jack olhava-a sério e atento.
–Me proponho a levá-la em casa, é somente isso que ofereço.
–O que custa emprestar o maldito telefone? – disse exasperada e batendo a sandália forte no chão.
–É uma questão de princípios. Cada um segue suas próprias regras. – disse, saindo do quarto e emendando já no corredor: – Pegue o metrô.
Ela foi forçada a segui-lo.
–Deixei minha bolsa no carro do... Não importa, a questão é que estou sem dinheiro e sem documentos – lamentou.
Jack parou no alto da escada e voltou-se para ela.
–Terá de voltar a pé. – disse, com a naturalidade de quem jamais faria o que propôs a ela.
Trish sorriu nervosa.
–É longe.
–Alors, não perca tempo. – rebateu, enfrentando o olhar raivoso dela.
–Isso é desumano!
–Olha quem está falando em nome da humanidade. A proposta que me fez foi muito humana, por sinal! – debochou.
–Você aceitou, não se faça de coitado!
–E sabe por que aceitei? – aproximou dela, pegando-a pelo antebraço: – Por que estou morto e os mortos não sentem nada. Se quer dinheiro, faça s**o o**l em Vincent. Ele adora prostitutas.
Ela empinou o nariz e conteve a lágrima de raiva.
– Certo. Onde ele está? – desafiou-o.
Jack perscrutou-lhe a feição, depois a puxou pela mão, descendo os degraus ao seu lado.
–Mas terá de fazer na minha frente. – enfatizou.
No meio da escadaria, ela puxou abruptamente a sua mão da dele. Apertou-se no próprio corpo, nervosa.
–Não faço. – murmurou.
Ele arqueou uma sobrancelha com ar arrogante:
–Ainda lhe resta um pouco de dignidade na cara, não?
–Sim, j**k. – disse, resoluta, – Pegarei um táxi e, em casa, pagarei a corrida. No fim, tudo se resolve.
–Nem tudo, Francine. – sussurrou. – Ou Bianca, Matilde, Charlotte...
Ela viu quando ele desceu o resto dos degraus e entrou por uma porta.
Quando chegou a casa, atirou-se na cama e adormeceu.
Na pele, o cheiro de j**k.