A primeira vez que ouvi o riso dele depois de tudo foi como um soco. Estávamos no corredor principal, saindo de aulas diferentes, mas nossos caminhos se cruzaram por um instante. Eu ia abaixar a cabeça, fingir que não vi, como vinha fazendo. Mas então ouvi. Ele riu. Um riso leve. Quase espontâneo. Estava com os amigos, e alguma piada pareceu engraçada o suficiente para arrancar aquela risada. E doeu. Porque, por um segundo, me perguntei se algum dia ele tinha rido daquele jeito comigo. E a resposta foi sim. Muitas vezes. Mas agora, ele ria sem mim. Passei por ele. Nossos olhos não se encontraram. Mas meus sentidos estavam todos voltados para aquele som. Aquele riso que já foi meu favorito. Aquele riso que já me fez sorrir de volta, sem perceber. Bianca apareceu do nada ao meu lado.

