Capítulo 16 – Amanhã Talvez

1413 Palavras

Tem algo na forma como ele me olha que desmonta cada defesa que eu tentei reconstruir depois de tantas decepções. E talvez eu odeie isso porque, no fundo, eu desejo exatamente isso: ser atravessada. Ser sentida. Ser amada. Mesmo com medo. Mesmo querendo fugir. Hoje, na entrada do campus, ele estava lá. Encostado na mureta de sempre. Os olhos presos em mim como se não houvesse mais nada no mundo. E eu? Eu fingi que não vi. Fingi que o olhar dele não me tirou o ar. Fingi que o meu coração não acelerou, traíra. Mas dentro de mim, já não existia espaço para fingimentos. Não sei lidar com o que sinto. A verdade é essa. É grande demais. Intenso demais. É real. E isso me apavora. Ele não tenta se aproximar. Não me pressiona. Ele me respeita. E talvez seja isso que mais me desarma. Porque eu

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