Cael apareceu na porta do meu alojamento com duas garrafinhas de refrigerante, uma barra de chocolate e aquele sorriso de canto que dizia: "você não vai resistir." — Não tenho permissão pra visitas depois das dez — falei, cruzando os braços e tentando não sorrir. — Não vim visitar. Vim sequestrar. — Com chocolate? — E conversa. — Isso é perigoso. — Então aceita logo antes que eu diga que é aposta. Revirei os olhos e peguei a garrafinha da mão dele. Sabia que, mais uma vez, eu estava dizendo “sim” sem dizer. Porque era isso que ele fazia comigo: desmontava minhas resistências com gestos pequenos, palavras leves e presença constante. Seguimos a pé até um dos bancos perto da praça central do campus. O céu estava limpo, a lua cheia iluminava tudo com uma clareza quase poética. Sentamos

