NARRAÇÃO: LÍVIA CARVALHO O sol da manhã rasgando o céu no Centro do Rio de Janeiro parecia um holofote de pátio de Bangu 1, quente, opressor e cegante. A claridade cortava as vidraças duplas e antirruído do meu escritório, batendo direto na minha cara enquanto eu destroçava o sumário de um processo de habeas corpus na tela do MacBook. O ar-condicionado torava no talo, trincando nos dezesseis graus, mas o meu sangue ainda tava fervendo na mesma temperatura do asfalto lá fora. O meu corpo inteiro ainda cobrava a conta da madrugada. O meu pulso esquerdo latejava, guardando o roxo maldito, o formato exato dos dedos daquele traste fardado do meu irmão. A noite no Bar do Léo tinha acabado na base do puro terror psicológico, com o cano gelado de uma pistola ponto quarenta colado no meu peito na

