Eu abri um sorriso torto, sádico, maléfico, sentindo o veneno da minha vingança começar a circular na minha corrente sanguínea. Eu conhecia o Marcelo. Eu sabia muito bem dos fetiches doentios daquele meu subordinado. O cara sempre foi tarado pela minha irmã. Desde os tempos em que a Lívia ia visitar o meu gabinete na faculdade de direito, o Marcelo ficava secando a silhueta dela de cima a baixo, lambendo os beiços com aquela ganância de cachorro no cio, babando na ideia de comer a mulher intocável da família Carvalho. Ele achava que eu não percebia, mas eu guardava essa informação preciosa bem no fundo da gaveta, esperando o momento exato em que eu pudesse usar a luxúria dele como arma. — O ponto fraco dela, Marcelo... é que ela passa a imagem de que é feita de aço, de que nenhum homem co

