Pré-visualização gratuita ∞ Órfã.
PRIMEIRA TEMPORADA.
❝ É o que eu mais sinto falta: possibilidades. ❞
- Rosalie Hale.
×××
Eu senti um aperto no peito. Aquela dor profunda que há tempos eu nem sabia o que era. Com Emmett e Renesmee ao meu lado, era tão difícil eu sentir aquele vazio que carreguei por anos...
Mas, eu não me sentia exatamente vazia. Era algo diferente, algo até mesmo egoísta. Eu estava com ciúmes.
E não era de Emmett. Ele já havia se acostumado com meus ciúmes no período em que frequentávamos a escola, ele lidava tão bem com isso, e na maioria das vezes que começava a querer brigar com ele, ele me fazia rir, me desarmando toda, como ninguém conseguia. Ele me domava. Me amava. Eu era única pra ele.
Talvez seja por isso que agora estou sentindo ciúmes de... Renesmee.
E enquanto dirijo pra La Push, a pergunta que me perseguia a horas ainda martelava em minha cabeça: Por que ela não havia me dito que iria viajar com Jacob?
Talvez porque eu não era assim tão importante. Eu não sou a mãe dela, não tenho que a autorizar a fazer alguma coisa. Mas...
Mas...
Sempre houve um mas. Eu só não consigo achar palavras pra ele.
∞
Estacionei o carro na casa de Jake. Com o tempo nós começamos até a suportar um ao outro, e começaríamos até a nos dar bem se não disputássemos pela atenção de Renesmee o tempo todo.
Ele se assustou ao me ver. Ele pensou que eu não descobriria.
— Onde está Renesmee? — Perguntei. Embora tanto ele quanto eu sabíamos que ela estava lá dentro. Na casa dele. Meus nervos quase se alteravam quando constatava isso.
— A filha da Bella, de dezoito anos de idade, ou seja, maior de idade, que sabe se responsabilizar sozinha com os seus atos, se encontra na minha casa. — Ele apontou para a porta aberta, me convidando para entrar, com o seu olhar de "estou sendo apenas educado", o que é um milagre para Jacob Black.
— Não que eu não saiba disso. — Disse tentando manter a calma ao entrar na sua casa minúscula. — Na verdade, talvez a única coisa que eu não saiba sobre Renesmee, era que vocês iriam viajar sozinhos para algum país...
— Nós já havíamos conversado com os pais dela. — Jake assegurou, sua voz estava firme.
Era fácil notar o desconforto e o peso daquela conversa, mesmo que estivesse sendo dita tão civilizadamente.
Antes, Jake costumava me chamar de sangue-suga e eu o chamava de cachorro. Os tempos mudam. E é exatamente por os tempos mudarem, que o meu ódio cresceu por Jacob mil vezes ao encarar Renesmee comendo uma melancia gigante, parecendo se divertir muito de olhos vidrados na televisão, de um jeito que nunca tinha sido comigo.
Ela escuta meus passos vindo a ela e ela me encara sorrindo.
— Rose.. — Ela cumprimenta, me abraçando. Sinto um aperto ao vê-la se afastar. — Então você soube da viajem.. — Ela praticamente sussurrava, com medo da minha fúria.
— E eu não estou de acordo. — Falei.
— E deixando claro que você não tem que estar. — Jake falou rudemente do outro lado da casa.
— Não ligue pra ele, Rose. — Ela falou. — Pensei que ficaria preocupada comigo. Quer dizer, você se preocupa comigo mais do que minha mãe e meu pai juntos. — Ela da uma risada nervosa. — Vou para a Noruega, meu pai te passa o endereço para ficar mais tranquila. Além disso, estou com dezoito anos. E sei que Jacob não me faria nenhum m*l.
— Lembre-se que ele já tentou te matar. — Eu sentia uma secura muito grande vindo da minha voz, mas não me importei.
— Isso foi no passado. — Ele tentou se defender. — E não cheguei a tentar, eu pensei nisso, o que não é tentar. Estava desesperado.
— Você sempre foi um desesperado. — Rebati.
— E você sempre foi uma invejosa. — Ele retrucou.
— Parem de brigar! — Renesmee grita. — Por favor!
— Você nunca me viu brigando. Não que você se importe, claro. — Disse nervosa, saindo da casa.
— Rose.. — Ela murmurou indo atrás de mim. — Eu vou voltar pra você, juro.
— Você não precisa mais de mim, não é mesmo? — Fico aliviada em não conseguir chorar nesse momento, algo que poderia acontecer se eu ainda fosse humana.
— Eu amo você. — Ela segurou minhas mãos. — Então, obviamente, eu preciso de você. Muito.
— Mande aquele cachorro desgraçado usar camisinha nos atos sexuais. Se não você vai acabar grávida aos dezoito, que nem sua mãe. — Falei fungando. Eu estava mesmo fungando?
Ela apenas riu e abaixou o olhar, tímida.
Lembranças dela pequena no meu colo, brincando com Emmett de pega-pega enquanto eu ficava rindo observando, nossas viagens de semanas quando Bella e Edward queriam uma folga.. Tudo isso passou tão rápido em minha mente e se resumiu ao agora. Ela estava em um corpo de dezoito anos, e ficaria assim para o resto da vida.
— Você cresceu, Nessie. — Eu só reparei que havia dito seu apelido agora. Nunca pensei que o usaria, nunca. — Você cresceu tanto. E está tão linda. — Eu tento não gaguejar. — Se divirta com Jacob, só não se esqueça de mim. — Minha voz sai sufocada enquanto entro no meu carro rapidamente, eu acelero antes que ela consiga me dizer mais alguma coisa.
Seria idiotice pensar que ela ainda precisaria de mim aos dezoito. Ninguém fica tão próximo a alguma tia com dezoito anos, somente aos pais, ao namorado e aos amigos. Alguns até abrem uma exceção aos avós... Mas se alguém já tivesse mantendo contato frequente com uma tia aos dezoito, eu não conhecia.
Mesmo que sua tia tenha salvado a sua vida, praticamente. E que se não fosse por ela você teria sido abortada, já que sua mãe não sabe se defender sozinha e é facilmente corrompida...
Antes de chegar em casa, meu celular toca e vejo que é Emmett. Tenho que parar o carro e atendê-lo, antes que ele tenha um ataque de nervos.
— Alô.
— ONDE VOCÊ ESTÁ? — Ele rugi.
— Assinando meu atestado de óbito.
— Rose... — Ele grunhi.
— Calme, eu já estou chegando em casa.
— Estou preocupado... — Ele diz.
— Eu apenas sai de casa por um minuto. — Eu desligo rápido antes que ele começasse a fazer um discurso sobre responsabilidades.
Quando ligo a chave para acelerar o carro, alguém bate na minha janela.
Eu a abro devagar, em alerta.
Uma garotinha com roupas desgastadas, cabelos ruivos, com aproximadamente doze anos se olha fixamente pra mim, com um olhar muito triste.
Ela tinha os olhos acinzentados mais encantadores que eu já tinha visto.
— Boa noite, senhora. Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas eu estou aqui vendendo essas balinhas de goma.. — Ela me mostrava aquelas balinhas que me davam vontade de vomitar. — Minha família não tem condições suficientes para uma vida digna e por isso vendo balas para ajudá-los. Cada saquinho com vinte é apenas 1 dólar.
— Você me chamou de senhora? — Grunho. — Eu tenho dezoito anos! — Eu disse. Embora, na verdade, eu tenha mais de 100 anos. Mas, eu tenho 18 biologicamente, então eu não sou uma idosa. Nunca serei.
— Bom, você não tem cara de dezoito anos. — A garota falou.
— Claro que tenho cara de dezoito, você está louca?
— Você vai comprar as balas ou não? — Ela pergunta irritada.
— Cadê os seus pais? — Pergunto de volta, irritada em dobro. — Não deveria ficar à essa hora sozinha na rua.
— Vai comprar as balas? — Ela repete a pergunta.
— Cadê os seus pais? — Repito também. Não importa se ela é uma criança, ninguém vence uma discussão comigo.
Ela faz um beicinho triste.
— Se você quiser eu faço uma promoção...
Meu coração aperta ao ouvir isso.
Pego a carteira e mostro pra ela uma nota de cem dólares.
— Eu te dou isso sem querer nenhuma bala.. — Falei, vendo seus olhos se arregalarem encarando o dinheiro. — Mas eu te dou apenas se me contar onde estão os seus pais.
— Eles estão dormindo.
— Eles não deveriam te deixar sozinha na rua. Me fale o número do telefone deles, para que eu os xingue.
— Eles não tem mais telefone. Eles precisam descansar.
— Eu sei que você não vai querer entrar no meu carro... — Falei, aquilo era um ato de confiança demais para um estranho. Mas ela já estava conversando comigo, que era uma estranha pra ela, sozinha às dez horas da noite, sinal de que ela já não estava tendo muita consciência. — Mas eu vou te levar pra casa.
— Você vai me dar o dinheiro se eu entrar?
— Vou. — Falei.
O que eu estou fazendo?
— Mas nunca entre no carro de um estranho. — Falei, abrindo a porta pra ela. — Só comigo que pode.
Era incrível ver como ela se submetia a isso apenas para ganhar algum dinheiro.
Dei a ela o dinheiro assim que ela entrou. Ela sorriu e murmurou um "obrigado", e depois continuou quieta, apenas dando instruções com suas mãozinhas finas e mandou que eu parasse o carro em uma casa aos pedaços. Na frente dizia "Orfanato Anjos da Vida".
Meu peito se apertou mais ainda. Os pais dela não estavam dormindo literalmente, mas figurativamente. E isso era algo da qual ela não entendia ainda, ou ninguém lhe deu o trabalho de lhe explicar.
— Quando eu entrar, você pode dizer para a tia que me acompanhou até aqui? Se não ela vai me bater...
Sinto pena dela. Não que ela não merecesse apanhar, ela estava andando sozinha à noite e seria justo. Mas havia tremor em sua voz. Não queria nem pensar que ela apanhava não de um modo correto, mas apenas por violência.
— Digo. — Eu sai do carro e a acompanhei. Aquele lugar cheirava a mofo e poeira.
Fico impressionada que esse lugar exista em Forks. A cidade sempre foi tão organizada e esse lugar parecia que ia desabar a qualquer momento...
Paramos na porta, onde uma senhora nervosa saiu, já lançando pra garota palavras ofensivas.
— Ela estava comigo. — Digo. — Não a culpe, se ela saiu isso foi de responsabilidade sua e não dela. Ela é uma criança.
— Não me fale como devo tratar as minhas crianças. — Ela fala áspera. — Se está inconformada com os meus métodos, a adote. — Ela pega a garota pelo braço, a apertando com força, enquanto ela começa a choramingar.
— Ei! — Eu digo. Eu sentia vontade de bater nela.
— Rosalie.. — Eu escuto o grito de Emmett. Me viro e vejo o seu Jeep parando próximo de mim. — Alice previu você aqui e estava preocupada.
Eu volto para olhar ao orfanato, mas a velha rabugenta já havia entrado com a criança .
— O que está fazendo aqui? — Ele pergunta preocupado.
— Eu estava só trazendo uma garota, ela...
— Rosalie, você sabe que não pode adotar uma criança. — Ele interrompeu.
— Eu sei, eu não ia fazer isso. É que..
— Rosalie, não pode. — Ele me cortou de novo.
Ele envolveu meus ombros com os seus braços fortes, repousei meu rosto em seu peito.
Eu não estou entendendo porque de repente fiquei tão atordoada e confusa.
∞