Ana narrando O carro do meu pai parou em frente à boca e, por um instante, eu respirei fundo antes de abrir a porta. Mesmo já tendo ido ali algumas vezes, ainda era um ambiente diferente do que eu estava acostumada. O movimento nunca parava. Homens conversando, motos passando, rádios ligados, olhares atentos para tudo. Assim que desci do carro, senti os olhares. Não era algo agressivo, mas era impossível não perceber. Alguns homens pararam a conversa no meio, outros apenas acompanharam minha passagem com os olhos. Um misto de curiosidade e desejo que me fez ajeitar a postura quase automaticamente. Eu já sabia o que significava. Eu era a noiva do Miguel. E, naquele lugar, isso dizia muita coisa. Caminhei até a entrada tentando parecer tranquila. O salto ecoava baixo no chão, e o per

