Não foi um dia produtivo. Maldita hora que fiquei sem motorista, maldita hora que eu demiti alguns deles, maldita hora que eu fui naquela fábrica.
Eu tenho muitas qualidades, mas algumas delas podem se assemelhar tanto com defeitos que chegam a ser perigosas. Uma delas, é a obstinação.
Alguém que é obstinado é persistente, se apega tão fortemente a suas ideias que nada pode tirá-las de sua mente. A obstinação, o desejo de alcançar ou ter algo é tão forte que é capaz de tornar algo ainda pior ... obsessão.
E droga... Eu não posso continuar pensando nisso... Nela.
— Um dos motoristas retornou e já está levando a carga para o destino, encerramos oficialmente a última coleção e podemos nos concentrar na próxima. — Edward fala como se fosse isso que está em meus pensamentos, mas mesmo não sendo, me obrigo a prestar a atenção. — A Izabela me enviou a data da entrevista e eu atualizei sua agenda. Já sabe, precisamos começar um bom marketing até o lançamento.
— Sim, eu sei. Os gastos serão muitos, então temos que ter um bom retorno, é obrigatório. Inclusive, notícias do lugar do desfile?
— Querem uma data, só então podemos saber da disponibilidade deles. Mas Brandon, sabe se a Mirrors aprova o lugar?
— A coleção é minha, Edward, e eu não preciso que ninguém aprove onde EU quero expor os vestidos que EU criei. — Faço questão de frisar o mais importante, eu.
— Tirando o pequeno detalhe de que eles são uma empresa importante, com os contatos e alcance que precisamos, e que queremos como parceiros cuidando da parte do marketing do evento.
— Minha cabeça está doendo, cale a boca pelo amor de Deus. — Já perdi a conta de quantas vezes eu disse essa frase hoje. — Deu por hoje, eu preciso para de pensar em... — Faço uma pausa, encarando Ed antes de dizer a maior besteira da minha vida, pois eu não seria perdoado. — Trabalho.
— Brandon Collen, dizendo que precisa parar de pensar em trabalho? Droga, eu acho que estou tendo alucinações novamente. Você pode me levar ao hospital, por favor? Ou será que é você que precisa de um médico? Eu não sei, estou confuso.
— Não seja ridículo. — Reviro os olhos, ficando de pé e passando a mão por meus cabelos na tentativa de fazer meu cérebro não explodir dentro do meu crânio.
— O que aconteceu na fábrica, Brandon? Você está estranho desde que voltamos de lá.
— Nada, não aconteceu nada. — Afrouxo o nó da minha gravata, pego carteira e chaves do carro e sigo em direção a porta. — Você vem ou não?
— Estranho ou não, você sabe onde encontrar as melhores. — Visivelmente empolgado, Edward me segue já salivando como um animal no cio.
•••
— Pode deixar a garrafa. — Peço, antes de encher os nossos copos.
Edward já achou um lugar para ele, e eu, tenho uma companhia sentada em meu colo com um vestido curto e saltos altos. Sim, é disso que eu gosto, é isso que me atrai.
Não é cabelos desarrumados, roupas gastas e sujas além de serem folgadas e desleixadas. Não é um tênis surrado e um rosto cansado.
Eu gosto de luxo.
Eu gosto do sensual.
Gosto que me seduzam.
Não estou procurando uma namorada, e sim, uma boa fo.da. Por isso, gosto de saias curtas que facilitem o meu trabalho, de decotes grandes e cabelos longos e fortes o suficientes para aguentar a força da minha mão.
— Eu sempre esperei quando seria a minha vez, Brandon. As mulheres que frequentam esse bar dizem que você raramente aparece, mas quando aparece escolhe uma e depois some de novo. Você não fica com a mesma mulher duas vezes, mas essa única vez é o suficiente para deixa-las sonhando com uma próxima vez irreal. Você é uma lenda aqui. — A loira sentada no meu pa.u sussurra para mim com sua voz mais doce.
Mas...
Não, Brandon, não.
— E o que é que elas te contaram, amor? — Alojo uma mecha de cabelo seu atrás da orelha e aproveito para brincar com meus dedos na pele sensível atrás da sua nuca.
— Você não costuma ser gentil. — Suspira.
— Procura gentileza?
— Eu não... eu não sei ... — Desço as carícias pelo pescoço, roçando de leve a ponta dos meus dedos em sua nuca e descendo pelas costas nuas, deslizando por sua espinha.
— Você não sabe o que procura? — Seu desespero me faz rir, mas sua total inabilidade de raciocínio, a ponto de não saber o que quer, é o que me faz quase revirar os olhos.
— Eu procurava você, Brandon, agora me faça sua.
Isso é bem genérico, nada instigante, mas funciona. Ela diz o que eu quero ouvir, abre as pernas para mim e eu esvazio meu sa.co junto com as minhas frustrações. Claro, ela também vai se divertir bastante.
— Então chega de conversa, venha comigo, eu conheço um lugar legal.
Não gosto muito de m.otéis. Sou um empresário bastante conhecido, apesar de parecer discreto eu acabo saindo demais nas redes sociais acompanhado por mulheres. O que eu posso fazer? Em quase todo lugar que eu vou existe algum i****a com uma câmera. O que eu deveria fazer? Deixar de tra.nsar? Por isso eu evito vim em bares assim e sair acompanhado, esse é um dos motivos de eu fazer visitas tão esporádicas.
Por isso também, hotéis são menos óbvios e um pouco mais bonitos de sair nas manchetes.
Nós tivemos uma boa noite, consegui um pouco de prazer ao menos para desestressar um pouco. Fora que não há satisfação maior para um homem que ver uma mulher com as pernas tremendo, é uma boa maneira de finalizar a noite.
Quem precisa de Maria Alexandra?
Eu já nem lembro quem ela é.
•••
Já na Mademoiselle, minha segunda casa, fecho o computador. Eu m*l preguei os olhos essa noite e meu cérebro não teve o descanso que achei que teria após uma noitada – só ganhei uma baita de uma ressaca.
Mas isso foi o que eu precisava para tomar uma decisão.
Já sei o que tenho que fazer.
Só uma coisa vai acabar com a minha obsessão.
E para falar a verdade esse vai ser o único motivo.
Eu entrei no banco de dados e pesquisei por Maria Alexandra, o currículo dela é impressionante para sua idade. Ela fala três línguas, Espanhol, – é claro – Inglês e Francês. Está atualmente no ano de se formar na faculdade de moda, tem vários cursos na área de desenho, design e até mesmo de recepcionista. Tudo isso, com apenas vinte e dois anos.
Como uma pessoa com esse currículo não participou da entrevista que aconteceu há um ano? É para saber essa resposta que chamo Izabela em minha sala.
— Bom dia, Brandon. Que bom que me chamou, e que surpresa boa! O que precisa?
— Há um ano contratamos uma estagiária, lembra? Uma que somos obrigados a suportar até hoje pois o contrato vai até dezoito meses. Esse peso morto não sabe absolutamente nada sobre moda, ou sobre a empresa, nem mesmo para ser minha secretária ela serviu. Então por que Maria Alexandra Garcia nem mesmo entrou na minha sala para a entrevista?
— Maria o que? Sinto muito, eu não me lembro.
— Besteira. — Retruco com firmeza, deixando claro que ela não pode me enganar com esse rostinho de inocente. — Não tivemos outras entrevistas desde então e você não é burra, uma das suas especialidades e responsabilidades como chefe do RH é avaliar currículos e cuidar das contratações. Quer me convencer que olhou esse currículo e decidiu que aquela mosca morta e as outras duas piores seriam uma opção melhor? — Abro a tela do notebook e viro para ela, mostrando o currículo em questão.
— Ah, essa Maria Alexandra. — Fala como se só tivesse lembrado agora. Seu rosto está vermelho. — Perdoe-me, Brandon, mas você a viu?
Sim. Por isso estamos aqui.
— O que quer dizer?
— Ela é uma estrangeira, é diferente de todos nós. Você me deu ordens que para trabalhar aqui não basta ser boa, tem que ter um perfil. Foi você que sempre deixou claro para mim que eu deveria fazer de tudo para manter a imagem de alto padrão dessa empresa e foi assim até hoje. Eu só estava fazendo o meu trabalho, o que você pediu.
É verdade, ela é diferente de todos nós, de tudo que eu já vi. Nenhuma mulher foi capaz de chamar a minha atenção assim, de ficar em meus pensamentos por mais que algumas horas, em especial vestida naqueles trajes. Mas Maria Alexandra não é nada comum.
— Ela não está nesse padrão, realmente. Mas acha mesmo que Maria Alexandra prejudicaria o alto padrão dessa empresa? — Eu a questiono. Ela há de concordar que não. Aquela mulher é mil vezes mais bonita que qualquer uma que trabalha aqui, ouso dizer que qualquer uma que eu já vi. E ainda estava em trajes questionáveis e surrados. — Você sabe, Izabela, você não a dispensou porque achou que ela não se encaixava aqui.
— O que está insinuando? — Apesar de parecer corajosa, seus olhos amedrontados nos meus dizem outra coisa. Ela sabe que eu tenho razão.
— Não estou insinuando, estou afirmando. Lembre-se, que da próxima vez que deixar suas emoções falarem mais alto do que o seu profissionalismo você não será mais útil nessa empresa, fui claro o bastante?
— Sim, Brandon. — Engole seco e abaixa a cabeça, tentando controlar a respiração.
— Está dispensada. — Izabela acena com a cabeça e vai embora sem levanta-la, aceitando sua repreensão. — Só mais uma coisa, aqui eu não sou Brandon, eu sou seu chefe e devo ser tratado como tal.
Gostaria de não ser o cuz.ão como o Edward me chamou, mas as vezes algumas situações me obrigam a isso. Izabela precisa entender o seu lugar, e que nossa relação não vai passar disso.
Nunca, em hipótese alguma, eu repito uma mulher na cama e arrisco entregar mais do que o meu prazer. Isso de relacionamento, essa perda de tempo não está na minha agenda.
— Eu me lembrarei disso, senhor. — E finalmente sou deixado sozinho.
Está na hora de corrigir um erro que aconteceu faz muito tempo. E claro, não é apenas para o bem da empresa, é para o meu também. Afinal, um caçador só vai atrás do que ele ainda não conseguiu pegar, essa é sua obsessão. Mas quando ele a tem, acabou.
É exatamente isso que preciso, resolver esse problema, para jamais voltar a pensar nele.
Ligação on ~
— Bom dia, Ava, Brandon. Estive pensando sobre o que aconteceu ontem e tomei uma decisão.
— Bom dia, senhor. Em que posso ajudar?
— Vou iniciar a transferência de Maria Alexandra da fábrica para a sede. Eu a quero aqui na Mademoiselle ainda hoje.