CAPÍTULO 12

582 Palavras
1 Em menos de 10 minutos ambos dormiram. Eu os olhei, me motivando a não desistir. Pensei em como meus irmãos — Peter e Flora — estariam. Será que estavam bem? E mamãe? Ela estava sentindo alguma dor? A aldeia, será que tinham muitos mortos? Será que os vampiros ainda estavam lá? Chorei. Eu chorei como nunca. Pela primeira vez em horas segurando, deixei as lágrimas salgadas descerem pelo meu rosto, lábios e queixo. Deixei a mesa de madeira sentir os pingos que caíam. Chorei. 2 Eu estava sentado na grama, na frente de um casarão imenso e rico. Mas era antigo. Século XVIII, não sei como sabia disso. Perto de mim, uma jovem, uma adolescente. Devia ter uns 14 ou 15 anos. Ela usava um vestido rodado de época. O cabelo ondulado e comprido estava preso com uma trança na parte de cima e solto por baixo, parecendo uma cascata de cor castanho escuro. Ela Tinha as bochechas rosadas no meio da pele morena clara. O vestido rodado verde estava espalhado pela grama, enquanto a moça desenhava com carvão em uma tela. Era linda. Me aproximei e sentei ao seu lado, querendo enxergar melhor seu desenho, e talvez sentir o seu cheiro de hortelã com eucalipto. Estranhamente ela nem se moveu quando me aproximei. Ela não me via. Passei a mão por seus olhos, tentando chamar a atenção, mas ela não moveu um músculo fora as mãos que rabiscavam a tela. — Olá? — Falei. Nada. Um jovem moço se aproximou dela, sorrindo. Os cabelos castanhos lisos escorriam pelos olhos. As roupas de época também chamavam minha atenção. — Katherine! — Ele sorriu, pressionando os olhos e estendendo a mão para a moça. Katherine. Ela sorriu para o rapaz e segurou sua mão, largando a tela rabiscada na grama. O homem a puxou para um abraço, e ela sorriu. Eles se abraçaram. Era visível que eles se gostavam. — Omar. Eu estava com saudade! — Eles se soltaram, ainda sorrindo. — Eu também estava Kat. Meu pai queria por tudo que eu o ajudasse na casa do campo. Tive que ir... E você, como está? Pintando muito? — Ele acariciava a bochecha de Katherine. Eu olhei para baixo, para ver se também usava aquelas roupas estranhas, mas não. Eu ainda estava com as roupas que usava na vila. A vila! Como eu fui parar ali? Onde exatamanete eu estava? Onde estava a vila? Meus irmãos? — Estou bem. Eu fiz alguns quadros novos, ficaram incrí... — Katherine parou de falar, olhando para os lados e para cima. Me perguntei se ela estava me vendo agora, mas não estava, ela passou o olho por mim umas 3 vezes e não percebeu nada. Katherine se jogou no chão, gritando, pedindo para parar. Omar assustado segurou ela. — Kat? O que foi? O que está acontecendo? Ei! — Omar gritava, desesperado. — As vozes! Essas vozes não param! Na minha cabeça! Para! — Katherine gritava em agonia. — Que vozes? Fala comigo Kat! — Omar ainda a segurava. — As vozes que falam na minha cabeça! Faz parar, por favor! 3 Acordei com Gregory me balançando, assustado. Ele me chacoalhava, cochichando. Eu ainda estava sentado na mesa, acabei pegando no sono na noite anterior. m***a. Eu não pude descobrir como encontrar Eloah. Levantei o rosto da mesa, com o pescoço dolorido e olhei na direção da janela. Era possível ver por uma fresta a pouca quantidade de luminosidade aparecendo. O sol estava nascendo. 
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