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Peguei a mochila que eu tinha guardado embaixo da cama e falei para meus irmãos pegarem as deles.
— A Octar falou que aqui teria tudo que vamos precisar. — Falei, conferindo se não tinha ninguém vindo.
Despejamos tudo na minha cama.
— Vejamos... Um mapa totalmente em branco, exceto pelo título no topo: MAPA LIGHTWEEN, Comida, livros de magia, fotos... fotos de pessoas que não conhecemos e endereços. É isso... Tudo o que temos... — Analisei.
— E isso — Gregory apontou para o amuleto pendurado no meu pescoço. A névoa já começara a aparecer, mas estava longe de atingir o topo. Tinhamos tempo.
— É... O amuleto cronômetro mágico que a Octar me deu... Quando essa névoa lilás atingir o topo do amuleto, o tempo vai ter acabado. Temos que salvar mamãe antes de acabar.
— O que é isso? — Ester perguntou empolgada. Ela estava com uma espécie de espada de vidro ou cristal.
Meu coração quase parou por um segundo. Eu pulei para a cama que Ester estava e tomei a espada de sua mão, antes que ela se machucasse com aquilo. Segurei aquela lâmina brilhante e transparente. Gregory olhou na mochila de Ester e achou mais uma. Eram duas espadas, uma para mim e outra para Gregory. Coloquei as duas junto com as outras coisas em cima da minha cama.
— Vamos sair pela manhã — Anunciei, sem nenhum tom de emoção na voz. — Se preparem, pois vamos antes de todos acordarem.
— Espera, o que?
— Gregory levantou, surpreso.
— Isso mesmo que você ouviu. Vamos arrumar as mochilas, roubar comida deles, dormir por algumas horas para recuperarmos energia e sairemos pela manhã, quando o sol estiver nascendo.
— Está maluco? Não podemos ir embora, nem sabemos como encontrar Eloah.
— Eu vou estudar sobre isso antes de dormir, confie em mim. Não podemos ficar aqui, quanto mais tempo ficarmos aqui, mais o cheiro da magia vai aumentar e se espalhar. Rapidamente eles vão perceber que tem alguma coisa de estranho, fora que os vampiros nem precisam de um cheiro muito forte para acharem a gente. Não quero atrair eles até aqui, vão m***r todos os humanos dessa vila, inocentes, não merecem pagar com suas vidas por brigas dos sobrenaturais.
Gregory não concordou, mas entendeu.
— Deitem e descansem, amanhã o dia será longo. — Eu disse, levando todos os itens para a mesa de jantar, liberando a cama para Ester deitar.
— Não, temos que descobrir como chegar até essa tal Eloah. — Gregory questionou, coçando os olhos fundos e cansados.
Ester ja estava deitada. Por algum motivo, eu senti seu coração bater em meus ouvidos. Senti seus pensamentos percorrerem minha mente e meus olhos. Ela estava triste. Muito triste. Estava com saudade de casa, mas mesmo assim não falou nada para não nos atrapalhar. Meu coração se apertou ao ver um lágrima escorrer de seu pequeno olho dourado. Acho que Gregory não percebeu.
Me voltei para Gregory, continuando a conversa — Sim, eu vou cuidar disso. Agora vocês precisam descansar, pode deixar que eu descubro como chegar até ela.
Gregory assentiu, quase cochilando sentado. Então se deitou.