CAPÍTULO 9

665 Palavras
1 Outra senhora pegou ester de mim e segurou minha mão, nos levando para a vila também. Olhei para trás e pude ver todos voltando atrás de nós. — Onde está meu irmão? — Perguntei, faltando alguns metros para entrarmos na vila. — Você verá ele mais tarde, está com uma outra curandeira, agora vamos nos preocupar com vocês dois, ele já está sendo cuidado. — Outra curandeira? Você também é uma? — Perguntei, olhando para Ester, para conferir se estava tudo bem. — Sim, querido. Temos algumas na vila e nos arredores. — A senhora um pouco corcunda me explicou, enquanto entramos na vila. Casas de pedra e madeira, hortas e plantações, poços, lagos, fogueiras apagadas e acesas mesmo à luz do dia e pássaros de todas as cores. — Arredores? Tem mais vilas por aqui? — Perguntei, surpreso. — Sim, temos vilas, feiras em alguns dias, lojas, algumas cortes. —Ela falou, entrando conosco em uma das casas. Uau, cortes. — Cortes? Tipo aquelas dos livros de época? Com reis e princesas, soldados?... — Lembrei de um dos últimos livros que li na biblioteca de minha aldeia. Já estava com saudade. — Não temos muitas bibliotecas por aqui, então não posso afirmar se é realmente igual nos livros, mas é bem próximo disso. Porém, para entrar lá, você deve ter muitas riquezas ou ser da família real. Normalmente quando alguém sem riquezas entra lá sem ser convidado, nunca mais volta. — Matam? As pessoas que entram são assassinadas? — Perguntei, assustado. — Não, pelo menos não a maioria. Eles se tornam escravos eternos, são obrigados a se tornar imortais e trabalhar eternamente. — Ela falou, olhando para o chão com uma lágrima no canto do olho. Provavelmente perdeu alguém que amava para alguma corte. Imortal. Ela falou sobre imortalidade. Existe magia fora da aldeia e eles sabem! Mas mesmo assim continuarei me fingindo de um simples humano perdido. — Imortal? Como assim? Isso não existe! — Atuei. — Longa história, pequeno. Venham, se sentem aqui. — Preferi não render o assunto, então, apenas me sentei em uma cama. Que alívio, minhas pernas já doíam. A curandeira passou o olho por todo o meu corpo, conferindo se havia algum ferimento. — Bom, pelo o que vejo, não há nenhum ferimento, certo? — Ela perguntou, andando até o canto da cabana. — Estamos bem. — Falei, ainda atuando — Só precisamos de comida e abrigo, até nossos pais nos acharem... — Peguem isto — A senhora trazia uma cesta do canto da cabana. — Vai alimentar vocês até a janta ficar pronta. Era uma cesta de madeira com muitas frutas. Maçã. Eu peguei uma maçã para mim e outra para Ester, que ainda estava com o nariz vermelho de chorar. Antes de colocar a maçã na boca, um barulho muito alto fez meu ouvido chiar como um apito. Eu corri para fora da cabana sem ouvir nada, estava ofegante. Enxerguei muitas pessoas saindo de suas cabanas assustadas, assim como eu. Olhei para o céu e vi um rastro, uma macha, uma luz. Era ela. Era a mamãe. Eles tinham feito a magia na aldeia... Olhei para o lado, preocupado, com os ouvidos começando a melhorar, e vi Gregory de pé, na porta de uma cabana que ficava alguns metros da minha. Ele me encarava com uma lágrima escorrendo pelo rosto. Nós corremos ao mesmo tempo um para o outro, e paramos com o impacto de um abraço apertado. Ele chorava no meu ombro, e uma uma lágrima também desceu do meu olho esquerdo, mas tentei segurar o choro. Nos separamos e olhei pra ele, no fundo dos olhos dele. — Vai ficar tudo bem... — Falei. — Promete? — Ele olhava para o céu novamente. O rastro de luz e magia já se espalhava, desaparecendo. Antes que eu pudesse responder, a curandeira que tinha ficado com Ester tocou meu ombro. — Venham — Ela nos chamou, acariciando meu ombro e pegando a mão de Gregory.  
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