Oliver.
O que diabos isso quer dizer?
— Você se importa em explicar melhor?
Quero saber por que Kate acha que somos previsíveis. Que nosso instinto é sempre reagir com violência. Que precisamos provar que temos os maiores paus da sala. Que eu faria o que fosse preciso para protegê-la.
Os homens da Bratva e da Cosa Nostra já provaram que não há limites para o que fazem para defender suas mulheres.
Mas Kate não é minha.
Nós dois nos certificamos disso.
Ela é uma espiã de merda, e eu a descartei. Ainda assim, não levei nem um segundo para decidir ir até ela quando me ligou. Pretendo descobrir exatamente o que aqueles idiotas achavam que estavam fazendo. Ninguém fora da minha família sabe sobre Kate. Não há motivo para segui-la — a menos que fosse para machucá-la.
E eu definitivamente não pedi isso.
Meus primos também não pediriam.
Quanto a Kate explicar melhor…
— Não.
A resposta dela é curta e direta. Nada doce. Nada conciliador.
Ela já passou por coisa demais esta noite. Não vou discutir.
Observo enquanto caminha até a porta da frente e entra. Normalmente, eu nunca permitiria que ela saísse do veículo sem que meu motorista ou meu escolta abrissem a porta e verificassem a área primeiro. Sempre quero alguém avaliando o ambiente antes que qualquer pessoa deixe o banco de trás. É por isso que tenho motorista. É por isso que tenho segurança.
Mas paramos praticamente na porta.
Não valia a discussão que inevitavelmente aconteceria — mesmo depois de eu tê-la tirado das mãos de três homens que a estavam seguindo.
Ela não olha para trás.
E isso dói.
Eu admito.
Abaixo o vidro de privacidade, e o olhar de Finn encontra o meu pelo retrovisor. Ergo uma sobrancelha.
— Não sei, Oli, Nenhum deles está respondendo às minhas ligações ou mensagens.
— Quero saber se alguém os enviou ou se estão agindo por conta própria. Quero respostas antes do amanhecer.
— Já estou cuidando disso. Simas e Cormac vão até o apartamento deles.
Conveniente que os três morem juntos.
Ou vão aparecer para trabalhar amanhã com narizes quebrados e olhos roxos… ou nunca mais vão aparecer para nada.
A escolha é deles.
Inclino a cabeça para trás e fecho os olhos.
Por que tenho uma reação tão visceral quando se trata da Kate?
Por que tenho um apelido carinhoso para ela?
Por que quero uma mulher em quem não confio?
O que diabos há de errado comigo?
Tenho uma porrada de perguntas e nenhuma resposta.
Porque é mais do que só t***o.
Eu definitivamente quero t*****r com ela. Estive perto demais disso na outra noite. Tenho me masturbado pensando nela há um mês. Tentei tirá-la da cabeça ficando com outras mulheres no clube, mas continuava pensando no quanto queria fazer com ela todas aquelas coisas sujas que passam pela minha mente.
Nunca gostei da ideia de punição real em um relacionamento. Mas, Deus… quero bater nela até ficar cansado demais para levantar a mão de novo. Depois quero possuí-la repetidas vezes — mas só eu gozar. Quero provocá-la até ela implorar.
Não me importa se é para eu parar… ou para finalmente fazê-la gozar.
Eu jamais a tocaria com raiva genuína.
Mas é assim que me sinto agora.
Se algum dia eu tivesse algo com Kate que envolvesse esse tipo de dinâmica, eu seria absurdamente cuidadoso para não exagerar minha força. Sou muito maior que ela. Muito mais forte. A ideia de realmente machucá-la faz meu peito apertar.
Estou furioso.
— Temos outro problema — diz Finn.
— Hein?
— Acabei de te enviar um link. Leia.
Pego meu telefone enquanto o observo rolando algo na tela.
Abro a mensagem. Clico no link.
Filho da p**a.
“Submundo de Nova York administrado pelo Rei Irlandês.”
Essa é a manchete.
Publicada no maior portal de notícias da cidade. Um site lido no mundo inteiro. Eles podem publicar a qualquer hora do dia ou da noite. Não precisam mais esperar edições impressas. Isso torna muito mais difícil manter as coisas fora da mídia.
Desço a tela.
Isso é muito mais incriminador do que apenas listar nossos negócios e hóspedes questionáveis.
— De quem é? Não tem nome. Só diz “equipe”.
A expressão de Finn não é nada reconfortante.
— Não sei. Estou tentando descobrir. Mas vazou. Isso definitivamente não era a versão final. Tem erros de digitação. Não foi polido. Mas é bem escrito. Condenatório pra c*****o. Como alguém sabe tanto?
— Eu não sei. Isso é mais do que um espião conseguiria. Tem coisas da nossa história aqui… coisas que ninguém sabe. Ninguém.
Finn aponta para a parte final da matéria.
— Viu o que está entre colchetes? Parece anotação interna do jornalista. Como se ainda fossem revisar antes de publicar.
— Eu vi. E é justamente ali que estão os detalhes mais perigosos. Quem foi?
Inclino a cabeça novamente.
Não parece que estava pronto para sair, mas estava perto o suficiente. Quem vazou isso — talvez até o próprio autor — queria que viesse a público, mesmo imperfeito.
A informação é o que importa.
— Revela muita coisa — diz Finn —, mas não é algo que uma pessoa comum vá entender completamente. O problema é o que eles insinuam. Os federais vão entender. Nossos parceiros de negócios vão se contorcer por estarmos nas notícias, mas não vão fugir.
— Os federais são exatamente o que não precisamos agora. Não quando estamos tentando convencê-los a fazer um favor com Lorenzo. Quero que mantenham o foco nele e na p***a da família dele, não em nós. Deixe os Mancinelli sob os holofotes por um tempo.
Estamos distribuindo propinas como se fosse desfile de Mardi Gras. Nosso plano contra a Cosa Nostra está em andamento há tempo demais para deixar um artigo arruinar tudo.
Finn parece mais confiante do que realmente está.
— Eles vão precisar cavar muito mais para montar um caso sólido só com isso. Já têm o suficiente para ir atrás de Salvatore e Enzo. Precisamos lembrá-los disso.
Ele só está tentando minimizar porque sabe que qualquer coisa envolvendo Kate mexe comigo mais do que deveria.
E eu odeio isso.
Kate está espionando?
Está vendendo informações?
Ela é responsável por esse vazamento?
O maldito artigo corrói minha cabeça a noite inteira.
Eu normalmente durmo como um morto, não importa o caos ao redor. Quatro ou cinco horas e estou apagado.
Mas não hoje.
Cormac e Conor encontraram Tommy, Otávio e Alessandro. A “conversa” deixou dois narizes quebrados, uma maçã do rosto fraturada, vários dedos partidos, dois ombros deslocados e uma rótula fora do lugar.
Eles pertenciam ao um bando de rebeldes.
Segundo o depoimento anterior no tribunal de O’Rourke, queriam intimidar Kate. Depois admitiram que planejavam agredi-la quando perceberam que ela estava voltando sozinha para casa.
Mandei meus primos deixá-los vivos.
Em agonia.
Até que os ossos começassem a colar.
Depois, tragam-nos para o nosso território. Deixem que pensem que acabou.
Minha família passou por coisas que eu jamais imaginei possíveis até quatro anos atrás. Passei quase três anos consertando a merda que os dois últimos líderes deixaram.
Nesse processo, mais de uma mulher se machucou.
Isso viola o pacto que um dia tivemos.
Mulheres e crianças são intocáveis.
Não posso controlar o que outras famílias fazem.
Mas controlo os meus homens.
E posso enviar uma mensagem clara.
Meus antecessores podem ter tolerado violência contra mulheres.
Eu não.
E é exatamente por isso que esse artigo é tão problemático.
Não menciona mulheres. Não menciona meu nome. Nem o de ninguém da minha casa.
Mas detalha Donovan.
E Declan.
Meu tio herdou a posição de capitão quando seu pai, Liam — meu avô — morreu em um acidente de avião.
Quando rivais mataram meu tio Donovan por ferir a esposa de um m****o da Bratva, Declan assumiu. Ele não era mais esperto. Foi morto depois de mirar em outra esposa da Bratva.
A bagunça deles caiu sobre meus ombros.
E parte dela já estava avançada demais para que eu pudesse impedir.
Isso me fez parecer culpado pra c*****o. Como se eu tolerasse aquilo.
Eu tinha pouca escolha.
Era minha família ou a deles.
E a minha sempre vem primeiro.
Sempre.