Episódio 2

1470 Palavras
°•~~~~🔥~~~~•° Virginia. Um toque de açúcar, uma pitada de farinha, um beijo de manteiga... O nascimento de um cupcake. Um pequeno milagre de sabor e textura que faz o coração bater mais forte. A receita começa com uma valsa de ingredientes: farinha, açúcar, ovos e manteiga, misturados em perfeita harmonia. O aroma de baunilha se eleva, como um perfume que seduz e atrai. Em seguida, a massa é despejada em forminhas de papel, pequenos botões à espera de desabrochar. O forno é o jardineiro que os cuida, nutrindo-os com o seu calor e carinho. Quando estão prontos, emergem como pequenas maravilhas, com seus topos redondos e macios e cores pastel que convidam a sonhar... A decoração é o toque final, carícias e beijos de glacê que os tornam irresistíveis. Ao prová-lo, o cupcake é uma explosão de felicidade. O sabor é uma dança na boca. Um pequeno prazer, um momento de conexão... — Sim, pai, está tudo bem, de verdade... Digo ao telefone, meu olhar percorrendo os enormes quadros que decoram a sala de estar. — O marido da Nara é legal. — Imagino. Ele responde. — Mas você sabe que eu me preocupo toda vez que você está com ela. Você está recebendo o dinheiro que eu te mandei? — Sim, mas não é necessário. Digo com carinho, porque é o que me vem naturalmente. — Estou confortável aqui, como bem... A casa é enorme... — E ela? Ela está te tratando bem? Faço uma pausa. Sinto a preocupação no seu tom. Só nós dois sabemos o que passamos... — Sim, não conversamos muito, mas ela está feliz com essa vida. Respondo, indo para a cozinha. — Espero que dure desta vez. Conversamos todos os dias. Meu pai sempre liga para ter certeza de que está tudo bem, que eu não estou me sentindo m*al, triste ou desconfortável... No começo, era normal. Eu era uma criança sob os cuidados de uma mulher que não sabia ser mãe. Mas agora... sou grande o suficiente para não me importar muito com a falta de atenção dela. Os cozinheiros prepararam uns cupcakes de frutas vermelhas com cobertura de chocolate branco que parecem incríveis. Me dá água na boca, mesmo eu não sendo muito fã de doces. Prefiro salgados. Coloco um dos cupcakes na boca e solto um gemido de satisfação. Está delicioso, derretendo na boca, o toque cítrico se misturando com a doçura do chocolate. Termino de comer e decido ir para a piscina, minha rotina diária. Não conheço a mansão e não tenho interesse em conhecê-la. Vou do meu quarto para a sala de estar, a cozinha e depois para a piscina. Porque sinto que, quando a minha rotina se torna repetitiva, os dias passam mais rápido. E quando saio para o pátio, Lorenzo me cumprimenta, nadando na piscina, revelando as tatuagens que cobrem as suas costas, braços e torso. Eu as vi no primeiro dia em que cheguei, mas agora estão à luz do sol... molhadas... tentadoras... — Bom dia, papai novo. Sorrio para ele. Ele para de nadar assim que me vê e fica me encarando. — Bom dia, Virginia. Sento-me na espreguiçadeira e tiro o meu vestido leve. Ainda bem que decidi usar o meu melhor biquíni hoje de manhã, o dourado. Seguro o autobronzeador na mão e começo a espalhá-lo nas pernas. Percebo que ele está me observando, mesmo fingindo que não. Não consigo conter o sorriso de satisfação. Estou deixando-o louco, provocando-o cada vez mais... e adoro isso. Ele sai da piscina, a água escorrendo por seu corpo musculoso e definido. Os meus olhos azuis percorrem a sua pele até se fixarem no volume entre as suas pernas. — Precisa de uma toalha? Ele balança a cabeça negativamente e escolhe um dos roupões nas espreguiçadeiras. Veste-o, amarrando-o, talvez, mais apertado do que o necessário. — Poderia me ajudar com as costas? Pergunto, olhando-o inocentemente, estendendo-lhe o tubo de loção bronzeadora. Ele hesita por tanto tempo que acho que não me ouviu, até que acena lentamente com a cabeça. Ele pega o tubo da minha mão, evitando o meu olhar. Viro-lhe as costas, desabotoo a parte de cima do biquíni e deixo que os seus dedos me toquem. Sinto o tremor das suas mãos enquanto as desliza pelas minhas costas, o esforço sobre-humano que o seu corpo enorme faz para m*al roçar a minha pele. Solto um suspiro de satisfação, um gemido suave de aprovação pelo seu trabalho. Finalmente, ele se afasta, como se o meu corpo estivesse em chamas. — Pronto. Ele murmura. — Obrigada... você tem mãos muito bonitas. Respondo gentilmente. — Fortes e firmes. Ele não responde, parece um zumbi, como se a minha presença fosse demais para ele. Descido deixar para lá, por enquanto, e vou embora. ***** Nara passou os últimos dias falando sobre um baile de gala, um evento beneficente muito importante para o qual Lorenzo foi convidado. Minha mãe está radiante de felicidade. Será o primeiro evento que ela comparecerá com o marido. O tema é "Noite das Estrelas", com foco na esperança e na luz em meio à escuridão. Haverá leilões, rifas, um discurso da fundadora e outras atividades. Segundo ela, passou um mês inteiro desenhando o seu vestido e o terno do marido para que combinassem perfeitamente. Ela me deu um vestido que decidi deixar pendurado no gancho perto da porta, planejando usá-lo no dia do baile. No entanto, a curiosidade me venceu quando acordei de um breve cochilo e abri o zíper da sacola com a minha roupa. É a peça de roupa mais horrenda que já vi. Azul, com tule, babados e detalhes brancos. Monstruosa, parece uma fantasia de Halloween, e provavelmente nem é do meu tamanho. Franzi a testa ao ver o modelo horrível e deixei o vestido na cama, desci as escadas e fui para a sala de estar. Nara estava aconchegada com Lorenzo no sofá, os dois assistindo a um filme. — Nara. Eu disse, parando em frente à televisão. — Eu realmente preciso ir a esse baile de gala? Ela revirou os olhos. — Sim, Virginia, é um evento importante e você precisa ir. Ela respondeu. — Eu não gostei do vestido. Balancei a cabeça. — É horrível. — É lindo e perfeito para a ocasião. — É um vestido que uma menininha usaria, e eu não sou uma menininha, Nara, eu sou uma mulher. Cruzei os braços. — Vou escolher outro. — Não, você não vai usar outro vestido, Virginia! O que eu comprei para você é perfeito. Ela retrucou, me encarando. Lorenzo também me lança um olhar de desaprovação, e nesse instante uma ideia me ocorre. — Tudo bem. Murmuro, me viro e me afasto, mas consigo ouvi-los conversando atrás de mim. — Não entendo por que ela está sendo tão difícil. Ela suspira. — Ela herdou o seu temperamento. Responde o italiano. — É isso que você pensa? Ela solta uma risada boba. Paro ao chegar ao topo da escada e encosto a cabeça na parede. Odeio ouvi-la flertar, odeio estar perto dela, o seu riso, sua voz melosa... Ele sussurra algo no seu ouvido, e ela ri novamente. — Você é tão bom com as palavras... Ela ronrona. — E você adora isso. — Talvez... Eles começam a cochichar, porque não consigo mais ouvi-los, e tudo o que sinto é repulsa. Momentos como este me lembram do meu passado, uma infância repleta de tristeza e problemas familiares. Ela tinha um amante diferente a cada semana. Esses homens sempre seguiam o mesmo caminho. Meu pai ia trabalhar e eles apareciam atrás dela, subiam pelas trepadeiras e iam até a varanda. Eu os observava. Eu tinha quatro anos quando tudo começou, mas naquela época eu não entendia o que estava acontecendo nem quem eles eram. Quando finalmente tive coragem de contar a verdade ao meu pai, ele decidiu que o divórcio era a solução. E depois de uma batalha judicial, depois de muitas noites de lágrimas e tristeza, o juiz decidiu dar a minha guarda ao meu pai, porque era isso que eu havia pedido. Então, a primeira coisa que fiz quando ela saiu foi pedir ao jardineiro para remover aquela trepadeira. Eu nunca consegui, e ainda não consigo, ver a minha mãe como minha mãe. Talvez eu nunca tenha parado de odiá-la... E, no entanto, aqui estou eu... me sentindo pequena, insignificante... vendo-a feliz quando tudo o que eu quero é que ela pague pelo m*al que me fez. ‍​‌‌​​‌​‌​​‌​​​​​​​​​​​​‌​​‌​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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