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Virginia.
O crème brûlée, um clássico da confeitaria francesa, é um deleite para os sentidos.
A receita começa com a união do creme de leite e do açúcar, dois amantes que se encontram no fogo da paixão. O creme, suave e delicado, se mistura com o açúcar, doce e tentador, criando um abraço de sabores irresistível.
Adicionam-se os ovos, um toque de vida e energia que torna a preparação suave e cremosa. A mistura é vertida em pequenas e delicadas formas, como gotas de chuva caindo numa piscina de seda.
Cozinha-se em banho-maria, deixa-se esfriar e descansar... e pronto, temos a nossa sobremesa.
Mas não termina aí, porque para um crème brûlée perfeito, é preciso adicionar uma camada de açúcar caramelizado, um toque ardente que torna a sobremesa irresistível.
A colher quebra a camada crocante, liberando uma torrente de sabores irresistíveis.
Não se contenha, não tente evitar... porque uma vez que essa delícia entre na sua boca... você ficará viciado para sempre.
Lembrei-me de que era o dia do baile de gala porque Nara tinha passado a manhã inteira correndo de um lado para o outro, maltratando os funcionários e repreendendo alguém ao telefone.
Ela estava levando o seu papel de esposa do chefe muito a sério, tratando todos com desdém e um ar de superioridade.
— Que ridíc8ulo. Murmurei, dando uma mordida na minha torrada.
— A maquiadora está a caminho. Disse ela, servindo café numa caneca. — É melhor você ir tomar um banho.
— Mas são nove da manhã. Franzi a testa. — O evento é à noite.
— E daí? Não há tempo! Ela me encarou.
— Você se adaptou à vida de milionária muito rápido. Observei, espalhando lentamente geleia de pêssego na minha torrada, só para irritá-la.
— Como assim? Ela murmura entre dentes cerrados, os seus olhos penetrantes perfurando o meu pescoço.
— Nada, por mim tudo bem. Dou de ombros. — Mas até três meses atrás você nem sabia o que era um baile de gala, muito menos a diferença entre seda e microfibra.
— As pessoas podem mudar, Virginia. Ela responde, voltando o olhar para o celular. — Está na hora de você entender isso.
Não digo mais nada, apenas continuo tomando o meu café da manhã e inconscientemente procuro Lorenzo com os olhos. É algo que tenho feito desde que cheguei aqui, e sei que ele também faz.
Percebo, porque sempre que os nossos olhares se cruzam, ele desvia o olhar rapidamente. Como uma criança pega com um pote de doces.
A tensão entre nós só aumentou. Sei que ele está se segurando, e no fundo... eu não quero que ele faça isso.
Não tenho medo das consequências. Além disso, sou muito boa em guardar segredos...
Talvez eu guarde mais segredos do que deveria.
Termino o café da manhã, sem pressa nenhuma, e a maquiadora e a cabeleireira chegam.
Peço que atendam a minha mãe primeiro. Tomo um banho com sais de banho com aroma de rosas, ouço música, leio um livro e faço as unhas.
Chega a tarde. Elas arrumam o meu cabelo e maquiagem, e eu visto aquele vestido horrível.
Desço as escadas. Lorenzo está atrás de mim, usando um terno preto que fica incrível nele. É como se os fios tivessem sido tecidos sob medida para envolver o seu corpo e fazê-lo parecer ainda mais atraente do que já é.
— Já está pronta? Pergunta a minha mãe, colocando um dos seus brincos de diamante caros.
— Quase. Vou comer alguma coisa primeiro. Respondo, indo para a cozinha antes que ela possa reclamar.
Escolho uma das deliciosas sobremesas que o chef preparou e levo o doce à boca, mastigando displicentemente.
E quando Nara e o marido se aproximam, acidentalmente derramo o creme no meu vestido. — Virginia! Ela exclama, começando a tentar limpar a mancha com guardanapos, embora seja inútil.
— Ah, me desculpe… É que esta sobremesa está muuuito deliciosa. Eu lambo os lábios. — Como se chama, Francis?
— Crème brûlée, senhorita. Diz o chef, m*al conseguindo conter o riso.
— Olha que você fez, pirralha?! Os olhos de Nara brilham de raiva, enquanto Lorenzo apenas balança a cabeça.
— Não se preocupe, mãe, eu tenho outro vestido. Digo, sorrindo encantadoramente, e tirando o vestido horrível, ficando apenas com a minha calcinha de renda vermelha.
Por alguns segundos, o queixo de Lorenzo cai e os seus olhos se arregalam, mas ele rapidamente desvia o olhar, fingindo que não está babando pelas minhas curvas.
Subo para o meu quarto, abro as portas do armário e, bem no meio...
— Olá, querido, chegou a hora de te usar. Digo, com um sorriso largo, e tiro a roupa que comprei online ontem.
Vermelho carmesim profundo, com um brilho acetinado sutil que capta a luz a cada movimento, o decote coração realça a minha silhueta, acentuando as minhas curvas com uma elegância provocante e refinada.
As alças delicadas se unem num decote em V nas costas abertas, revelando vislumbres da minha pele. O tecido flui suavemente até o chão, com uma fen*da que oferece um vislumbre da minha perna a cada passo.
Atrás de mim, uma leve cauda se estende, como se o próprio vestido soubesse que, esta noite, todos os olhares estariam voltados para mim.
Digo remover o acessório de cabelo que os cabeleireiros criaram para mim e prendo o meu cabelo num ra*bo de cavalo alto. Ilumino o meu rosto com batom vermelho e calço saltos para completar o visual.
Desço as escadas, minha mãe e o marido dela me encarando incrédulos, e não consigo apagar o sorriso presunçoso do meu rosto. Porque se vou passar o resto da noite naquele baile de gala tedioso, pelo menos serei o centro das atenções.
Principalmente o dele.
— Estou pronta. Digo a eles. — Vamos?
Nara não diz nada, simplesmente se vira e vai em direção à porta. Lorenzo acena com a cabeça e pigarreia.
Em poucos minutos, o motorista nos deixa na porta do salão de eventos. Há um grande tapete vermelho e as pessoas estão entrando. Todos estão vestidos de preto ou verde-escuro. Que bom que escolhi essa cor, porque me destaco dos demais.
O salão é um templo de excesso e requinte. As altas colunas de mármore ne*gro brilham sob a luz dourada dos imensos lustres de cristal que pendem do teto abobadado. O ar cheira a vinho caro, trufas e promessas quebradas.
Mesas perfeitamente arrumadas estão alinhadas sob toalhas de linho cor marfim, adornadas com centros de mesa feitos de esculturas de chocolate amargo (chocolate Stracci, é claro), algumas em forma de rosas, outras de morangos como os que já provei antes.
Um quarteto de cordas toca melodias profundas e ressonantes que flutuam pela sala como um perfume invisível. Rapidamente me perco na cacofonia de sons. Já não consigo localizar Nara ou Lorenzo, mas não me importo, pois a curiosidade está vencendo.
As conversas e risadas dos convidados são baixas, contidas, quase ensaiadas, e olhares são trocados entre os presentes. Pergunto-me o quanto aqueles funcionários sabem sobre as pessoas poderosas que desfrutam do banquete e do evento.
Esses indivíduos — empresários de elite do mundo culinário — circulam entre taças de champanhe e canapés exóticos, as suas expressões de alegria m*l transparecendo nos seus olhos. E não consigo deixar de pensar que a opulência do lugar celebra não apenas a gastronomia, mas também o controle, o desejo e a decadência daqueles que a detêm.
Em meio a essa cena, o meu vestido vermelho não é apenas uma roupa: é uma declaração. Uma ameaça velada. Uma tentação que ninguém consegue ignorar, e à qual eu, em particular, não quero resistir. Todas as minhas suspeitas se confirmam no momento em que ele pega o meu braço e sussurra no meu ouvido por trás.
— Podemos conversar um instante, por favor? Sua respiração quente roça a minha nuca. — A sós.
— Tudo bem. Respondo, fingindo tédio enquanto olho ao redor, procurando a minha mãe na multidão. Vejo-a tomando um gole de champanhe, com outra taça na mão, observando curiosamente um quadro pendurado na parede cor creme, como se tivesse o mínimo interesse por arte.
Ele pega o meu braço, avança, respirando pesadamente. E por um instante, apenas um instante, sinto medo.
Não entendo o motivo da sua raiva, nem por que ele está segurando o meu braço com tanta força. Como esse homem quieto, um homem de poucas palavras e tanta expressão nos seus olhos escuros, se transformou repentinamente numa espécie de lobo voraz e sedento de sangue?
Finalmente, depois de atravessarmos vários corredores vazios, chegamos a um banheiro. Ele me puxou para dentro e fechou a porta atrás de si.
Encostei-me à parede, observando-o andar de um lado para o outro, passando a mão pelos cabelos.
— Lorenzo...
— Você não está facilitando as coisas para mim. Ele me interrompeu.
— Estou me comportando. Dei de ombros.
— Não, não com esse vestido. Ele rosnou, os olhos percorrendo o meu corpo das pernas até os quadris.
— Então é isso que você quer dizer...
— Gostou? Dei um passo na sua direção.
Ele engoliu em seco, ainda me encarando.
— É... provocante.
— Ah, é? Devo tirar? Inclinei a cabeça inocentemente.
— Cuidado, pirralha. Ele estreitou os olhos, cerrando os punhos.
— Ou o quê? Ergui uma sobrancelha.
De repente, ele me empurrou contra a parede, aproximando violentamente o rosto do meu, fazendo o meu coração disparar.
— Ou talvez eu faça algo que você não vai gostar... Ele sussurrou.
— E quem disse que eu não vou gostar? Fixei o olhar nos seus lábios, deixando o meu desejo perfeitamente claro.