Episódio 3

1662 Palavras
~~~~🔥~~~~》 Virginia. O crème brûlée, um clássico da confeitaria francesa, é um deleite para os sentidos. A receita começa com a união do creme de leite e do açúcar, dois amantes que se encontram no fogo da paixão. O creme, suave e delicado, se mistura com o açúcar, doce e tentador, criando um abraço de sabores irresistível. Adicionam-se os ovos, um toque de vida e energia que torna a preparação suave e cremosa. A mistura é vertida em pequenas e delicadas formas, como gotas de chuva caindo numa piscina de seda. Cozinha-se em banho-maria, deixa-se esfriar e descansar... e pronto, temos a nossa sobremesa. Mas não termina aí, porque para um crème brûlée perfeito, é preciso adicionar uma camada de açúcar caramelizado, um toque ardente que torna a sobremesa irresistível. A colher quebra a camada crocante, liberando uma torrente de sabores irresistíveis. Não se contenha, não tente evitar... porque uma vez que essa delícia entre na sua boca... você ficará viciado para sempre. Lembrei-me de que era o dia do baile de gala porque Nara tinha passado a manhã inteira correndo de um lado para o outro, maltratando os funcionários e repreendendo alguém ao telefone. Ela estava levando o seu papel de esposa do chefe muito a sério, tratando todos com desdém e um ar de superioridade. — Que ridíc8ulo. Murmurei, dando uma mordida na minha torrada. — A maquiadora está a caminho. Disse ela, servindo café numa caneca. — É melhor você ir tomar um banho. — Mas são nove da manhã. Franzi a testa. — O evento é à noite. — E daí? Não há tempo! Ela me encarou. — Você se adaptou à vida de milionária muito rápido. Observei, espalhando lentamente geleia de pêssego na minha torrada, só para irritá-la. — Como assim? Ela murmura entre dentes cerrados, os seus olhos penetrantes perfurando o meu pescoço. — Nada, por mim tudo bem. Dou de ombros. — Mas até três meses atrás você nem sabia o que era um baile de gala, muito menos a diferença entre seda e microfibra. — As pessoas podem mudar, Virginia. Ela responde, voltando o olhar para o celular. — Está na hora de você entender isso. Não digo mais nada, apenas continuo tomando o meu café da manhã e inconscientemente procuro Lorenzo com os olhos. É algo que tenho feito desde que cheguei aqui, e sei que ele também faz. Percebo, porque sempre que os nossos olhares se cruzam, ele desvia o olhar rapidamente. Como uma criança pega com um pote de doces. A tensão entre nós só aumentou. Sei que ele está se segurando, e no fundo... eu não quero que ele faça isso. Não tenho medo das consequências. Além disso, sou muito boa em guardar segredos... Talvez eu guarde mais segredos do que deveria. Termino o café da manhã, sem pressa nenhuma, e a maquiadora e a cabeleireira chegam. Peço que atendam a minha mãe primeiro. Tomo um banho com sais de banho com aroma de rosas, ouço música, leio um livro e faço as unhas. Chega a tarde. Elas arrumam o meu cabelo e maquiagem, e eu visto aquele vestido horrível. Desço as escadas. Lorenzo está atrás de mim, usando um terno preto que fica incrível nele. É como se os fios tivessem sido tecidos sob medida para envolver o seu corpo e fazê-lo parecer ainda mais atraente do que já é. — Já está pronta? Pergunta a minha mãe, colocando um dos seus brincos de diamante caros. — Quase. Vou comer alguma coisa primeiro. Respondo, indo para a cozinha antes que ela possa reclamar. Escolho uma das deliciosas sobremesas que o chef preparou e levo o doce à boca, mastigando displicentemente. E quando Nara e o marido se aproximam, acidentalmente derramo o creme no meu vestido. — Virginia! Ela exclama, começando a tentar limpar a mancha com guardanapos, embora seja inútil. — Ah, me desculpe… É que esta sobremesa está muuuito deliciosa. Eu lambo os lábios. — Como se chama, Francis? — Crème brûlée, senhorita. Diz o chef, m*al conseguindo conter o riso. — Olha que você fez, pirralha?! Os olhos de Nara brilham de raiva, enquanto Lorenzo apenas balança a cabeça. — Não se preocupe, mãe, eu tenho outro vestido. Digo, sorrindo encantadoramente, e tirando o vestido horrível, ficando apenas com a minha calcinha de renda vermelha. Por alguns segundos, o queixo de Lorenzo cai e os seus olhos se arregalam, mas ele rapidamente desvia o olhar, fingindo que não está babando pelas minhas curvas. Subo para o meu quarto, abro as portas do armário e, bem no meio... — Olá, querido, chegou a hora de te usar. Digo, com um sorriso largo, e tiro a roupa que comprei online ontem. Vermelho carmesim profundo, com um brilho acetinado sutil que capta a luz a cada movimento, o decote coração realça a minha silhueta, acentuando as minhas curvas com uma elegância provocante e refinada. As alças delicadas se unem num decote em V nas costas abertas, revelando vislumbres da minha pele. O tecido flui suavemente até o chão, com uma fen*da que oferece um vislumbre da minha perna a cada passo. Atrás de mim, uma leve cauda se estende, como se o próprio vestido soubesse que, esta noite, todos os olhares estariam voltados para mim. Digo remover o acessório de cabelo que os cabeleireiros criaram para mim e prendo o meu cabelo num ra*bo de cavalo alto. Ilumino o meu rosto com batom vermelho e calço saltos para completar o visual. Desço as escadas, minha mãe e o marido dela me encarando incrédulos, e não consigo apagar o sorriso presunçoso do meu rosto. Porque se vou passar o resto da noite naquele baile de gala tedioso, pelo menos serei o centro das atenções. Principalmente o dele. — Estou pronta. Digo a eles. — Vamos? Nara não diz nada, simplesmente se vira e vai em direção à porta. Lorenzo acena com a cabeça e pigarreia. Em poucos minutos, o motorista nos deixa na porta do salão de eventos. Há um grande tapete vermelho e as pessoas estão entrando. Todos estão vestidos de preto ou verde-escuro. Que bom que escolhi essa cor, porque me destaco dos demais. O salão é um templo de excesso e requinte. As altas colunas de mármore ne*gro brilham sob a luz dourada dos imensos lustres de cristal que pendem do teto abobadado. O ar cheira a vinho caro, trufas e promessas quebradas. Mesas perfeitamente arrumadas estão alinhadas sob toalhas de linho cor marfim, adornadas com centros de mesa feitos de esculturas de chocolate amargo (chocolate Stracci, é claro), algumas em forma de rosas, outras de morangos como os que já provei antes. Um quarteto de cordas toca melodias profundas e ressonantes que flutuam pela sala como um perfume invisível. Rapidamente me perco na cacofonia de sons. Já não consigo localizar Nara ou Lorenzo, mas não me importo, pois a curiosidade está vencendo. As conversas e risadas dos convidados são baixas, contidas, quase ensaiadas, e olhares são trocados entre os presentes. Pergunto-me o quanto aqueles funcionários sabem sobre as pessoas poderosas que desfrutam do banquete e do evento. Esses indivíduos — empresários de elite do mundo culinário — circulam entre taças de champanhe e canapés exóticos, as suas expressões de alegria m*l transparecendo nos seus olhos. E não consigo deixar de pensar que a opulência do lugar celebra não apenas a gastronomia, mas também o controle, o desejo e a decadência daqueles que a detêm. Em meio a essa cena, o meu vestido vermelho não é apenas uma roupa: é uma declaração. Uma ameaça velada. Uma tentação que ninguém consegue ignorar, e à qual eu, em particular, não quero resistir. Todas as minhas suspeitas se confirmam no momento em que ele pega o meu braço e sussurra no meu ouvido por trás. — Podemos conversar um instante, por favor? Sua respiração quente roça a minha nuca. — A sós. — Tudo bem. Respondo, fingindo tédio enquanto olho ao redor, procurando a minha mãe na multidão. Vejo-a tomando um gole de champanhe, com outra taça na mão, observando curiosamente um quadro pendurado na parede cor creme, como se tivesse o mínimo interesse por arte. Ele pega o meu braço, avança, respirando pesadamente. E por um instante, apenas um instante, sinto medo. Não entendo o motivo da sua raiva, nem por que ele está segurando o meu braço com tanta força. Como esse homem quieto, um homem de poucas palavras e tanta expressão nos seus olhos escuros, se transformou repentinamente numa espécie de lobo voraz e sedento de sangue? Finalmente, depois de atravessarmos vários corredores vazios, chegamos a um banheiro. Ele me puxou para dentro e fechou a porta atrás de si. Encostei-me à parede, observando-o andar de um lado para o outro, passando a mão pelos cabelos. — Lorenzo... — Você não está facilitando as coisas para mim. Ele me interrompeu. — Estou me comportando. Dei de ombros. — Não, não com esse vestido. Ele rosnou, os olhos percorrendo o meu corpo das pernas até os quadris. — Então é isso que você quer dizer... — Gostou? Dei um passo na sua direção. Ele engoliu em seco, ainda me encarando. — É... provocante. — Ah, é? Devo tirar? Inclinei a cabeça inocentemente. — Cuidado, pirralha. Ele estreitou os olhos, cerrando os punhos. — Ou o quê? Ergui uma sobrancelha. De repente, ele me empurrou contra a parede, aproximando violentamente o rosto do meu, fazendo o meu coração disparar. — Ou talvez eu faça algo que você não vai gostar... Ele sussurrou. — E quem disse que eu não vou gostar? Fixei o olhar nos seus lábios, deixando o meu desejo perfeitamente claro. ‍​‌‌​​‌​​​‌​​‌​​​​​​​​​​​​‌​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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