Episódio 4

1171 Palavras
Ele fecha os olhos e encosta a testa na minha, a respiração ficando cada vez mais ofegante, como se tivesse acabado de correr uma maratona. Mas não, é a luxúria reprimida que o consome. — Você não tem ideia do jogo que está tentando jogar, bambina. A sua voz engrossa, e quando ele abre os olhos novamente, são dois poços profundos e sedentos. — Então me explique as regras. Sussurro, fingindo que o seu olhar e todo o seu ser não estão me causando arrepios. Ele solta um suspiro inesperado e, com a mão, segura a minha cintura. Os nossos lábios se roçam, mas não se beijam. A nossa pele se toca, mas não se funde. E as nossas respirações se encontram, cruas e desejosas. Até que eu não aguento mais. Tiro a mão dele do meu quadril, para movê-la um pouco mais para baixo. Direto para a minha umidade. Ele não pensa duas vezes, não hesita, e isso me surpreende. Tudo o que está acontecendo esta noite me surpreende. Os seus dedos se enrolam na renda da minha calcinha, ele a puxa rapidamente para o lado, me olha esperando permissão, que ele recebe quando mordo o meu lábio inferior. E finalmente, ele insere o dedo indicador no meu centro quente, começa a movê-lo de uma maneira lenta e tortuosa que promete... mais, muito mais... Não consigo conter o gemido de prazer que o seu segundo dedo provoca em mim, e ele leva a outra mão tatuada à minha boca para silenciar os meus sons. Fecho os olhos, arqueando as costas, e só consigo implorar com a minha linguagem corporal para que ele continue, para que não pare... Ele começa a beijar o meu pescoço desesperadamente, passando a língua sobre a minha pele, me deixando ainda mais molhada. Até que... — Lorenzo. Ouço o sotaque italiano de um homem chamado Francesco, o homem com quem o marido da minha mãe aparentemente trabalha, porque eu o vi com ele várias vezes. — Eles estão esperando você sair para fazer o seu discurso. Francesco não abre a porta. Ele sabe que seu chefe está lá e provavelmente imagina o que está acontecendo, porque é tudo o que ele diz. Ele não espera por uma resposta e sai. Lorenzo se afasta de mim com relutância, pragueja em italiano e olha para a mão. Os seus dois dedos estão cobertos de fluidos. Ele os leva lentamente à boca, sem tirar os olhos de mim, e os lambe. — Delicioso. Murmura, e sai. Fico parada, recuperando o fôlego, tentando processar o que aconteceu. Preciso ir a um dos banheiros para me limpar, porque a minha própria umidade está escorrendo pelas minhas pernas. A essa altura, o meu corpo está ardendo de desejo por ele, tanto que está criando cascatas de fluido que brotam do meu centro. Volto cinco minutos depois e me aproximo de Nara, que está observando o marido subir na plataforma. Ele está agindo como se nada tivesse acontecido, e eu também, embora as minhas pernas estejam tremendo um pouco. — Onde você estava? A mulher com o copo na mão franze a testa. — No banheiro. Respondo baixinho. — O crème brûlée me fez m*al. Ela acena com a cabeça, um tanto distraída. A noite está passando rápido, o que me deixa grata, pois o meu cérebro ainda precisa processar o que aconteceu no banheiro. Quando chegamos à mansão, Nara já está completamente bêbada. Lorenzo precisa carregá-la nos braços. Eu o sigo, arrastando os pés até o quarto. Ela desaba na cama. Tiro os seus sapatos e sigo para o corredor, pois não suporto aquele clima. Encosto-me no corrimão da escada, olhando para baixo. Tudo está em silêncio. Ouço passos atrás de mim e sei que é ele. Ele para ao meu lado sem dizer uma palavra. — É sempre a mesma coisa com ela... Suspiro. — Parece que sim. Ele responde, balançando a cabeça e esboçando um pequeno sorriso. — Pelo menos não é mais problema meu, é seu. — Eu sei lidar muito bem com a minha esposa. Ele dá de ombros, e por um instante eu o detesto. — Porque você não a conhece. Murmuro. — E talvez seja melhor assim. — Como assim? Sinto o olhar dele, mas não o encaro. — O que Nara te contou sobre mim? Pergunto. — Não muita coisa… Só que você era uma garota complicada… Teimosa. Reviro os olhos, sentindo aquela vontade familiar de vomitar a dura realidade que sempre se acumula dentro de mim. Ninguém sabe a minha verdade, ninguém além dos meus pais. E por algum motivo, quero compartilhá-la com ele. — Ela chegou a te dizer… que me deixava sozinha em casa para se trancar com os amantes enquanto meu pai estava no trabalho? Viro os meus olhos azuis para ele. Ele permanece em silêncio, embora por alguns segundos seus olhos se arregalem, surpresos com a minha confissão. Antes de retomar a sua postura séria e estoica. — Não. Ele finalmente responde. Expiro e decido falar. — Quando eu tinha quatro anos... ouvi o som familiar da porta do quarto dela se abrindo, então fui para a cozinha... Naquela manhã, a empregada tinha assado biscoitos de chocolate, e Nara só me deixou comer um. O meu corpo se enrijece enquanto a lembrança daquele dia parece tão real, como se eu estivesse revivendo. — Ela sempre pagava as empregadas para saírem por algumas horas para que ela pudesse fazer o que quisesse... Enfim, subi num banquinho e depois no armário para pegar o pote de biscoitos. Faço uma pausa, lembrando a mim mesma que não posso vacilar, não na frente dele. — Mas era tão alto, então quando tentei alcançá-lo... escorreguei e caí no chão... A última coisa de que me lembro é de estar numa maca de hospital, acordando de uma cirurgia depois de sofrer um hematoma subdural. Tive que ficar lá por duas semanas, e odiei cada segundo. — Por que você está me contando isso? Olho para as minhas mãos. Sei que ele está na defensiva, que provavelmente pensa que estou tentando colocá-lo contra a esposa... até mesmo que estou mentindo para ele. Mas a verdade é que foi simplesmente um impulso de confessar. — Não sei. Digo. — Talvez porque eu odeie segredos e hipocrisia, e, além disso... sempre há outro lado da história. — Segredos são necessários às vezes. É tudo o que ele diz após uma longa pausa. — Boa noite, Lorenzo. Passo por ele e volto para o meu quarto. Quando me tranco, encosto-me à porta e fecho os olhos. O meu corpo inteiro treme. As minhas emoções se acumulam e ameaçam transbordar. Mas não posso permitir. Não posso ser vulnerável. Preciso aguentar mais um pouco, mais alguns meses, até poder voltar à minha vida. Me distanciar o máximo possível da minha mãe e de Lorenzo. Porque o marido da minha mãe tem razão... Não faço ideia em que jogo estou me metendo. E tenho medo de que... agora que começou, não consiga escapar.
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