O sol do Rio já queimava forte desde cedo, invadindo o quarto pelas frestas das persianas de madeira. A luz quente caía sobre a cama desarrumada, sobre os lençóis embolados, sobre o corpo nu de Serena ainda envolto no cheiro dele. Serena acordou devagar, como se estivesse emergindo de dentro de um sonho pesado e doce ao mesmo tempo. O travesseiro ainda trazia o aroma de Heitor — colônia amadeirada misturada ao sal da pele e aquele leve toque de cigarro que ele só acendia quando estava pilhado. Era um cheiro que não combinava com calmaria, mas que nela fazia tudo dentro do peito apertar e amolecer. Ela piscou algumas vezes, tentando organizar os pensamentos… e o corpo. A primeira coisa que sentiu foi o peso quente e firme sobre sua cintura. O braço dele. O Chacal. Ainda dormindo, grudado

