Enrico Eu não planejei isso. Não planejei erro, nem desejo, muito menos sentimento. Planejei um contrato, um controle, uma solução fria para o desastre que meu filho se tornou. Mas Naya não é um contrato. Ela entra na minha rotina devagar, por detalhes. Primeiro, no silêncio dos corredores. Depois, no som da voz baixa agradecendo a um empregado por algo simples. Depois, no jeito como se inclina sobre a cadeira da mãe para ajeitar um travesseiro. E, por último, no jantar. Começo a perceber que espero aquela mesa longa deixar de ser apenas cenário. Espero o momento em que ela vai entrar, sempre um pouco desconfortável, segurando o guardanapo como se fosse um escudo. Passo a reparar em coisas que um homem que “não se envolve” não deveria reparar. Como ela segura os talheres

