Naya A mansão Torrance sempre foi silenciosa. Mas, com o tempo, começo a perceber que há tipos de silêncio diferentes. Tem o silêncio normal, de casa grande, onde cada som se perde na distância. E tem o silêncio que vem depois de cochichos interrompidos. Nos primeiros dias, eu estava ocupada demais tentando me adaptar… a rotina da minha mãe, os horários dos enfermeiros, as regras implícitas de uma casa rica. Agora, com certos medos ficando “habituais”, comecei a ouvir mais. Ouço quando duas funcionárias abaixam o tom de voz assim que eu entro na cozinha. Ouço quando Raul, o administrador, responde demais com “não se preocupe com isso, senhora”. Ouço o nome “senhor Afonso” surgir e sumir rápido demais nas conversas. Afonso nunca aparece. Eu sei que ele é meu marido no papel.

